Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 56

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Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 55
Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 56-A

 

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap.56

Compras

— Aí está você! — disse Zen entrando no laboratório de alquimia (dentro da tenda médica)

Coragem não se moveu um centímetro, continuou compenetrado com sua poção, com uma mão colocava energia na fórmula e com a outra controlava a temperatura do fogo.

— Pronto acabei! Faltam só três!

— O que está fazendo aqui?

— Fui promovido! — dizia o menino mexendo em alguns potes.

— Você sabe alquimia?

— Por que você acha que eu estava tão confiante para a luta?

— Seu tutor/pai/mestre, seja lá que ele for seu, é um general!

— Da onde você tirou que o Irae é uma alma caridosa? — dizia Coragem se virando para Zen e cruzando os braços.

— Irae Irae Irae, pare de falar esse nome trás azar! É óbvio que ele é mais um super demônio ou coisa parecida que está usando o nome do lendário destruidor.

— Pense o que quiser, agora se sente e fique quieto, me falta acabar essas poções, para estar livre.

— Seu trabalho agora é fazer três poções por dia?

— 10, faltam sete — dizia o menino olhando em um microscópio.

— Você fez três poções de cura grau 2 até agora?

— Cura grau 1

— Ah… Mesmo assim é incrível — dizia Zen se sentando.

— Mas essas substâncias e essas fórmulas são muito mal aproveitadas, os alquimistas que criaram essas fórmulas podiam ter feito muito mais com essas substâncias, quando eu estava no pântano não havia tantas soluções tão ricas em energia, tão reativas, ou mesmo tantas com potencial energético secreto.

— Potencial energético secreto?

— É que existem algumas substâncias que tem muita energia secreta ou mesmo uma especialidade secreta, mas elas só se revelam em determinadas condições, para isso é preciso ter muita atenção e analisar com muito cuidado as substâncias.

— Não entendi nada, você é um nerd ok… Mas se você é discípulo de um dos generais e ainda um alquimista a vida vai ficar mais fácil!

— Como assim? — dizia Coragem já imaginando o pior.

— Digamos que eu sei como matar vários coelhos de uma só vez…

***

— Então tem mercadores até aqui? — dizia Coragem olhando para cima.

— Óbvio que sim, onde há guerra há dinheiro!

Os dois estavam em frente a uma imensa tenda bem no começo acampamento, ao lado da área dos portais. Dentro da tenda havia centenas de monstros comprando e negociando os espólios da batalha.

Dentro havia centenas e mais centenas de pequenas barracas, onde todo tipo de coisas eram vendidas como: Bebidas, roupas, comidas, eletrônicos, armas, armaduras, animais estranhos e etc e etc.

—Vamos, lá no fundo tem um amigo que nos dará um bom desconto — disse Zen entrando no meio da multidão.

No fundo da loja havia uma pequena barraca, dentro parecia haver de tudo um pouco e se caso o vendedor esbarrasse em qualquer coisa ali dentro tudo cairia.

O vendedor era uma criatura baixa, gorda e de pele azul escura, um nariz longo e cumprido e logo abaixo um bigode. Seu cabelo era negro e lambido para trás. Suas sobrancelhas eram grossas e ásperas, e seus dentes encavalados e amarelados. Vestia uma elegante roupa do estilo vitoriano (roupa padrão dos monstros) mas manchada com algo amarelado nas partes brancas.

— Zen! — disse o vendedor abrindo os braços e ao mesmo tempo se virando e tentando fugir, mas o pitbull é mais rápido e o segura pela nuca.

— Aonde vai Gíbi?

— Me solte Zen! Muitos agiotas vieram receber suas dívidas comigo!

— E você os pagou?

— Depois de muitas lágrimas eu os consegui convencer que eu também era uma vitima sua! E é por isso que você precisa ficar longe de mim! — disse a criatura fazendo uma careta.

— É isso que acontece quando você me vende uma falsa pedra da sorte.

— Achei que o efeito mágico funcionaria com você!

— Não importa mais, você me ferrou, eu te ferrei, todos fomos ferrados, agora eu tenho um bom negócio para te apresentar e nós voltarmos a amizade dos velhos tempos! — disse Zen arrumando as roupas de Gíbi e o soltando.

— O último bom negócio que você me apresentou! — disse Gíbi se aproximando dos dois e sussurrando — Nas partes íntimas da moça haviam dentes que por muito pouco quase me deixam eunuco!

— Ah não! Além do telefone da moça eu também mandei aquela poção que torna a coisa dura como aço como pedido de desculpas! — dizia Zen aparentemente indignado.

