Noite de Halloween, Guerra no Fronte Leste: Capítulo 85

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Noite de Halloween, Guerra no Fronte Leste: Capítulo 84
Noite de Halloween, Guerra no Fronte Leste: Capítulo 86

 

Cap. 85

Reino Elemental.

— Ei, onde estamos?

— Ahhhhhhhhhhhhhh! — grita Coragem que erra o galho e caí no chão:

“Poft!”

— Fala sério…

— Noah! — dizia Coragem pegando um galho para se defender.

“…”

— Você consegue falar sem ter pulmões?! — dizia Coragem cutucando a cabeça o com o galho.

— Não pergunte coisas que estão além do seu entendimento — e emendou — Onde estamos?

Mas Coragem continuava a cutuca-lo com o galho.

— Dá pra parar!

— Tá bom… — dizia Coragem dando as últimas cutucadas.

— Onde está o guerreiro de mascara de sol?!

— Snot voltou e o matou juntamente de um monte de bruxas poderosas.

— Como assim poderosas bruxas? E onde estamos? E cadê o meu corpo?

— Um monte de bruxas apareceu com Snot, uma briga feia aconteceu, o cara de máscara morreu, o exército brilhoso estava próximo, as bruxas lutaram e depois abriram muitos portais e o exército de Halloween e os gigantes apareceram bem encima do exército Brilhoso. E nós estamos indo até o coração de Jóia Verde — dizia Coragem acendendo um cigarro.

— Como assim exército Brilhoso? Que gigantes? Quais Bruxas? Me fale mais!

— O que eu acabei de falar foi o que acabou de acontecer e quanto mais eu penso nisso mais eu fumo, basta você saber que nós escapamos — dizia Coragem com o cigarro na boca e pegando a cabeça de Noah.

— Ei! tire suas mãos imundas de mim! — e emendou — E onde está o meu corpo?!

Coragem desajeitadamente enrolava a cabeça do vampiro com um fino cipó e o prendia em sua cintura.

— Então… Eu senti um pouquinho de energia vindo de você então eu pensei em lhe trazer junto e quem sabe o rei de Jóia Verde podia curar você, talvez te benzer ou coisa parecida… — dizia Coragem começando a escalar uma árvore.

— Imbecil! Era só ter me deixado lá e alguém juntava a minha cabeça com o meu corpo!

— Há! Agora já foi! Eu não estou pensando direito faz muito tempo! — dizia Coragem começando a saltar de galho em galho e usando alguns cipós.

— Seu tolo! Me largue agora que alguém do meu clã virá me buscar!

— Mas e se te pegarem e arrancarem seu poder de viagem dimensional como fizeram com a sua irmã?

— O que? Eu não tenho essa habilidade, somente meu pai e Serena que nasceram com essa habilidade!

E Coragem se calou mortalmente percebendo a besteira que havia dito.

— Espera um pouco… Como você sabia disso?! O que sabe sobre o desaparecimento de Serena?! — dizia Noah tentando morder Coragem, mas os saltos de Coragem o balançava muito.

— Olha vampiro… Não pergunte coisas que estão além do seu entendimento… — dizia Coragem arrependido de ter aberto a boca demais.

— Coragem seu fracassado! Me diga agora que sua morte será menos infernal do que eu planejo.

— Se eu disser você não vai acreditar.

— Experimente! — dizia Noah ainda tentando o morder, mas sem sucesso.

— Eu achei a sua irmã em uma jaula em um laboratório secreto em Tumba do Oeste, depois que a “salvamos” ela foi seqüestrada por um complô da guilda dos mercadores e o exército revolucionário goblin, por fim eu e o meu grupo fomos traídos e eu vim parar aqui e o resto você já sabe.

Noah se calou e ficou pensativo por alguns poucos segundos mas logo retomou:

— Onde foi que você viu a Serena na última vez?!

— E não é que ele acreditou? — dizia Coragem continuando a saltar com cigarro na boca.

— Onde?!!!

— Bem… Na última vez estávamos em Salem na casa de Mariane e depois uma carruagem surgiu dizendo que a guilda dos mercadores tinha preparado tudo para a extração da habilidade de viagem dimensional e que iam leva-la para um lugar seguro.

— Isto é tudo que sabe?!

— Sim chupa-cabra.

— Espera aí… Você disse Mariane?

— Sim.

— A famosa Bruxa do sul? Que reza as lendas prendeu sozinho Dies Irae?

— A própria.

— Está de gozação não é?

— Sobre?

— Pare de palhaçadas! Você revela informações secretas que só o Dragão oculto e a Noite a Dentro sabiam, aparece no acampamento com um mestre chamado “Irae” e depois fala que esteve na casa da Senhora Mariane?! Você está brincando comigo não é?! — dizia o vampiro não sabendo se rugia de raiva ou se chorava.

— E?

— Quem é você?!

— Olha Noah, essa resposta vai te deixar ainda mais frustrado, basta você saber eu estou indo onde sua irmã está.

— O que minha irmã está fazendo no coração de Jóia verde?!

