Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 57

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Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 56-A
Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 58

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap.57

Raiva.

— É isso aí Coragem! — gritava Zen indo o pegar pois ele mal se aguentava de pé.

— Eu ganhei? — dizia o menino com sangue escorrendo do seu nariz espatifado.

— Você ganhou, parabéns, só falta mais quinze lutas para o dia acabar! — dizia Zen vendo o corpo do menino coberto de hematomas roxos e verdes — Mas não tem problema, toma aqui essa poção doada por um dos nossos patrocinadores.

Coragem tomou a poção engasgando e tentando não vomitar, pois mal conseguia respirar, quem dirá engolir. Mas depois de tomar a poção se sentiu bem melhor, até sua respiração melhorou.

— Pelo Caos Primordial Zen! Deixe-me vê-lo! — dizia Gíbi subindo no ringue e analisando ele.

— Ele está ótimo Gíbi! Não é Coragem!

— É… Até voltei a sentir minhas pernas… — dizia Coragem sendo apertado e olhado por Gíbi por toda parte.

— Mas que coisa estranha… A constituição dele não é normal… É muito esquisita… — dizia Gíbi apalpando os braços e barriga de Coragem.

— Coisa de sua cabeça! Eu sou normal, sou feio igual vocês! — dizia o menino puxando seu próprio braço e com dificuldade tentando se levantar mas sendo segurado por Zen.

— Gíbi conhece um pouco de medicina o deixe dar uma olhada em você — disse Zen o segurando.

— Sua constituição é muito esquisita — dizia Gíbi apertando as canelas de Coragem.

— Me deixe vê-lo — disse um homem com máscara da praga subindo no ringue.

— Dr. Guido?! — disse Zen se levantando e batendo continência para o médico.

— Oh, o famoso médico do patriciado… Que honra. — disse Gíbi se levantando e fazendo uma leve reverência.

Dr. Guido se abaixou e passou a apalpar os braços e apertar a barriga do menino, Coragem passou a tremer e a suar frio, sua essência humana estava escondida, mas não o seu corpo, era só uma questão de tempo para ser descoberto.

— Olha Dr. Guido, com todo respeito, eu estou ótimo, por favor não me leve a mal eu só preciso de um chá e uma boa noite de sono… — dizia o menino com os olhos arregalados.

— Dr. Guido a que lhe devemos tal honra? — perguntou Zen.

— Eu fiquei sabendo que um discípulo magricelo e raquítico de um general ia lutar no ringue e logo eu deduzi que fosse Coragem, então eu imediatamente fiz uma grande aposta e agora vim tomar conta do meu investimento — dizia o médico ainda lhe apertando a barriga.

— Mas sabe Doutor, eu estou bem, é sério, algumas dores devem ser da época do pântano, eu lutava contra zumbis e répteis gigantes, aquilo pode ter deixado algumas seqüelas, nada de mais. — dizia Coragem tentando afastar as mãos do médico.

Então Dr. Guido com um gesto de mão muito rápido faz aparecer um bisturi na mão e o enfincou no chão do ringue.

— Errei…

Coragem fica paralisado de medo enquanto o médico continua a lhe apalpar a barriga.

— Mas isso não é possível…

— O que? — todos perguntam.

Mas subitamente todos no imenso ginásio sentem uma massa de energia horripilante se aproximando, a sensação era de um meteoro gigante vindo em suas direções. Sentiam tudo tremer, não um tremor físico, mas um tremor interno. Uma sensação de morte tomou conta de todo o ginásio, absolutamente todos sentiam que o fim estava próximo. Sentiam a própria morte a metros de distância.

Todos olham para a entrada do ginásio, absolutamente todos, centenas de monstros que antes se exercitavam, olhavam extremamente apreensivos para a porta, algo que fez o pior monstro daquele ginásio sentir seu estômago afundar.

— Todos aqui?! — disse Guido se levantando.

Quando entra um grupo de monstros, alguns de armaduras, outros com longos casacos, alguns bestiais, outros mais humanoides e outros com aparência humana, todos liderados por um gato de olhos vermelhos.

— Irae! — gritou Coragem cheio de emoção e até começou a chorar.

— Os doze generais do fronte Oeste… — disse Dr. Guido.

O restante dos monstros que antes se exercitavam, agora paravam para se ajoelhar para o grupo, normalmente se ajoelhariam por medo, mas especialmente hoje foi por respeito, aquele pequeno grupo tinha a força de milhares e milhares de monstros.

Além da força, tinham também grande astúcia e uma imensa habilidade de liderança, eram os generais escolhidos a dedo pelo conselho de Halloween para liderarem o mais importante flanco de Jóia Verde, pois este flanco era responsável pela proteção da retaguarda do flanco Norte e Sul. Sendo que a maior concentração de monstros de categorias A, A+ e mesmo alguns de categoria S estavam sobre a responsabilidade direta deste grupo de generais. Encontrar e reunir tão qualificados generais para liderar esta frente, era sem dúvidas um feito sem precedentes.

