Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 72

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Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 71
Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 73

 

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap. 72

Batalha dos portais.

 Parte 1.

Coragem e Zen saiam correndo pelo túnel escuro iluminado por lâmpadas vermelhas com vários outros soldados e monstros horripilantes. Ao saírem do túnel, deram de frente a um imenso campo de terra batida, o clima era nublado e uma fina chuva caía. Centenas e centenas de monstros, alguns armados e outros apenas contando com suas garras e presas, e outros com sua feitiçaria, recebiam instruções de seus superiores. Haviam centenas de grupos e todos com seus respectivos superiores, cada grupo aumentava mais e mais com os monstros que a todo momento chegavam.

Ao fundo havia uma grande parede de terra escorada por sacos de areia e escorados com vigas de madeira e vários caminhos ali haviam que levavam ao fronte de batalha e cada caminho estava enumerado com um número, que ia do 0 ao 13.

— Ali está o zumbi alto! — disse Coragem e os dois correram até ele.

O zumbi alto segurava uma prancheta e uma caneta e ia marcando todos que ali estavam e apontava as direções.

— Aqui estamos nós! — disse Zen entrando no meio da multidão de monstros e Coragem fez o mesmo mas com mais dificuldade já que não media nem a metade de Zen.

— Zen e Coragem, vocês dois vão para o caminho número cinco e procurem o general Sosso, ele os aguarda!

Sem responder os dois confirmaram com a cabeça e se espremendo por entre a multidão os dois seguiram pelo caminho número cinco e seguiram andando a passos largos. Por toda o caminho (trincheira) podia se ver vários monstros, alguns estavam sentados em caixotes, outros fumavam, conversavam em silêncio e alguns bebiam, mas a maior parte estava em silêncio e apenas se ouvia o som da batalha que acontecia a alguns kilometros dali.

— O campo de batalha não é fácil para ninguém… — dizia Zen.

— Diz isso por que?

— Olha bem para os que estão a sua volta…

E ao olhar Coragem comprende.

— Estão todos exaustos?

— Se fosse só isso estava bom…

E ao olhar com mais cuidado Coragem comprende mais.

— Estão sem esperança?

— Acho que se pode dizer isso… — e emendou — Ninguém quer admitir, mas a guerra destrói tanto fora quanto dentro.

Coragem já tinha observado que os monstros no acampamento, mas principalmente ali bebiam, fumavam e usavam muitos outros tipos de drogas e agora tinha compreendido o por que. E se entristeceu.

— Zen, por que a maior parte deles não usa uniforme? — perguntou Coragem tentando mudar de assunto.

— Por que a maior parte deste flanco é composto de mercenários — dizia Zen fazendo um cumprimento de cabeça para os que lhe olhavam.

— Halloween não tem um exército oficial?

— Até tem, mas, desde que colocamos nossos pés aqui e topamos com os Brilhosos e os Nativos, tivemos muitas baixas… Desde então foi dada a permissão para aventureiros, mercenários e quem mais desejasse riquezas vir para este mundo pilhar e matar a vontade.

— Mas como era feita a exploração de Jóia Verde?

— Este portal foi leiloado de portas fechadas para alguns clãs, empresas privadas e alguns exércitos privados. Mas o governo central logo descobriu que os Brilhosos também haviam descoberto este mundo, então interviram com forças federais e revisaram o contrato o tornando uma espécie de contrato em “aberto” assim, os “donos” poderiam ainda lucrar uma porcentagem boa das explorações.

— O governo central é tão compreensivo e amigável assim?

— Quando se trata dos principais clãs e algumas empresas privadas, sim.

— Você já viu algum Brilhoso? — dizia Coragem vendo alguns monstros carregando outro monstro em uma maca.

— Já, são horríveis, quero dizer, tudo neles é horrível. Se ver um deles, descarregue tudo o que tem na cabeça deles e procure abrigo, por que eles são poderosos.

Coragem apenas arregala os olhos e continua.

Depois andar um pouco os dois chegaram em uma pequena entrada para um bunker que era guardada por duas grandes criaturas semelhantes a um troll só que de menor tamanho e vestindo um uniforme adaptado.

Ao entrarem no bunker, vários tipos de monstros estavam ali, tão assustadores quanto o pior dos filmes de terror, criavam uma atmosfera terrível e nefasta ali dentro.

— Zen!

— General! — disse o pitbull batendo continência e Coragem o imitando.

— Descansar.

— Já que vocês chegaram atrasados eu vou explicar rapidamente o que está acontecendo — e emendou— o flanco Oeste caiu e provavelmente o flanco norte também cairá em breve, por isso estamos batendo retirada.