— Erg, não exatamente agora eu estou indo até a sua irmã, mas assim que eu chegar no coração de Jóia Verde eu vou para a montanha Apice Fusco, lá será feita a extração.

— Como sabe disso?!

— Parece que a Tia Mariane conseguiu descobrir que será lá

— Por que Mariane e Dies Irae estão lhe ajudando? E onde está Dies Irae?

Coragem continuava a saltar, mas agora pegando várias frutas e folhas e as comia enquanto saltava.

— Diga seu macaco!

— Dá para esperar eu engolir? — “Glup” — Mariane e Irae disseram que os nossos destinos estavam ligados e que um dia eu ia entender tudo. E Irae foi procurar a Tia Mariane que desapareceu.

— Como assim ela desapareceu?!

— Você faz perguntas demais! Acha que eu sei de tudo?! Irae não me contava nada! Quando não me mandava calar a boca e treinar,  dizia coisas sem sentido algum! Não sabe que eu sou frustrado?! — e emendou — Só dizia coisas como “Tudo é”, “Basta sentir”, “Ouça a si mesmo”, “Pare de pensar e sinta”, “Arrume aquela goteira!”, eu vou ficar é louco com tudo isso!

— Dane-se você e dane-se Irae! De meia volta agora e vamos achar um telefone que o meu pai pessoalmente vai resolver isso!

— Não posso.

— Por que não?!

— Estamos sendo seguidos

— Por quem? — dizia Noah virando os olhos para os lados e pouco conseguindo ver.

— Acho que são os nativos de Jóia Verde.

— Qual o rank deles?

— De todos os tipos.

— Quantos são?

— Muitos e estão por toda parte.

— Por que não nos atacam?

— Acho que é pelo meu convite.

— Convite de quem?

— Oras, do Rei de Jóia Verde!

— Como assim convite idiota! — gritava Noah transbordando de raiva, mas principalmente pelas meias palavras e meias frases de Coragem, sempre dizendo as coisas mais insanas e absurdas, e ainda pela metade.

— Quando você ainda era comportada e silenciosa cabeça decapitada eu vi um elemental do ar e ele fez um gesto me convidando para entrar.

Ao ouvir as palavras de Coragem Noah se calou. Não porque não quisesse saber, mas depois de passar tantas lutas difíceis e depois ouvir assuntos tão secretos e nomes tão importantes saindo da boca daquilo que ele considerava sujeira (Coragem), achou melhor se calar e refletir bastante para não causar um aneurisma em si mesmo.

Passado algumas horas, Coragem continuava a saltar o mais rápido que podia pelas árvores, entrando então em uma área repleta de flores, frutos e pequenos animais. O ar ali era fresco e perfumado, antes tudo relacionado a floresta lhe causava a impressão de “selvagem”, mas naquela região florida e perfumada, sentia uma sensação de acolhimento e proteção.

Depois de muito viajar, chegaram ao fim da “linha”, um lago bem grande estava bem em sua frente.

O lago era grande e cristalino, tão grande que não se conseguia ver o outro lado. A água era azulada, com grandes, pequenas e medianas pedras brancas submersas por toda parte, parecia que nem água era, quase éter de tão cristalina que parecia.

Na margem que Coragem estava havia centenas de árvores grandes e floridas, o vento soprava gentilmente as flores, estas por sua vez, se soltavam lentamente de suas árvores e sem pressa alguma, deslizavam lentamente no ar até então tocar a pura e cristalina água. Agora na água, as flores navegavam tranquilamente com a brisa em direção ao infinito horizonte azul.

Mesmo os pássaros ali cantavam diferente, não cantavam o que queriam, mas cantavam harmonicamente a mesma música. Mesmo havendo espécies diferentes, e tons musicais muito diferentes uns dos outros, ainda sim, conseguiam encaixar suas vozes com perfeição na orquestra. Quando um descia o tom, outros muitos a subiam, e a conduziam aquelas doces notas com simplicidade e pureza.

Quando então pouco a pouco a música ia diminuindo, Coragem viu ao longe um pequeno pássaro azul, com uma pena fina que fazia uma leve curvada para frente, pousar em um galho um pouco mais alongado que os demais.

O pássaro começou timidamente a cantar… Os outros por sua vez, passaram a fazer um som de fundo, muito baixo. O pequeno pássaro cantava sozinho aquela música, e só a sua voz que era ouvida, mesmo os outros animais e mesmo insetos, se silenciavam para ouvi-lo. Coragem se sentou no chão e ali ficou.

O menino humano, sentia-se muito bem ali, lembrava constantemente de Mariane, pois as energias pareciam ser parecidas, mesmo a doce e tranquila voz de Mariane parecia ser ouvida naquele pássaro.

A música continuava, o pequeno pássaro parecia cantar do fundo do coração aquela melodia, simples mas de imenso poder, tão harmônico era que flores passavam a desabrochar, os peixes que antes nadavam paravam de baixo do galho onde o pássaro roxo estava para lhe ouvir.

