Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 45

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Noite de Halloween, A preciosidade da lótus: Capítulo 44
Noite de Halloween, O árduo caminho da Coragem: Capítulo 46

“Caros leitores, eis que entra o terceiro arco, espero que gostem tanto quanto eu gosto! Abraços!”

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap.45

Selos de poder.

—Háhhhhh!!!! — gritava Coragem caindo no chão da plataforma.

— Voltei?

— Precisa de apoio médico? — dizia um soldado de elmo e mascara de gás com uma grande metralhadora.

Coragem olhou ao redor confuso e por um alguns segundos ficou em silêncio se vendo ali.

— Não obrigado… — respondeu o menino se sentando no chão e olhando ao redor pensativo.

O menino ainda estava processando tudo o que tinha acontecido, eram tantos acontecimentos bizarros e alguns tão tristes que precisava parar um pouco.

Depois de alguns minutos Coragem se levantou e seguiu até o elevador.

— Até que você foi corajoso hoje — disse Irae.

— Acho que foi de ficar tocando naquela raiz vermelha… Normalmente eu não faria tudo aquilo… Pelo menos, não daquele jeito…

Dentro do elevador subiu até o térreo, conforme caminhava em direção do balcão para entregar as flores roxas que estavam em seu bornal, vê uma simpática velhinha com roupas de crochê da cor azul, com simpático um chapéu também azul. Sentada em um banco, balançava as pernas anciosamente parecendo procurar algo.

— Tia Mariane?

— Coragem! — gritou a velhinha sorrindo como o sol.

A velhinha se levantou e veio caminhando em direção do menino e lhe deu o que mais precisava no momento e não sabia, um abraço. Um longo e apertado abraço.

— Menino! Você cresceu tanto! E até deu uma engordadinha! Está tão bonito! — dizia a velhinha enquanto abraçava o menino o fazendo ficar sem ar.

— O Irae cuidou bem de você? — perguntava tia Mariane aflita e revisando seus ouvidos, unhas, língua, olhos e cabelo.

— Bom… De alguma forma, eu sobrevivi… De alguma forma… — respondia enquanto pensava em tudo o que passara.

—Iraizinho! Não te pedi algo? — dizia Mariane olhando para a garrafa pendurada na cintura do menino.

— Ele está vivo não está?

Mariane olhou para Irae um pouco zangada, mas ao mesmo tempo aliviada de ver os dois são e salvos.

— Depois nós dois discutimos… — dizia lhe olhando pelo canto dos olhos — Não temos tempo a perder.

Dizia Tia Mariane puxando Coragem com Irae para um canto do salão onde era menos movimentado.

— Ainda bem que você o tirou daqui Iraizinho, tanto o conselho goblin quanto o Alfa Lorde colocaram centenas de clarividentes e caçadores de recompensa atrás dele e dos demais! Precisamos que ele ainda continue escondido, até eu descobrir de qual mundo humano ele veio e depois o mandar de volta!

Coragem ficou em silêncio olhando para Tia Mariane, queria lhe dizer que ele próprio tinha decidido ficar e lutar, mas não tinha coragem para dizer, por isso ficou em silêncio. Desamarrou a garrafa de sua cintura e colocou sobre o balcão.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Mariane inclinando a cabeça para o lado.

— Mariane, você tem uma pedra de medição elemental? — perguntou Irae.

— Aí, lá vai você com suas idéias de outro mundo! Nós precisamos salvar o menino, não temos tempo para isso!

— Dá para a senhora confiar em mim?

Mariane ficou alguns segundos em silêncio e confusa, mas logo respondeu:

—Acho que tenho… Mas não entendo… — resmungava Tia Mariane enquanto mexia dentro de sua enorme bolsa.

— Aqui… Mas é um cristal de medição padrão… — disse Tia Mari segurando um cristal em formato de ovo de cor de cristal.

— Isso já vai nos dar um norte — disse Irae. — Moleque, pegue esse cristal e coloque um pouco de energia nele.

Coragem olhou para o cristal e depois olhou para Tia Mariane como se pedisse a aprovação dela.

— Ei? Por que está olhando para ela? Quem manda aqui ainda sou eu!

— Não vai acontecer nada de perigoso querido, é seguro — dizia Mariane com um olhar carinhoso.

Coragem resolveu obedecer e segurando o cristal se concentrou colocando um pouco de energia.