— Retirada?! — disse Zen.

— Sim major, está tudo acabado, perdemos mais da metade das nossas forças com o ataque no acampamento, agora só nos resta um último ataque desesperado e seguir a estratégia de Irae antes que os nossos cristais de emergência falhem de vez…

— Ataque desesperado? — perguntou Zen.

— Estratégia do Irae? — perguntou Coragem.

— Sim… O xadrez dimensional começa a ser jogado para valer.

Zen continuou olhando fixamente para o general sem dizer nada. Coragem olhava para a cara dos dois e não dizia nada também.

— Então realmente houve um traidor general? — perguntava Zen cruzando os braços.

— Não sabemos ainda, o serviço secreto está investigando… Em todo caso a missão do esquadrão “Delta abóbora” que é o qual vocês agora fazem parte, será acompanhar o Duque Dullahan e lhe dar suporte e ajudar a destruir o máximo possível de categorias A e A+ para que nossos portais dimensionais possam ser abertos e possamos adiantar as tropas ou mesmo trazer mais soldados de outras partes para um ataque final ao núcleo de Jóia Verde — dizia o general esqueleto.

— A estratégia do seu mentor era que concentrássemos tudo o que tínhamos para atacar o núcleo de Jóia Verde e pegarmos a “incógnita” cheia de energia que há lá e usarmos para decidir a conquista de Jóia Verde.

— Então, agora é matar ou morrer ein?

— Quase… Será matar ou morrer antes que os reforços dos Brilhosos cheguem e não sobre nada de nós, já que eles estão vindo com aeronaves e outros veículos menores para o coração de Jóia Verde.

— Mas e o fronte leste? Por que eles não abrem o portal para nós todos irmos para lá de uma só vez?

— Não estamos conseguindo nos comunicar com eles de nenhuma forma e nem chegar lá.

— Será que os Brilhosos já não conquistaram o fronte Leste?

— A inteligência diz que não, pois os exércitos deles continuam vindo com seus veículos e não com portais.

— Então o que será que aconteceu com eles?

— Provavelmente algum especialista Brilhoso deve estar dando trabalho para eles.

— Não sobraram veículos ou montarias aéreas? — perguntou Zen.

— Os poucos que sobraram foram “requisitados” por alguns oficiais e outros seres “especiais” para se afastarem da “interferência dimensional” e usarem talismãs de portais… Então, estamos basicamente apé… E os nossos cristais estão quase acabando, em breve as nossas defesas ruirão de vez.

— Seria excelente abrir um portal no coração do exercito Brilhoso e jogar uma boa ogiva nuclear…

— Seria uma bela cena, mas não conseguimos abrir portais próximo a eles devido a essa maldita interferência, ou lutamos ou lutamos, não há escapatória para nós.

— O que seria essa interferência? — pergunta Coragem.

— As “guerras dimensionais” ou o “xadres dimensional” se trata de “Bloqueio” e “Avanço”. Bloqueio seria quem consegue bloquear os “Viajantes dimensionais” pois são eles quem abrem portais para as tropas e “Avanço” seria as manobras para se destruir os equipamentos, magia ou o quer que seja que está bloqueando os Viajantes. Mas o Bloqueio sempre tem uma distância máxima de uso, no nosso caso seriam os nossos cristais de emergência que dão a energia necessária para manter a nossa magia de “bloqueio dimensional” ativa, que é justamente o que nos protege dos Brilhosos e outros inimigos não abrirem portais bem dos nossos lados — disse Zen e continuou:

— Então o que nos resta é avançar de apé e matar os malditos que causam essa intereferência e a cada um destes monstros mortos, portais podem ser abertos e nossas tropas avançarem.

— Entendi…  Então… Por que  os Brilhosos não abriram um portal bem no meio do acampamento e nos massacraram? — perguntou Coragem.

— Não sabemos… Mas achamos que a magia que nos protegia ou o “bloqueio” não falhou completamente… —  dizia o general.

Zen não disse nada, achava tudo aquilo muito preocupante e misterioso.

— Só os Brilhosos que podem bloquear os portais dimensionais? — perguntava Coragem pensando nos elementais que havia soltado — Pois eu acho que os Nativos também podem não é?

— Ah sim, eles também podem — disse Zen.