Coragem sentia-se a energia do ambiente a serenar sua mente, e espirito, seu coração se acalmava. Quando se deu conta dos seus olhos escorriam lágrimas de emoção. A música finalmente acabava. Coragem se levanta para bater palmas enquanto enxugava as lágrimas que rolavam do seu rosto, o pequeno e frágil pássaro olhou para Coragem, mas este olhar estava carregado de doçura e amor. Imediatamente Coragem sente um nó na gargante e se segura para não chorar na frente de Noah. O pássaro pisca e saí voando e ao mesmo tempo, todos os infinitos pássaros que ali estavam bateram asas juntos e foram em direção do horizonte azul.

— Isso foi estranho… — dizia Noah confuso.

— Acho que foi um pequeno milagre… — dizia Coragem enxugando as lágrimas.

— O que foi isso? Desde quando pássaros cantam em coral?

— Também não sei, mas tomei a decisão certa em vir para cá.

— Como você encontrou esse lugar? — perguntou Noah virando os olhos para ver melhor.

— Eu sentia que nesta região a energia ficava mais forte, e pelo visto, mais bela também… — dizia Coragem emocionado ainda.

— Você é um anormal.

— Falou o senhor decapitado…

— E para onde vamos?

— Para onde os pássaros foram… — disse Coragem saltando para a primeira pedra branca que estava a poucos milímetros da superfície.

E em silêncio Coragem saltava de pedra em pedra, só se ouvia o som da água respingando para o lado, o menino humano não estava com pressa, sabia que soldados Nativos estavam por toda parte lhe observando de longe e se até agora não haviam lhe matado, significava que haviam autorizado a sua entrada.

— Os melhores clarividentes e sensitivos de Halloween procuram a localização exata para o coração de Jóia Verde sem sucesso algum, alias, nem os Brilhosos conseguiram encontrar… Como você fez isso? Mesmo com esse seu radar maluco ainda sim seria impossível!

Coragem ouvia em silêncio enquanto assistia alguns peixes que os acompanhavam enquanto saltava de pedra em pedra.

— Oras, mas todos sabiam que ficava nessa região certo?

— De certo modo sim, mas, essa região é tão grande e tão rica em energia que nenhum clarividente sabia dizer ao certo, e se mandávamos tropas para investigar os nativos os matavam em um instante! Por isso criamos o fronte Leste para investigar esse região! — e emendou — Aqueles dois patetas disseram que estavam próximos do coração de Joia verde, mas vendo o quanto nós já viajamos, eles nem perto estavam!

Coragem escutava em silêncio, enquanto ainda saltava de pedra em pedra e assistia vários pequenos animais de todos os tipos começando a entrar na água e vir nadando na direção que ia.

— O que os nativos tem de poderoso além do olhar? — perguntava Coragem olhando para a margem que tinha vindo e vendo alguns humanoides meio verde entre as folhas das árvores camuflados.

— Eles podem não ter a tecnologia que nós ou os Brilhosos temos, mas suas habilidades físicas são impressionantes, fora suas táticas de guerra na selva serem infinitamente superior a nossa ou a que os Brilhosos, e ainda tem venenos e magias envolvendo a natureza.

— Já esteve em algum campo de batalha com eles?

— Não, apenas estava nas linhas de trás matando alguns desertores. Mas eu vi o estrago que soldados da floresta podem fazer em soldados da cidade…

— Mas por que não derrubaram toda a floresta de uma só vez?

— Pensa que Halloween não pensou isso? Inicialmente íamos derrubar tudo com nossos tratores e motosserras e etc, depois pegar os recursos como sempre fazemos, mas descobrimos que só tecnologias a base de cristal funcionavam e cristais são caros, além disso, os cristais dimensionais que é o principal meio de nos deslocarmos também param de funcionar se houver algum oficial Brilhoso por perto.

— Mas não existem tratores e motosserras a gasolina? E vocês só descobriram aqui em Jóia Verde que os cristais de portais não funcionavam perto dos Brilhosos?

— Tudo relacionado a energia elétrica parece sofrer nestas terras, para abrirmos os acampamentos militares, foi preciso rituais, feitiços, tecnologia e usarmos os cristais que estavam nas entranhas das terras dos acampamentos para nos protegermos desta interferência, que vai e vem e por vezes é fraco e por vezes é letal. E sim só descobrimos aqui, caso contrário não teríamos ficado tanto tempo na defensiva…

— E os gigantes, por que não usaram para acabar com a guerra de uma só vez? Havia um grandalhão azul imenso! Alguns passos dele poderia dizimar o planeta todo!

— Os gigantes são especialmente vulneráveis a ataques psíquicos… E eu não sei se você já percebeu mas é a especialidade dos Brilhosos… — dizia Noah inconformado — Por isso os gigantes são usados somente quando se tem o apoio de dezenas de feiticeiros para protegê-los e mesmo assim, lutam por poucos minutos já que os feiticeiros precisam usar cristais de energia de rank A para manterem a proteção dos gigantes de pé e como eu já disse, cristais são caros.

— Certo, eu entendi, mas por que não usaram então os gigantes para pisotear toda a floresta até achar o coração de Jóia Verde?

