Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 47

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Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 46

 

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap. 47

Motivos.

Após Coragem ficar quase duas horas no banho tentando se desencardir vestiu suas novas roupas, que eram bem simples, uma camisa social branca, calça, cueca, um par de meias, um par de sapatos sociais, um colete e um casaco.

Depois de vestido, Mariane passou quase 20 minutos o abraçando e apertando suas bochechas. Depois começou a cortar seus cabelos.

O menino estava no meio da sala sentado em uma cadeira e um lençol branco o envolvia. E com uma tesoura Mariane cortava seu cabelo e cantarolava uma música alegremente, Coragem não conhecia a musica, mas era muito agradável e ainda na voz doce e suave, a música ficava ainda mais bela.

Mariane ia para lá e depois para cá, vendo como tinha ficado o corte e depois indo e vindo dando mais alguns “piques” aqui e ali. Se fosse ele próprio cortando seu cabelo como já tinha feito no passado, teria feito um chumaço com seu cabelo e simplesmente passado a faca. Mas ter o cabelo cortado por alguém era algo novo para Coragem, se sentia muito bem, talvez fosse a solidão que sentia, talvez fosse a personalidade maravilhosa que Mariane tinha, ou mesmo fosse o simples “tocar” que ele sentia em seus cabelos e couro cabeludo, ou mesmo tudo aquilo fosse uma recompensa do universo, pelos anos que passou lutando contra tudo e todos no pântano e se aquilo era mesmo uma recompensa, era para ele a maior de todas as recompensas e não trocaria aqueles breves minutos por nada. E Mariane ficou mais de uma hora mexendo em seus cabelos e para ele aquilo era o céu.

— Porque a senhora ficou mais jovem?

A bela mulher fez uma pausa, sorriu afetuosamente e só depois de alguns instantes olhando-o carinhosamente falou:

— Bem… Digamos que para eu colocar o Iraizinho na garrafa, eu tive que sacrificar algo — respondeu Mariane dando uma leve corada.

— A senhora não aprisionou Irae por ele ser mau não é?

E como resposta Mariane apenas sorriu.

— Há, entendi… — disse o menino sorrindo de alegria.

— Pronto! Se veja no espelho seu fofo! — dizia Tia Mari pegando um espelho e mostrando para Coragem como tinha ficado.

Agora o seu cabelo estava todo arrepiado e até era um pouco estranho, mas Coragem achou que era muito mais prático do que ter aquele mundo de cabelo, até se sentia mais leve.

— As meninas vão te adorar! — dizia Tia Mari abraçando o menino, quando como mágica a porta se abre “sozinha”.

— Voltei! — dizia Irae entrando e subindo encima do sofá e a porta se fechando sozinha.

— O que achou Iraizinho? — disse tia Mari virando a cadeira com Coragem para Irae.

O gato de olhos vermelhos apenas passou os olhos no menino e só.

— A minha conversa com o comandante desta base até que foi útil, Coragem e eu vamos para a principal frente de Jóia Verde, lá, eu concluirei o treinamento dele.

— Que mal educado… Mas o que você vai ficar fazendo nessa guerra? — disse Mariane com os olhos cerrados.

— Vou motivar os soldados e prestar consultoria para os outros generais.

Mariane apenas erguia suas sobrancelhas e cruzava os braços em total descrença.

— Eu prometo ficar longe dos campos de batalha…

— Acho bom.

— Mas e o ritual da Vampira?! E os outros goblins? — perguntava Coragem.

— Nós vamos concluir seu treinamento e depois iremos negociar — respondeu Irae calmamente.

— Negociar?

— Faça o favor Mariane, estou com ele a três anos, já não agüento mais tantas perguntas… — dizia Irae lhe lançando um olhar feio.

— Eu e Irae conversamos um pouco e pensamos que o melhor no seu caso seria negociar.

— Não entendi… E quando conversaram? — perguntou o menino confuso.

— Deixe-a falar… — disse Irae e Coragem ficou mudo.

— Aqui em Halloween, a habilidade de “Deslocação multidimensional” é uma coisa extremamente valiosa e os clãs brigam para ter um membro ou quem sabe mais de um membro com essa habilidade, deste modo, caso você venha a ter essa habilidade, pode ser que nós consigamos negociar com alguém, seja o clã dos mercadores, seja com algum dos Lordes, ou mesmo um contrato com Sdom.