O cristal que lembrava uma pedra qualquer, era incolor, mas com a energia de Coragem, brilhou levemente e depois continuou do mesmo jeito. Tia Mariane e Irae ficaram em silêncio com um olhar perplexo. (mesmo Irae não tendo olhos)

— Eu quebrei o cristal?! — perguntava o menino olhando para os dois que ainda não tinham tirado os olhos do cristal.

— Iraizinho… Vazio? Não que não seja tão raro… Mas… Será que o cristal está quebrado? — dizia Mariane dando tapinhas no cristal.

— Acho que é isso mesmo Mariane.

Coragem estava com os olhos arregalados pensando o pior, quando Mariane lhe explica:

— Querido deixa eu te explicar, este cristal de medição básico mede o elemento predominante da pessoa, quem é fogo fica vermelho, água azul-esverdeado, ar azul e terra amarelo. Mas, este é um tipo de medição bem básica… — dizia Mariane e agora dando uma cutucada na garrafa. — Existem infinitas combinações e variações dos elementos, mas… Quem sabe você seja do tipo vazio mesmo… Não que não haja outros…

— Há… Mas eu não ligo para isso, Irae me disse milhões de vezes que eu não sirvo para nada e que sou um sem talento para magia, mas eu já superei isso, meu sonho agora é ser um grande alquimista e ser muito rico!

E por um segundo a luz do salão falha e Coragem e todos os outros sente uma coisa, similar a algo gigantesco que passa por cima de sua cabeça, mas ao olhar para cima, já não tem mais nada, foi tão rápido que só ficou um “Am?” no ar.

— Não ligue para esse velho rabugento querido, nós que tivemos o privilégio de ter nascido, somos seres infinitamente mais abençoados e capazes do que alguns outros… No fundo é só inveja… — dizia Mariane fazendo cafuné no menino e uma pesada energia estava sobre Irae.

— Tá bom, já entendi o recado, podemos voltar ao assunto? Ou tem mais alguma indireta cósmica?

“Rum!” fez Mariane virando a cara para Irae…

— Você me coloca em cada uma em moleque… — disse Irae e Coragem correu para trás de Mariane.

— Como estava dizendo… Se ele for mesmo do tipo vazio, podemos salvar a vida dele.

— E vamos! Eu vou mandar ele para um mundo além dos tentáculos de Halloween e lá…

— Mari… — Interrompeu Irar — Depois de tudo que já aconteceu você sabe que ele nunca estará completamente seguro não é?

Tia Mariane que era uma velhinha muito simpática suspirou profundamente e depois disse:

— Sim…

— Mas e ele? — perguntou Mariane novamente.

— Você sabe que só existe um só ser que pode protegê-lo de verdade.

E um silêncio entre Irae e Mariane começou, os dois se olhavam e de alguma forma misteriosa, uma conexão se formou, uma conexão feita através dos olhares, uma conversa silenciosa, que dizia muito através do silêncio.

— Vocês dois podem parar de falar como se eu não estivesse aqui, por favor?!

— Cale-se criança humana! — disse Irae com fazendo várias lâmpadas estourarem.

Tia Mariane por sua vez arregalou os olhos e ficou olhando para Irae com cara de espanto.

— Ó meu Deus, talvez tivesse sido melhor eu ter arriscado e ter levado você comigo Coragem, só de imaginar os maus tratos que ele te fez passar, me dá um sentimento de culpa gigantesco… — dizia Mariane mexendo na própria bolsa.

— Tsc…

— Tome querido, coma essa barra de chocolate você merece um prêmio por agüentar esse velho rabugento — dizia Mariane lhe dando uma grande barra e ao ver o doce, Coragem quase chorou de emoção.

— Querido, o que estamos tratando aqui é seu futuro e ao contrário do que alguns aqui pensam, você tem total direito de escolher. — dizia Tia Mariane desembrulhando duas balas.

Nesse intervalo de desembrulhar as balas Coragem já tinha comido a metade da barra sem nem sentir o gosto, além da fome o chocolate era a melhor coisa que tinha colocado na boca em anos!

— O que está acontecendo aqui, é, se te mandarmos para um mundo humano, provavelmente o Alfa Lorde ou o conselho goblin te encontrará, talvez leve 1 ano ou 10 anos mas eles vão te encontrar e depois só Deus sabe! — dizia Mariane colocando uma bala na boca e outra sobre o balcão na frente da garrafa.