— Isto foi feito, mas perdemos 5 gigantes com mais de 30 metros de altura, ou por venenos, ou por bactérias ou mesmo por algum fungo que os destrói de dentro para fora. E mesmo com toda a nossa tecnologia e magia não fomos capazes de salva-los. Sem falar na quantidade imensa de baixas que já tivemos de tropas regulares por estes mesmos ataques biológicos.

— E como fazem para lidar com os venenos e fungos e etc?

— Basicamente usamos mortos-vivos e criaturas que ataques biológicos não surtem efeito, mas como Nativos são especialistas em guerra na selva e nem sempre temos mortos vivos com um grau de inteligência aceitável… — e emendou — Deste modo precisamos enviar alguns soldados comuns para serem contaminados e depois desenvolvermos vacinas para os pelotões que vão combater os Nativos, mas essa é uma guerra que sempre estamos em desvantagem já que eles conseguem criar venenos, fungos, vírus e bactérias novas o tempo todo…

— Oh, a poderosa nação de monstros está acuada por aliens e selvagens… — caçoava Coragem ainda seguindo em frente.

— O que esperamos idiota?

— Acho que algo vai sair da água — disse Coragem ficando em cócoras olhando de perto a água.

Alguns segundos depois começa a emergir da água, algo, e pouco a pouco tomava forma… Uma forma humanóide feita de água emergia lentamente… Como quem se espreguiçava…

E se apoiando na água com os “cotovelos”, ela saiu. Tinha contornos femininos e estava com o tronco para fora d’agua. Noah, via apenas um monte de água que lembrava uma mulher, mas sentia algo mexer dentro dele próprio, sentia uma certa beleza e encatamento vindo da mulher de água.

Coragem, este via uma moça muito linda que hora parecia agua etérea e hora parecia uma mulher de cabelos azul-esverdeados, com grandes e lindos olhos brilhantes e, lábios delicadamente cor de rosa.

Coragem e Noah prenderam a respiração encarando a figura. Ambos estavam sem ação. A moça de água, ficou lhes observando por alguns segundos, passava ternura e pureza, mas principalmente curiosidade. Nenhum dos dois conseguiam desviar o olhar da bela criatura.

Então… A moça sorri.

Imediatamente tanto Coragem quanto Noah, coram de vergonha. E delicadamente a moça estende sua mão para Coragem, como quem diz: “Venha”. Coragem estica lentamente sua mão na direção da gentil e delicada mão, mas para no meio do caminho e a guarda.

E em silêncio fica lhe olhando.

A moça de água que agora parecia tão real quanto uma pessoa qualquer, sorri, um sorriso delicado que transbordava ternura. E através do seu doce olhar e meigo sorriso disse: “Você não vai me machucar”.

Coragem hesita e percebe que por mais delicada e meiga que ela fosse, o poder e a força ali também estava, de forma diferente a que Coragem conhecia, mas a moça de água tinha grande poder. E por isso segura a mão da moça.

Coragem teve de se segurar para não chorar, pois neste tocar, o garoto humano sentiu a grandiosidade daquele delicado e meigo ser. E o guiando, ambos seguiram, Coragem sobre as pedras e a moça na água.

E pouco a pouco, a paisagem ia mudando, como se fosse uma neblina, ou uma tela embassada, que pouco a pouco se clareia… Sente uma sensação nova, como se todo o peso do mundo saísse de suas costas e tudo ficasse leve, levemente leve.

Quando se deu conta estava sentado sobre uma vitória régia que navegava sobre um rio de tão claro que chegava no azul, era como navegar no céu azul, se não tivesse tocado na água e sentido o molhado não teria conseguido distinguir um do outro.

Nas margens estavam árvores que transbordavam flores brancas apessegadas. Que lentamente se soltavam e caiam lentamente, como se o tempo o próprio tempo não tivesse pressa alguma com suas flores.

O chão da floresta era um longo tapete de flores, eram muitas e por onde quer se se olhasse abundantemente ali elas estavam.

— Uau! Olha Noah! Olha esse céu! — disse Coragem pegando a cabeça e a erguendo no alto.

— É rosado… — dizia Noah com a boca aberta.

O céu era rosa apessegado, as nuvens pareciam ser mais macias que um algodão e como as flores, lentamente flutuavam pelo céu. O sol era de um alaranjado que tendia para o rosa, ou seja, pêssego também. O seu calor parecia que os esquentava de dentro para fora e isso era bom.

E sentando-se com as pernas cruzadas Coragem passou a respirar profundamente, o ar era leve e perfumado, um perfume que não sabia dizer o que era, mas era delicioso.

Ao longo da margem pequenos animais os acompanhavam, eram semelhantes aos animais que ele conhecia como: Coelhos, esquilos, camundongos, veados, pássaros e etc. Mas estes eram diferentes em suas cores, por exemplo o coelho era uma mescla de cor roxa e verde resplandecente e ainda tinham um pequeno par de chifres, uma raposa que lhe acompanhava desde a entrada era mescla de branco e prateado.