— Aconteceu algo Coragem? — perguntava Irae próximo do ringue olhando para cima.

— Não não, não aconteceu nada, está tudo bem Irae, eu só estava tomando um ar! — dizia o menino se levantando as pressas.

— Irae? — disse Doutor Guido.

— General Irae, caro Doutor Guido, General. — disse uma espécie de caveira com vários pregos negros atravessados por todo seu corpo.

— Sim, claro… General Sosso… — disse Doutor Guido.

— Queira me desculpar general Irae, meu subordinado carece de respeito, mais tarde lhe darei a devida lição por tamanha insubordinação… — dizia o esqueleto lançando um olhar que foi semelhante a uma serra cortando uma pessoa viva, que foi o suficiente para apavorar todos no ringue e os que estavam ao redor, menos Guido.

— Não é necessário general Sosso, tenho certeza que o Doutor Guido apenas queria ajudar o meu discípulo, não é mesmo? — perguntou Irae estreitando os olhos para Guido.

Dr. Guido sendo um dos mais importantes médicos de Halloween estava plenamente acostumado a lidar com monstros de todos os tipos, desde os mais fracos, aos mais poderosos, tirando os Lordes nada em Halloween lhe assustava, mas, aquele que chamavam de Irae, o nome usado pelo lendário destruidor, era diferente… Algo de enigmático envolvia aquele gato negro de olhos vermelhos, obviamente que o poder do gato negro era no mínimo um categoria A+, pois para andar no meio dos generais era exigido a qualificação de no mínimo A+.

— General Irae — Guido se ajoelha — Peço que me perdoe pela minha ignorância de não conhecer o senhor e por ser indelicado, peço que aceite o meu pedido de perdão e desde já me coloco a inteira disposição do seu discípulo para tratamento médico e o que mais estiver ao meu alcance…

Irae salta para dentro do ringue e se aproxima do grupo e olha para cima, enquanto Dr. Guido continuava ajoelhado.

— Encontrou alguma coisa no meu discípulo? — perguntou Irae novamente olhando nos olhos do médico da peste que estava ajoelhado na sua frente.

Muitos dos generais que vieram com Irae já o respeitavam e o admiravam, não apenas pelo seu estrondoso poder, mas sim pela sua infinita inteligência, sempre parecia que Irae tinha a solução para os seus problemas estratégicos e isso o fez ganhar muitos admiradores.

Mas mesmo assim, a pergunta que Irae havia feito para Dr. Guido acabou sendo assustador para todos, pois pela primeira vez, o mundo não parecia que ia acabar, nada explodiu, nada quebrou, ninguém desmaiou, sangue não pingava de nenhum orifício, pescoços não foram quebrados, ninguém pegou fogo, ninguém via imagens do inferno (até os generais de Halloween penavam com Irae) desta vez nada aconteceu e isto foi aterrorizante para todos, pois eles sabiam, que antes da calmaria sempre vem a tempestade.

Guido sabia que estar na presença de um general não era algo fácil, mas, misteriosamente, o médico não sentiu absolutamente nada, nada vinha de Irae, não sentia nada e foi justamente isto que o aterrorizou. Seu coração batia mais rápido que nunca e seu corpo começava a tremer de terror, pois ele sabia que quanto maior era o poder de um ser, maior é sua habilidade de a esconder e de Irae, nada vinha. Nada se sentia. Era como se não houvesse nada na sua frente, absolutamente nada.

— Pelo contrário senhor! — disse o médico se ajoelhando com os dois joelhos no chão e se curvando — Tenho que admitir que fiz uma aposta no seu discípulo, pois ele me impressionou com sua alquimia, por isso pensei que valeria a pena apostar nele e também prestar todo suporte com meus humildes conhecimentos médicos, então pensei em lhe dar isto — disse o médico tirando uma injeção alaranjada do casaco.

— Isso é o que eu penso que é? — perguntou Gíbi pegando um óculos e espiando por detrás de Zen.

— Isto general é um mutagênico inteligente — dizia Dr. Guido ainda ajoelhado para Irae.

— Oh, isso é algo bem difícil de se conseguir! — disse um grande monstro com capuz sobre o rosto que parecia levitar.

— Nada mal para um presente — disse um outro que parecia um espantalho macabro usando uma armadura de couro negra e muitos apetrechos.

Irae ergueu sua pata e tocou no mutagênico e depois tirou a pata.

— Realmente é um bom presente… Aceito o seu presente — disse Irae se virando e voltando para o grupo de monstros.

— Obrigado senhor.

— Ei, espera aí, o que essa coisa faz? E o que o senhor está fazendo aqui Irae? — perguntava Coragem ao lado de Dr. Guido.

E tendo seu braço puxado pelo médico que lhe aplica a injeção. E Coragem fecha os olhos para não gritar de dor, poucos segundos depois, sente seu corpo ficando cada vez melhor, as dores sumiam e sentia seu corpo ficando mais e mais forte.