— LITERALMENTE AÇO! — gritou Gíbi de azul passando a ficar roxo.

— Cara, você é muito rancoroso… — dizia Zen se apoiando no balcão.

— Diga o que você quer de uma vez!

Então Zen puxa Coragem para o lado e aponta para os dedos indicadores para ele.

— Este aqui é Coragem meu protegido, aprendiz de um dos generais e alquimista! Ele precisa de você e eu também!

Gíbi levantou a sobrancelha direita e ficou coçando o próprio queixo enquanto observava Coragem.

— Com todo respeito Sr. Coragem, não me lembro ter visto um cliente com natureza semelhante a sua antes…

— Há… Sempre ouço isso…

— Mas o que posso fazer por um aprendiz de um general de Halloween? — disse Gíbi fazendo uma pequena reverência.

— Para começar, nós queremos um bracelete de atlas, este pequeno tem uma luta para vencer.

— Hmmmmmm, isto é um método um pouco bárbaro de treinamento, se não houver as técnicas de meditação corretas ou muitas poções, pode ser que ele se machuque seriamente… — dizia a criatura levantando o buço e mostrando os dentes.

— Aí entra o bom negócio!

— Que seria? — disse Gíbi estreitando os olhos.

— Você vai ser um dos patrocinadores do Coragem! — disse Zen levantando um copo de bebida que acabara de pegar embaixo do balcão.

— Um dos? Quem mais vai entrar nisso? Você tem dívidas até a próxima vida…

— Oras, você tem a honra de ser o primeiro! Mas é claro que você vai espalhar a notícia e encontrar pessoas dispostas a ganhar dinheiro honesto! — disse Zen sorrindo.

Gíbi parou um instante e pegou do seu casaco um pequeno caderninho e passou a passar os dedos nas páginas rapidamente.

— Espero que eu não ofenda o senhor. Mas… Qual seria o rank que o senhor já atingiu?

— C+, acho… Mas sei que em breve serei um B.

— C+… E ainda um dos discípulos de um dos generais… Isso pode render uma soma considerável… Mas quem seria o outro lutador?

— Só sei que ele é também é ligado a um dos outros generais… E que estava buscando uma luta faz tempo mas ninguém aceitou o desafio com medo do seu mestre, no caso um dos generais.

— E quem seria o seu mestre Coragem?

— Irae?

— Irae?! O general Irae é o seu mestre?! — disse Gíbi pondo as mãos na cabeça.

— O que tem de mais? — perguntou Zen.

— Ouvi algumas fofocas que o nosso novo general Irae em menos de cinco minutos resolveu vários cenários na sala de guerra, está sendo muito elogiado por vários outros generais, inclusive o próprio Marechal Dellmonte!

— Isso é um sim? — perguntou Zen.

— Claro que é! Quem não arrisca não petisca! — disse Gíbi esticando uma mão para Coragem e outra para Zen e todos fechando negócio.

— Agora aos negócios! — disse Gíbi pulando de felicidade e entrando no meio das caixas de mercadoria e outras coisas dentro de sua pequena barraca, passando a jogar as coisas de um lado para o outro e por milagre ou magia as pilhas de mercadoria não caiam por mais que trombasse nelas ou esbarrasse.

— Achei!

E Gíbi, coloca uma pequena caixa de madeira no balcão e abre, dentro haviam duas pulseiras de cor cinza, semelhante a zinco, grossas e bem rústicas.

— Um artefato, raro e de difícil aquisição… Um bracelete de Atlas…

— O que ele faz? — dizia o menino pondo as mãos sobre o bracelete e sentindo um poder grande vindo dele e até viu a imagem de um ser muito grande segurando algo.

— Este bracelete meu caro senhor pequenino, contem um ínfimo fragmento do bracelete original que uma gigantesca criatura que usava um bracelete semelhante a este e que tinha a maldição de carregar o próprio mundo na costa…

— Essa história não me é estranha… Mas como conseguiram isso?

— Deixem de conversa fiada e coloque isso logo! — disse Zen pegando o bracelete e colocando nos pulsos de Coragem.

Imediatamente o menino sente um peso enorme, não apenas nos seus braços mas em todo o seu corpo.

— O que é isso?!

— Se chama força interna! — disse Zen sorrindo (era pavoroso para Coragem ver um pitbull humanoide sorrindo).

— Tá, mas, o que é isso?

— Deixe me explicar jovem mestre… Existem dois métodos de usar a energia do espiiiiriiittuuuu — na última palavra Gíbi teve um forte arrepio — Então como estava dizendo… Existem duas… A interna e a externa, há externa é excelente para seres que gostam de força bruta…

— A externa é aquela coisa que você pratica de manhã que faz sua aura expandir.