A moça de água ainda estava de mãos dadas com Coragem, ela seguia olhando curiosa para ambos, suas expressões, seus olhares, tudo que faziam para a ela era interessante.

E conforme pelo rio, pouco a pouco Coragem passou a ver pontos luminosos flutuavam por toda parte. Havia da cor vermelha, azul, azul esverdeado e amarelo.

— Elementais!

E quando Coragem focava a visão nesses pontos de luz, pouco a pouco passa a ver que as luzes passavam a tomar forma de pequenas criaturinhas.

Os amarelos eram pequenos homenzinhos com longas barbas e pequenas roupas coloridas, alguns carregavam picaretas, pás e alguns lamparinas. Todos acenavam para Coragem.

Os da cor azul voavam ao seu redor e estes ele não conseguia ver direito, mas via que eram algo similar a um pequeno humanóide, quase translúcidos, como se fossem o próprio vento.

Os de luz vermelha Coragem também não conseguia ver direito, viu que possuíam corpo também humanóide, mas que seus membros eram um pouco mais longos que os dos outros e mais finos. Pareciam pequenos seres em chamas, uma chama calma e gentil.

Os azuis esverdeados, este Coragem via claramente, eram humanóides e da cintura para tinham uma calda de peixe!

— Ei idiota! Você está vendo elementais não está!?

— Sim! Mas é a primeira vez que eu vejo com tanta nitidez! — e emendou — Você é uma elemental da água?

A moça de água fez que sim com a cabeça e soltou sua mão, e se afastou alguns metros e olhou para baixo e dezenas de moças igualmente bela como ela própria saiu da água.

Coragem ficou embasbacado, tudo nelas era lindo, não conseguia tirar os olhos delas.

— Ficou louco! As nereiades tem fama de hipnotizar todos e os afogar! Pare de as olhar — gritava Noah com um olho fechado e outro aberto.

— Qual seu nome? — perguntou Coragem olhando para a elemental que até agora tinha guiado eles.

— Osipéia — disse a moça colocando o cabelo atrás da orelha.

Coragem com cada vez mais e mais nitidez conseguia as ver, e cada vez mais e mais belas elas se tornavam…  Continuava a olhar a moça no fundo dos olhos, pois a sua beleza não estava apenas no olhar, nem em seus delicados e divinos traços, mas em algo mais, algo que ia além da simples visão. Sua beleza vinha da essência mística e docê da própria água em si.

— Ah, meu nome é Coragem — disse o menino corando.

A moça lhe olhou com ainda mais doçura.

— Agora que ela sabe o seu nome ela vai te amaldiçoar pelo resto da vida! — dizia Noah lutando consigo mesmo para não olhar.

— Este aqui é o Noah , eu vou quebrar a cara depois — disse Coragem pegando a cabeça de Noah e colocando na frente da nereiade.

Noah que antes via só água, agora, via um grande par de olhos lhe olhando. Ali havia tanta doçura, que foi mais que suficiente para o fazer se enrubescer e depois se calar de vergonha.

— Há, então para você ficar quieto eu só preciso de uma moça bonita? — dizia Coragem olhando para baixo enquanto ria.

— Ca..lesse! — dizia Noah sem conseguir tirar os olhos que lhe olhavam com carinho.

— Osipéia, sabe onde estamos indo? — perguntou Coragem assistindo a moça mexendo nos cabelos de Noah que estava paralizado.

— Daqui a pouco chegaremos… — dizia a moça agora apoiada com seu braço sobre a folha de lótus enquanto fazia carinho no queixo de Noah e ele por sua vez estava com a boca aberta sem conseguir dizer nada e Coragem ria com a cena.

A folha de lótus continuou a seguir a calmamente pela correnteza enquanto vários elementais voavam ao seu redor e brincavam com ambos, mesmo alguns “camundongos” e alguns “pássaros” coloridos se sentaram sobre eles. Várias outras nereiades estavam envolta da folha sorrindo e brincando com Noah, que ainda não conseguia dizer nada.

A folha navegou até chegar em um grande lago com centenas de flores de lótus boiando. No ar caiam flores de parte alguma, pois já não viam mais árvores. Animais, insetos e infinitos elementais seguiam com eles.

E por onde quer se olhasse nessa lagoa, se via um infinito de flores de lótus. A luz alaranja apessegada agora tendia para o rosa pêssego, iluminava e ao mesmo tempo parecia acolher a todos.

Um delicado e místico perfume estava por toda parte, mas por mais que tentasse associar a algo não conseguia, era algo que ia além do seu entendimento, apenas sabia que era bom.

Sua mente estava como uma seda branca no ar. Sentia uma paz que nunca havia sentido, até mais que quando entrou “dentro” do seu cristal dourado. Seu cansado corpo também parecia colher os benefícios, sentia que a cada segundo seu corpo estava mais e mais relaxado, era quase se não tivesse mais corpo. E com os olhos fechados seguiu, apenas se ouvia o cantar distante dos pássaros e o som da água se movimentando.