— Mas para isso a princesa vampira não vai ter que morrer? E ainda não tem o problema de eu ser compatível com a habilidade de dimensional? E nós vamos chegar lá no meio do ritual e roubar tudo enfrentando tudo e a todos? — dizia o menino já começando a soar frio.

— Você ira começar um treinamento chamado “Rico Vazio”, com esse treinamento você aumentará as chances de aprender a deslocação multidimensional — disse Irae balançando o rabo um pouco mais rápido.

— Mas e a vampira?! — perguntou o menino se levantando.

— Já lhe disse uma vez, quem é mais pode mais, quem é menos pode menos. E você é menos, muito menos.Você é um mero cisco que não vale um piscar de olhos para o cosmos, se está insatisfeito com algo trabalhe e mude a situação, deixe de reclamar e esperar que os outros vão resolver seus problemas, comece a andar com suas próprias pernas.

Coragem se calou e corou de vergonha, sentia-se totalmente envergonhado, até sentia um pouco de raiva de Irae.

— Querido, entendo suas aflições e são justas, mas, vou te dizer uma frase que num um sonho um dia me disseram: “Infinitas possibilidades”.

— Não entendo — dizia o menino ainda olhando torto para Irae que lhe ignorava.

— Então vou te dizer uma outra coisa que você também terá que me prometer que irá refletir e meditar, até um dia entender ok?

— Ok…

— “Assim é” — disse a mulher de olhos azuis tocando seu coração.

— Eu realmente… Não entendo…

— Mas um dia e inevitavelmente entendera — disse a gentil mulher sorrindo.

Mariane era doce, calma e afetuosa, não se alterava com nada, sempre falava sorrindo e com docilidade, a aura que envolvia Mariane fazia Coragem ficar nas nuvens, e ao mesmo tempo alegre e motivado, o garoto sentia a mesma alegria de um cachorro quanto está ao lado de seu dono, estar ao lado de Mariane fazia-o inexplicavelmente ficar muito feliz, mesmo com as broncas de Irae.

“toc-toc”

Alguém batia na porta.

— Entre — disse Irae.

— Senhor, aconteceu um imprevisto na dimensão de Jóia Verde e o senhor é requisitado no conselho de guerra — disse Zen em posição de continência.

Irae salta para o lado de Zen e olha para Coragem.

— Um dia eu te perguntei “O que você quer fazer?” e o que você me respondeu?

O menino que estava entorpecido com Mariane, mas ao ouvir a voz de Irae fez seu mau humor voltar.

— Disse que sentia que devia ajudar meus amigos — disse o menino a contragosto.

— E o que mais você queria fazer e por quê?

O menino ficou em silêncio por alguns segundos, mas não por que não se lembrava, mas sim, pelo ressentimento das palavras de Irae, mas o pior de tudo, era que as palavras eram verdadeiras e quase sempre a verdade dói, ainda mais quando Irae dizia…

— Disse que sentia que devia ajudar meus amigos, salvar vampira e encontrar a Alice…

— E depois de muito choramingo eu te prometi duas coisas e quais foram?

— Sofrimento e trabalho.

— Sofrimento e MUITO trabalho, foi você que escolheu esse caminho, não eu, você escolheu, eu queria te tirar de desse caminho, mas você me enfrentou várias vezes insistindo nesse caminho e agora? Vai amarelar ou vai enfrentar os moinhos de vento com a esperança tola que um dia, o mau acabe?

Coragem ficou ainda mais chateado que aquele sermão era dado na frente de todos, não se recusava a lutar, não tinha negado a luta em momento algum, mas Irae insistia em lhe dar duros sermões sem que ele próprio achasse necessário.

Então olhou para Mariane e depois para Zen, como quem não entende e os dois sorriram discretamente.

— Há… Entendi… — então Coragem com um nó na garganta, faz uma pequena reverencia a Irae, pois havia compreendido a gigantesca bondade e sabedoria do seu mestre.

Irae se vira e lidera todos para a missão.


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