— Há, então o jovem mestre já conhece?

— Não sei, alguns goblins me espancaram até eu aprender por imitação… — dizia o menino tentando dar um passo mas não conseguindo.

— Além de tudo sobreviveu a uma iniciação de poder… Vejo que Zen não estava mentindo quando disse que era um bom negócio… Mas continuando… Tanto a força externa quanto a força interna trazem muitos benefícios se treinados corretamente, este bracelete força o espírito do usuário a concentrar sua energia, não mais jogar por toda parte descontroladamente, mas sim manifestar dentro do próprio corpo de forma canalizada… Poderia dar exemplo Zen?

Zen que estava apoiado no balcão, lentamente ficou ereto e alongou os braços e respirou profundamente enquanto se alongava.

— Ei você aí o grandão, pode me fazer um favor? — disse Zen para uma criatura grande e gorda com cara de porco, quase o dobro de Zen, vestia apenas alguns trapos em suas partes íntimas e segurava uma clava enorme cheia de espinhos.

— O que é cachorrinho? — disse o porco se inclinando para baixo.

“Ponwwww!!!”

Um rápido e direto soco fora desferido tão rapidamente que chegou a ser invisível aos olhos de Coragem. Havia acertado a boca do estômago do gigante que o faz cair de joelhos sem ar e depois cair no chão sem consciência. O golpe tinha sido tão rápido que pareceu que Zen tinha apenas olhado para cima e depois se virado e apoiado no balcão.

— Viu só? E eu julgo que esse nobre cavalheiro porco devia ser um categoria B.

— Qual categoria você está Zen? — perguntava Coragem com os olhos arregalados.

— Talvez B+ ou B, mas é muito provável que eu seja um D, ao certo eu não sei, mas com a arma correta você pode matar qualquer coisa, rank é uma besteira…

— Bom… O que eu pedi para Zen lhe mostrar é que: Com a utilização das técnicas corretas é possível vencer até um inimigo de uma categoria maior facilmente… Zen já foi um grande mestre de artes marciais sabia? — dizia Gíbi sorrindo e Zen lhe olhando atravessado.

— Era? Virou soldado e parou de lutar?

— Mulheres… Apostas… E etc… — disse Zen se esticando e pegando uma garrafa de whisky atrás do balcão.

— Lutava o que?

— Principalmente Jiu-jitsu.

— Gil o que?

— Gíbi, precisamos também de cristais de conhecimento em artes marciais.

— Mas é claro! — disse Gíbi se enfiando na bagunça de sua loja.

— Vil o que?

— J.I.U – J.I.T.S.U.

— O que é isso?

— Já vai saber.

— Esse bracelete é muito pesado e dá um cansaço diferente! Não sei se vou sobreviver! — dizia o menino tentando dar saltinhos e ficando sem fôlego.

— Você só precisa se acostumar, logo logo não vai sentir mais este peso, este bracelete desenvolve principalmente a força e a resistência, quando o seu corpo e o seu espírito se desenvolverem, mesmo que 1%, então ele aumentará o “peso” em mais 1%, este bracelete sempre será um desafio… Por isso, você vai precisar focar principalmente no repouso, na alimentação, nas técnicas de meditação e muitas poções para você se auto reparar mais rapidamente.

— E você vai querer que eu treine usando isso?!

— Fica tranqüilo logo logo sua mente vai se acostumar a conviver com essa sensação de peso e quando se dar conta terá a força de um Orc!

Gíbi volta carregando um baú de madeira com um cadeado dourado e o coloca no balcão, então passa a dizer palavras estranhas e como mágica o cadeado salta aberto e caí no lado. Dentro havia muitos pequenos cristais de vários tamanhos e formatos diferentes.

— Sempre tive fé que você voltaria para o ringue e nós voltaríamos a ganhar dinheiro… Passei a colecionar todo tipo de cristal de combate e alguns até raros… — disse Gíbi levantando alguns cristais na direção da luz.

— Aqui pequenino, mas antes, tem alguma familiaridade com cristais de conhecimento?

Disse Gíbi pegando uma garrafa de vidro transparente debaixo do balcão e dois copos e servindo um copo para si e outro para Coragem, a garrafa continha um líquido cor de pêssego.

— Sim, eu pratico com dois cristais, um com conhecimentos de dois guerreiros sanguinários e outro com algo que eu não entendo muito bem…

— Tome tome, essa é uma bebida fermentada é muito boa para o corpo — dizia Gíbi colocando o copo com a bebida bem na frente do menino — Sabe como os cristais são feitos?