Quando se deu conta, sentiu algo o balançar, e quando abriu os olhos sua folha estava de frente com uma pequena ilha. Noah dormia profundamente, Coragem o pegou e o levou junto. Osipéia e algumas outras elementais e alguns pequenos animais estavam lhe esperando.

Conforme andava sentia que tudo se tornava ainda mais leve e juntamente com essa leveza as cores se tornavam mais vivas! Era com se as cores ali fossem as verdadeiras cores e tudo que ele havia visto até então não passasse de uma pobre réplica.

A grama da ilha era verde resplandecente com pequenos botões de flores coloridas. E logo a frente estava uma grossa mas pequena árvore coberta de flores brancas.

Conforme Coragem se aproximava sentia seu corpo mais e mais leve e junto da leveza sentia uma emoção muito forte e lágrimas passavam a rolar pelo seu rosto. Não sabia o que era, mas sentia uma emoção muito forte e quando se viu estava chorando e limpando seu rosto com seu braço. Sentia uma sensação de algo muito grande o observando, mas não era grande em tamanho, mas sim em poder e bondade.

— Irae?

Mas não ouviu resposta, os elementais e animais que o seguiam tinham parado a alguns metros da árvore e agora estavam com suas cabeças baixas em reverência para algo.

— Tia Mariane?

Mas novamente não ouviu resposta alguma, sentia-se observado por algo que sorria.

— Eu não consigo lhe ver! — dizia o menino olhando para os lados, para cima e para baixo e nada enxergando.

Quando vê aos seus pés um pequeno camundongo que se aproxima e se senta, se senta na postura de lótus, então, fecha os olhos.

— Há…

Sem perder tempo Coragem faz o mesmo e coloca a cabeça de Noah do lado sobre a grama. E em silêncio ele fica por vários minutos, apenas respirava, não sabia o que devia fazer, mas sentia que devia ficar quieto e usar o “sentir” e ali ficou mais alguns minutos apenas respirando.

O tempo passou… E passou… E então um deslumbre:

—Há! Entendi! O senhor está por toda parte!

E uma flor caí em sua cabeça. Sentia uma forte emoção, sem que ele quisesse lágrimas escorriam dos seus olhos, enquanto algo mágico lhe olhava de toda parte.

— Eu sentia que devia vir aqui!

E novamente Coragem fica em silêncio esperando entender algo, já que não via nem conseguia ouvir nada e novamente o milagre veio:

— Sim! Eu devia vir aqui! Eu tinha que estar aqui! — dizia Coragem com uma sensação de lembrança — Mas para que?

E novamente Coragem ficou em silêncio, mas não mais de olhos fechados, apenas observava a grama, os insetos, os animais que agora brincavam uns com os outros e os elementais que o observava.

E olhou para suas próprias mãos, que voltavam a tremer.

— Eu preciso de ajuda… — dizia Coragem voltando a derramar lágrimas

— Minhas mãos não param de tremer… — dizia Coragem mostrando as mãos.

— Meu corpo todo dói, até meus órgãos doem… E se não fosse as poções mágicas eu já teria morrido… — se lamentava o menino.

E ficou em silêncio olhando para a árvore, sem que percebesse vários minutos passaram enquanto esperava uma resposta.

— Os pesadelos, o medo que sinto e agora o sangue que derramei… — dizia Coragem com um olhar desconsolado —  Certa vez Irae me disse que se eu tivesse disposto a assumir as consequências, até matar pode ser justificado por um motivo justo e altruísta… Mas eu não vejo nada de justo em matar, nem mesmo quando se trata de monstros…

— Como posso viver? Não seria melhor simplesmente morrer? Estou cansado de tantas mortes, estou exausto de tanta violência. Não apenas as que eu vi a pouco, mas principalmente as que estão dentro de mim… As que vêem de mim mesmo — disse Coragem olhando para o Noah que dormia.

— O que é a vida? Para que tudo isso?

E Coragem continuava olhar para baixo, sentia um buraco no peito, sua tristeza era tanta que começou a chorar silenciosamente, lágrimas vertiam.

E em silêncio ficou… Vários minutos depois, enquanto olhava com o olhar perdido para o chão:

“?”

No chão Coragem via algumas formigas carregando um pequeno inseto morto, quando olhou ao lado viu centenas de outras formigas carregando vários outros insetos e folhas para um pequeno buraco. Quando olhou para os lados, viu a grama, pequenos cogumelos, alguns outros insetos e mais para frente a árvore de flores brancas.

— A morte está alimentando a vida?

E Coragem agora olhava atentamente para o todo, mas não mais só para a ilha mas também para o lago e para o céu rosado.

— Mas para que?

— Para quê tudo isso?

E ficou em silêncio observando o vento assoprar levemente a árvore e água, por vários minutos. Em silêncio e sem pensar nada, apenas estava ciente.

— ENTENDI!!!

— Tudo tem um porquê! Mesmo que eu não consiga entender, tudo tem um porquê! Nada é ao acaso! Não existem coincidências! Assim como eu vir aqui hoje não foi uma coincidência! Viva!

— Se eu continuar eu descobrirei o motivo de tudo isso!!! — dizia Coragem se levantando e pulando de alegria.