— Nem me fale naquelas malditas fadas! Nos dão quase tanta dor de cabeça quanto os Brilhosos! Elas tem poderes sobre a natureza! Estou cansado de perder dragões e gigantes devido a raios que caem na cabeça deles! — dizia o general — Algum tempo atrás tínhamos capturado milhões delas e nisso conseguíamos usar os portais mais livremente nas áreas próximas dos territórios dos Nativos, mas de um tempo para cá a interferência voltou e se agravou e não sabemos o porquê. Por sorte ou azar isto também ferrou com os Brilhosos.

Zen olhou feio para Coragem que deu de ombros.

—Jóia Verde se tornou uma grande guerra de portais, um imenso xadrez dimensional e quem jogar melhor leva tudo. Vocês irão ajudar Dullahan, mas deixem ele fazer o trabalho pesado e fiquem perto dele que vocês sobreviverão, ele matará ou destruirá seja lá o que está nos bloqueando. Fiquem com ele que vocês sobreviverão. — dizia o esqueleto que fez um gesto quase imperceptível com a cabeça e imediatamente Zen e Coragem saem da entrada e vão para o lado e esperam vários soldados saírem pela entrada do bunker.

— Escuta… Eu sou fã do seu mestre garoto, então… Pega isso aqui — disse o general dando para Coragem um medalhão negro e redondo com algumas pedras brilhantes e entalhes — Isto é um portal de bolso.

“Fiu”

Assoviou Zen.

— Isso é bem caro General… — disse Zen

— Pois é… Mas esse dinheiro veio da aposta, em outras palavras isto foi comprado com a fortuna da nossa querida general Isabel — dizia o esqueleto sorrindo.

— Você também ganhou uma aposta com ela? Hahaha — perguntou Zen sorrindo e isto era medonho para Coragem.

— Sim! Eu e vários outros generais apostamos e ganhamos um bocado encima dela e nas apostas oficiais. Por quê? Também apostou com ela?

Então Zen tira sua luva da mão esquerda e mostra uma aliança dourada no dedo anelar.

— Não acredito! — disse o general dando alguns passos para trás de boca aberta.

— Pois pode acreditar, foi uma aposta jurada e sacrada com um contrato de sangue sobre as Leis de Jack O’Lanterna e sacrada uma segunda vez por um Sacerdote da escuridão com um par de alianças da eternidade — dizia o pitbull sorrindo de orelha a orelha.

O general estava com a boca aberta e não sabia se chorava ou ria.

— Não sei se você é louco! Ou muito corajoso! Mas em todo caso! Você tem o meu respeito para sempre! — dizia o general esticando a mão direita e os pregos sumindo e Zen apertando a sua mão.

Coragem apenas olhava para baixo balançando a cabeça em negação.

— Hahaha, muito bom Zen, espero que você faça ela a mulher mais feliz do mundo! Hahahaha — dizia o general enxugando lágrimas que misteriosamente surgiam de suas órbitas — Voltando ao assunto sério… Hahaha, muito bom… Hahahahaha. Infelizmente vocês só vão poder usar esse medalhão quando o oficial Brilhoso da área for morto. Quando houver oportunidade usem sem pensar duas vezes!

— Obrigado! — disse Coragem pegando o medalhão e colocando no pescoço.

— Fiquem atrás, detestaria que você morresse e o general Irae soubesse que eu mandei você para a morte… A propósito, sou fã da lenda de Dies Irae e a partir de agora do seu casamento major Zen! Hahaha. Mas falando sério, desde esqueletinho sou fã de Dies Irae, já li tudo sobre ele, acho que foi um sonho realizado conviver com um possível Irae Hahaha.

E um monstros de cara enrugada e branca, vestindo roupas cerimoniais e chapéu pontudo passava do lado.

— Agora já podem se retirar! — disse general Sosso

— Sim senhor! — disseram os dois ao mesmo tempo se virando para a saída que estava a poucos passos dos três.

— Ma… — disse general Sosso e se calou.

— Sim — disse Coragem se virando para trás.

— Sim?

— Sim, ele é realmente Dies Irae, mas ele está escondendo o seu poder verdadeiro.

A boca do general esqueleto se abriu novamente e ficou encarando Coragem.

— Para me ajudar a salvar meus amigos, acho que agora ele está procurando o amor da vida dele — disse Coragem sorrindo.

— Mariane… — disse o esqueleto com a boca ainda mais aberta.

— Vamos Coragem, o meu coração e a do general tem limites — disse Zen com uma cara estranha puxando Coragem para fora do bunker e saindo correndo.

— Ele é daquele jeito mesmo?! — gritou o general pondo a cabeça para fora do bunker.

— Sim! Ele é super legal! — gritou Coragem sorrindo e depois correndo atrás de Zen.


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