— Gíbi por favor! Preciso colocar ele para treinar!

— Em pequenino? — disse Gíbi se apoiando no balcão e colocando o dedo na frente da boca de Zen.

— Não… — disse Coragem tomando a bebida — Há, é Yakult!

— Existem muitas empresas que fabricam os cristais, essas empresas, com máquinas muito caras ou com grandes feiticeiros, retiram ou fazem uma cópia do conhecimento de certo individuo, então com uma equipe multidisciplinar e ainda com a ajuda de muitos “Cérebros–bôs”, pegam esse conhecimento e o tratam, e o estruturam para a norma: “Para todos”, esta norma regulamenta diretrizes operacionais de como os conhecimentos devem ser estruturados…

— Estruturados? — cortou Coragem.

— Sim, jovem mestre, o conhecimento é encadeado de uma forma lógica e clara para que qualquer cérebro possa o receber, para que esse cérebro consiga interpretá- lo e adaptá- lo aos seus conhecimentos pregressos, ou mesmo que o usuário não tenha esses conhecimentos, ainda sim adquira esses conhecimentos e aprenda o conteúdo do cristal — dizia Gíbi fazendo careta e balançando os dedos de forma estranha.

— Por isso é que são divididas em categorias! — disse Coragem.

— Sim! Deste modo, se colocarmos em você um cristal de nível 4 ou 3 seja lá do que for e você não tiver os cristais anteriores, provavelmente não vai fazer muito sentido, pois você não tem os elementos necessários para entender!

— É o mesmo que aprender palavras sem ter aprendido o alfabeto — disse Zen.

— Isso

— Então é por isso que eu demoro tanto para entender o conteúdo dos cristais…

— Mas isso vai mudar, quantos mais cristais você absorver, mais elementos seu cérebro terá e mais e mais conhecimentos você será capaz de aprender.

— Zen quantas artes marciais você aprendeu? — perguntou Coragem.

— Acho que 15 ou 16.

— Uau…

— Mas chega de conversa, me veja esse, esse e esse para começarmos — dizia Zen pegando alguns cristais do baú.

Então Zen e Gíbi começaram uma discussão de quais cristais Coragem deveria ou não usar, o menino passou a olhar cada um dos cristais coloridos, cada um deles havia uma etiqueta com um nome, no fundo do baú havia um cristal transparente, era o único sem cor.

— O que é esse? — disse Coragem entrando no meio da conversa.

— Vamos ver… — disse Gíbi pegando delicadamente o cristal com seus longos dedos e colocando na luz para ver melhor.

— Pelo que me parece e pelo que me lembro, comprei de um mendigo, que me garantiu que era de um mestre chamado… — dizia o Gíbi agora pegando um óculos — Drakar.

Gíbi entregou o cristal de volta e Coragem ficou observando o cristal.

— Se gostou dele pode levar, este cristal aparentemente não é deste mundo, eu o testei em mim mesmo e tentei usar em um outro grande mestre de artes marciais e nenhum de nós dois fomos capazes de entender… Quem sabe… Você seja…

Coragem fechou os olhos e se concentrou no cristal e viu uma criatura humanóide de rabo e chifre lembrava um dragão vermelho com grandes asas.

Praticava lentos e suaves movimentos, em total silêncio e concentração. Cada passo, cada deslize, cada recuo, era perfeito e pleno. Cada movimento continha o absoluto.

Mesmo tendo uma aparência bestial, o seu espírito era de “algo” além da compressão, lembrava o poder de Irae e a gentileza de Mariane, só que os dois ao mesmo tempo e nenhum dos dois. Apenas de observar o guerreiro praticar, Coragem sentia— se em total plenitude, sentia— se em paz.

Quando voltou a si haviam lágrimas escorrendo de seus olhos.

— O que foi Coragem? — perguntava Zen dando tapinhas no rosto do menino.

— Você viu algo?! Você viu algo?! — perguntava Gíbi pegando o copo de Zen e o bebendo rapidamente.

— Me deixe tentar novamente — disse Coragem emocionado.

E viu novamente o mestre Drakar meditando serenamente de baixo de uma árvore no alto de uma montanha, pequenos animais vinham e se sentavam ao seu redor, beija— flores e borboletas voavam sobre sua cabeça.

Parecia que o tempo tinha parado, o mestre Dragão meditava em total harmonia com o todo. Sua respiração era uma suave brisa, não havia mais mestre Drakar, pois Drakar e o universo eram um só, uma emanação do absoluto, sem identidades, apenas quem ele realmente era…


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