— Acorda vampiro idiota! — dizia Coragem o pegando e o erguendo no ar.

— Am? Háhhhh! — disse o vampiro abrindo os olhos e se assustando.

— Eu descobri! Nada é por acaso, tudo tem um porquê!

— Para de me balançar!

— O universo é vivo e ele sabe o que faz! Existe uma mecânica por trás de tudo!

— Cale a boca e pare de me chacoalhar!

— Agora só tenho que entender o porquê de tudo isso! Viva!

— Se eu tivesse estomago eu já teria vomitado sangue em você!

— Obrigado grande espírito! — dizia Coragem se ajoelhando e colocando sua testa no chão.

— O rei de Jóia Verde está aqui? — dizia Noah enquanto Coragem inclinava a cabeça de Noah com sua outra mão.

— Mas e agora? O que eu faço? — disse o menino olhando novamente para a árvore.

— Você tira a minha cara desse chão imundo!

— Estou falando com o grande espírito — dizia Coragem olhando concentrado para a árvore.

— Não tem ninguém aqui! Somente aqueles animais e aqueles par de olhos lá atrás.

— Tem sim, mas ele só fala quando estamos em silêncio!

E Coragem ficou continuou concentrado olhando ao redor.

— Como assim acabou o tempo de Jóia Verde? Do que está falando?

— Isso não é possível, isso não tem sentido!

— O que está acontecendo imbecil?! — dizia Noah com a cara meio enfiada na terra.

— O senhor não pode ir embora! Eu tenho tantas perguntas! — dizia Coragem olhando para árvore que aos poucos e de baixo para cima suas flores iam secando e caindo.

— E o que vai ser dos milhões que vivem nessas florestas?! Vai os abandonar? — dizia o garoto olhando ao redor e vendo que os elementais e os animais iam pouco a pouco ficando translúcidos.

— Então me leve junto! Eu vou ser bom! Eu vou me comportar! Eu prometo! Não me deixe! — gritava Coragem voltando a chorar.

Coragem sente algo o abraçando, um abraço quente e acolhedor que o fez chorar ainda mais, sentiu algo limpando suas lágrimas e por milésimo de segundo ele viu em sua mente uma mulher vestida de branco que lhe acolhia e esta mesma mulher que ele não conseguia ver o rosto apontando para a lua.

— A lua irá me proteger como assim?

O imensidão de poder lhe olhava com transcendental sabedoria.

— E sim, eu tenho um objetivo, salvar meus amigos, encontrar a Alice e descobrir quem eu sou. Eu preciso ir até ela!

E cada vez mais e mais carinho Coragem sentia e sua emoção era muito grande.

— Se a senhora diz que já me deu a sua benção então eu acredito — dizia o menino limpando as lágrimas que escorriam do seu rosto.

— Vamos voltar a nos ver?

— Então está combinado! — disse o menino sorrindo e se levantando.

E ao olhar para os lados, toda a paisagem paradisíaca ia desaparecendo.

— Ei o que está acontecendo! — gritava Noah tentando se virar para o lado com sua língua mas sem sucesso.

E de má vontade Coragem pega Noah pelas orelhas e mostra o que está acontecendo.

— Isso dói imbecil!

— Ele está indo embora…

— O espírito de Jóia Verde está indo embora? Mas para onde?

— Espirita, era uma mulher, ou pelo menos algo feminino que cuidava de Jóia Verde.

— E “ela” está levando tudo? Onde estão as nereiades e os animais? — dizia Noah  vendo tudo cada vez mais e mais translúcido.

— Ela disse que estava apenas me esperando para me agradecer.

— Pelo que?

— Por eu ter libertado muitos elementais e outros Nativos que Halloween tinha capturado.

— Isto não faz sentido! Se ela podia fazer todos desaparecer a hora que ela quisesse por que esperar você?

— Acho que ela só queria agradecer a minha boa intenção e me ajudar.

— Isto não faz sentido! Como assim você libertou elementais e Nativos? Que estória é essa?

Então quando se deu conta estava ele e Noah  no meio de uma floresta com um pequeno córrego na sua frente.

— Am?

— Onde foi tudo aquilo e onde foi aquelas elementais? — perguntava Noah virando os olhos para os lados tentando ver.

— Aquilo foi real?

E em silêncio, ambos ficaram, apenas olhando para as árvores. Sentiam como se tivessem acordado do melhor dos sonhos que já tiveram e tudo o que queriam era voltar a sonhar.

— Achei ele! Fique parado! — gritou uma voz feminina conhecida.

E quando Coragem olha para cima vê a bruxa meio Mariposa montada em uma vassoura. E o céu voltava a ter a cor azul.

— Meleca, as Wiccanas já nos acharam!

— O que as Wiccanas estão fazendo atrás de você?!

— Culpado é você vampiro burro!

— O que eu fiz imbecil?!

— Elas devem ter me rastreado através da sua cabeça!

— Mas foi você que me seqüestrou!

— Culpado é você Noah eu vou te afogar no rio! — gritava Coragem com todas as forças.