— Pode explicar para nós senhor Gíbi? — disse Dr. Guido se levantando e analisando outros sinais vitais do menino.

E Gíbi se vira para Irae pedindo seu consentimento, que por sua vez confirma com um aceno de cabeça.

— Esta solução jovem Coragem é o que há de ponta em biotecnologia, esta vacina tem a propriedade de alterar o seu DNA de um jeito que tudo funcione da forma mais eficiente, em outras palavras, as poções vão funcionar melhor, seu corpo vai se regenerar cada vez mais rápido, seus reflexos vão ser melhores e mesmo seus pensamentos se tornarão mais concisos, em outras palavras tudo vai funcionar melhor em você, é um presente que poucos tem acesso…

— Obrigado Dr. Guido, vou me esforçar ao máximo para não te decepcionar — dizia o menino com sinceridade.

— Não há de que…

— Mas Irae o que o senhor veio fazer aqui?

— Os outros generais queriam ver o meu discípulo e viemos lhe apresentar o seu adversário vampiro — disse Irae olhando para trás.

E de trás do grupo surge um rapaz de aparência de 15 ou 16 anos, loiro com o cabelo penteados para trás, seu rosto faria os maiores modelos humanos se sentirem uma verruga em sua presença. Vestia roupas vitorianas com um elegante lenço no peito com uma pedra verde.

— Boa tarde Coragem, é um prazer conhecer o discípulo do grande General Irae, meu nome é Noah. — disse o rapaz fazendo uma grande reverência.

E respondeu rapidamente:

— Eu não gosto de você. — disse Coragem com o olhar sério.

A ouvir as palavras de Coragem todos ficaram surpresos, até mesmo Irae e um grande silêncio começou, ninguém esperava aquela resposta e por mais alguns segundos todos ficaram olhando Coragem fitando Noah com olhos perigosos. Então uma explosão de risadas acontece:

— Hahahahhahahahahha, esse com certeza é discípulo de Irae! Hahahahaha.

— Mas é a cara do Irae essa atitude hahahaha.

— Filho de peixe, peixinho é!

— Tsc… — disse Irae.

Coragem que normalmente ficaria corado de vergonha, não tirava os olhos do vampiro, por algum motivo ele o detestava, com todas as suas forças o detestava. Absolutamente tudo naquele jovem o irritava. Nem mesmo as vezes que quase foi assassinado por sedentos guerreiros foi suficiente para o fazer sentir tamanha raiva de um ser. Coragem detestava Noah.

— Espero que façamos uma boa luta, desejo a você boa sorte — disse o rapaz sorrindo um pouco constrangido e surpreso pela declaração de Coragem.

— Eu vou quebrar você no meio — dizia Coragem apontando o dedo para Noah e estreitando os olhos.

E mais risadas e piadas explodiram pelo recinto. E Irae até tinha erguido as sobrancelhas de espanto.

— General Irae, espero que o seu discípulo seja tão cheio de surpresas quanto o senhor é — disse uma criatura que usava um manto negro com capuz pontudo e símbolos brancos por toda a roupa.

— É general Irae, saindo daqui vou apostar uma boa grana no seu discípulo — disse general Sosso.

Quando uma criatura de aparência humana, mas com a pele tão branca quanto papel, orelhas pontudas, maquiagem negra abaixo dos olhos e nos lábios. Vestida com uma armadura negra moderadamente curvilínea mas totalmente fechada e capa longa. Dá um passo a frente do grupo.

— Com todo o respeito general Irae… O nosso Noah é um dos sucessores e herdeiro do clã Dragão Vermelho, educado na melhor escola militar do norte, conseguiu a patente de capitão com apenas 14 anos e com dezenas de missões em campo, até mesmo algumas aqui em Jóia Verde, especialista em técnicas mentais e um grande artista marcial, sobreviveu a Floresta dos Desencantos e a Montanha do Desalento, já ganhou até variados prêmios e títulos nos pentagramas e nos triângulos, é praticamente um categoria B. Por que o senhor acha o seu discípulo vai vencer? — disse a bela mulher.

Irae olhava com curiosidade para Coragem enquanto ouvia a mulher, Coragem continuava a encarar Noah e Noah por sua vez o ignorava, acompanhava as palavras da mulher com um sorriso discreto e arrogante.

— Estimada general Isabel, a resposta é muito simples, por que se não, eu quebro a cara dele — disse Irae se virando e seguindo em direção da porta.

Então, praticamente todos passaram a rir e conversando e rindo foram se afastando do ringue em direção a saída do ginásio.

— Te vejo no ringue… Coragem… — disse o vampiro sorrindo e indo embora.

Coragem estava vermelho de tanta raiva com o sorriso irônico do vampiro, foi até sua mochila que estava no canto do ringue e tomou outra poção e enfiou na boca várias barras de cereais e engoliu tudo com quase dois litros de água e voltou para o ringue.

—Zen! Me arranje mais lutadores!


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