— Como vai me afogar se eu não tenho pulmões imbecil?!

— Eu vou tentar mesmo assim! — dizia Coragem se preparando para lhe afogar.

Quando ouvem um som no céu:

“Zooooommmmmm!”

— Um portal! — e ao olharem para cima um imenso portal se abria e dele um gigantesco navio flutuante saía.

— Um couraçado de guerra!

Um navio gigante de guerra pairava sobre suas cabeças, a parte de baixo do casco era vermelha e a parte de cima era de cor metal. Na parte da frente havia uma gigantesca turbina e na parte de cima além da cabine, havia centenas de canhões e antenas.

“toc-toc”

— Está funcionando? Testando 1, 2, 3, alo alo! Testando. — dizia uma voz conhecida vindo do navio e ecoando por toda parte.

— Eu conheço essa voz de algum lugar… — disse Coragem confuso.

— Ei psiu!

— Am??? — disse Coragem olhando para o lado e vendo um rosto conhecido.

— Wiccanas se afastem, o delinquente Coragem está preso por vandalismo! E o que mais? — e emendou — E por ser pau no cu, ei! Não o chame assim! Continuando… Nós temos ordens do alto comando de Sdom para leva-lo conosco.

As bruxas acabavam de se reunir. Todas estavam montadas em suas vassouras no alto do céu. Agnes pega sua varinha e aponta para sua própria garganta e fala tão alto quanto a voz que saia do navio:

— Tenho ordens diretas da Lorde Morgana para leva-lo! — dizia a bruxa erguendo um pequeno talismã com uma mão com um olho no centro de cor dourada.

“Brrrrzzz!!!”

— E aí gracinhas, estão afim de tomar um suquinho verde? — dizia uma voz vinda das caixas de som do navio.

— Saí do rádio 12!

— Havia dois goblins, o “Beijaeu” e o “Mebeija”. O Beijaeu morreu quem sobrou?

— Saí do rádio você também Bim!

— O 13 está perguntando se a cocótinha de espada quer conhecer um samurai de verdade?

— Chega vocês! Saiam já do rádio!

— Relaxa Coronel o Coragem está lá trás faz tempo — dizia Nº 12 ainda no rádio.

— Coragem você está aí!

“Brrrrrzzzztt”

“Poft!”

— Isso aqui é um boneco! — gritou a bruxa meio mariposa lá no chão onde Coragem devia estar.

— Wiccanas! — gritou Agnes erguendo sua varinha e todas as outras sacaram suas varinhas para o navio.

— Am Am, podem ficar bem quietinhas. Nós temos um Couraçado de guerra de última geração, obra prima vinda diretamente do Lorde Stein…  Que agora era para estar mudando os rumos desta guerra… Acho melhor vocês ficarem aí de boa — dizia Nº 12 enquanto os canhões se moviam e apontavam para elas.

— Pss.. Agnes… — dizia Julieta.

— Que foi?

— Não é por nada não, mas nós estamos meio acabadas…

Agnes olhou ao seu redor e via que todas estavam imundas, seus vestidos estavam rasgados, estavam com pequenos hematomas por toda parte e o pior estavam descabeladas.

— Missão dada é missão cumprida! — respondia Agnes a líder.

— Ah então vai lá você queridinha por que nós estamos o pó — dizia Helen tomando água de uma garrafa e depois jogando no próprio rosto para não dormir.

— Uma gangue de lobisomens, um dragão negro, um exército de Brilhosos e agora um couraçado de guerra, nada de mais… Nada demais… — dizia Yuki dando tapinhas em seu próprio rosto.

E o rádio voltava a falar novamente e do fundo se podia ouvir a conversa:

— Olha só galera é o Coragem e olha como ele cresceu e ficou forte! — dizia Fleck.

— Oxi, mas as meninas devem estar loucas por você.

— Já estão Hahahaha!

— As minas lá embaixo não contam, são mó anorexas, não tem onde pegar — dizia Nº12.

— É mesmo Bro falou tudo — respondia Nº13 — É mesmo 14, as roupas são de mulher vulgar.

E as Wiccanas olhavam umas para as outras.

— Você está com um trapézio bem desenvolvido — dizia Dam.

— Oxê e olha as pernas desse cabra! — dizia Bim.

— Uhhhhhhhh! Magia forte! Ulalá! — dizia Zig.

— Vamos fazer um brinde! Bim cadê aquelas garrafas de sake que você tinha encontrado?!

— Eu vou pegar capitão!

— Coronel portais estão sendo abertos!

— Caramba quase me esqueci!

E várias naves menores começavam a surgir por toda parte:

— Faz aquela coisa do portal de novo! — gritou Fleck.

— Sim capitão!

E um grande portal se abre na frente do navio!

— Força total! — gritou Fleck novamente.

— Sim capitão! — disseram todos os goblins ao mesmo tempo.

Então uma luz azul surge das turbinas da nave e então ela desaparece dentro portal.

 

 

 

Noite de Halloween, Guerra no Fronte Leste: Capítulo 84
Noite de Halloween, Guerra no Fronte Leste: Capítulo 86