— A outra possibilidade que estamos tratando, que eu também não gosto… É aumentar os seus poderes até você subir alguns degraus e deixar de ser humano… O que não vai ser nada fácil… E aqui está terceira parte que eu gostei menos ainda, passar para você o dom da “Viagem multidimensional”.

— E a senhorita tem alguma outra idéia?

— Não, não tenho, mas você cria esses planos loucos e nem sabe como vai executar.

— É claro que eu sei, fiquei 3 anos pensando sobre isso!

— Como assim? Entrou em uma dimensão 1-360?

— Sim! — disse Coragem.

— Ó meu querido! Coitadinho! E eu achando que você tivesse entrado no estirão subitamente! Que cabeça a minha! — dizia Mariane abraçando Coragem com força e até escorrendo uma lágrima de dor pelo menino.

— Deixe de drama! O menino é praticamente um categoria C agora!

— Categoria C? Jura? — dizia Mariane colocando a mão na testa do menino e fechando os próprios olhos.

— E não é que é mesmo! Parabéns! Assim que as coisas estiverem em paz eu vou te dar um lindo presente! — falava Mariane escandalosamente e alguns no salão assistiam ao grupo sem falar nada.

— E então moleque? Há alguns anos, não me pediu poder para salvar seus amigos? Ainda quer poder ou vai fugir?

Coragem parou e ficou pensativo por alguns segundos, mas depois de tudo que havia passado e ainda sobrevivido, não fazia sentido fugir.

— Na verdade… Eu queria fugir… Mas… Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come… Então, melhor lutar! — dizia Coragem ficando animado, mas a animação passando rapidamente ao olhar alguns monstros ao redor lhes encarando.

— Que bom, parece que eu não criei um covarde.

— Aí meu Deus tenho certeza que isso é estresse pós-traumático! — dizia Mariane se abanando

— Mas o que vamos fazer agora? — perguntou o menino.

— Você nada, agora, quem resolve o assunto sou eu. Mari, rompa o meu terceiro selo.

— Eu sabia que você ia querer fazer isso, eu sabia!!! — dizia a senhorinha extremamente aflita.

— Eu fiquei todos esses anos trabalhando com arquétipos e ajudando essa criança, eu agüento! — dizia a garrafa dando saltinhos na bancada em direção de Mariane.

— Escuta, mas agora que eu topei enfrentar os monstros, eu também sou parte do time, então bem que os senhores podiam me explicar não é?

— No máximo que você é, é um engodo! E se falar novamente sem sua opinião ser pedida, eu tiro a minha aura que está ao seu redor e deixo os monstro saberem quem você é!

Coragem fica apavorado, não pela ameaça, mas sim por que Irae falou muito alto.

— Iraizinho, eu acho que você pode falar para ele — disse tia Mari sorrindo amorosamente para Irae.

— E você se cale! Por sua causa eu não sei se a Maria casou ou não com o Luiz! A três anos me perguntou a mesma coisa!

— Eu só vou liberar o selo se você contar e sim, a Maria se casa com o Luiz e o casamento é lindo! — disse Mariane cruzando os braços e se virando de lado para a garrafa.

E uma aura negra imensa surge por todo salão, fazendo o restante das lâmpadas e as outras máquinas explodirem também. Alguns dos aventureiros começaram a vomitar e outros a desmaiar.

— Eu estou morando com você a muitos séculos, acha mesmo que isso me assusta?— dizia Mariane tirando uma lixa de unha da bolsa e passando a lixar, enquanto mais e mais viajantes caiam no chão, ou para desmaiar, ou para vomitar.

E então a escuridão desapareceu voltando tudo ao normal, mas agora, muito pior que antes, uma terrível tensão invisível, estava entre Irae e Mariane, as janelas de vidros e os copos foram os primeiros a explodirem, vigas de aço do teto, começavam a ranger, trincados passavam a surgir por todas as paredes e até o balcão feito de uma grossa chapa de aço trincou. E Mariane continuava a lixar sua unha como se nada acontecesse.

Coragem por outro lado estava de bruços no chão enquanto tremia e suava frio, sua visão estava embaçada, sentia que sua cabeça ia se partir ao meio! E mesmo que já houvesse passado por isso várias vezes, sempre era uma experiência traumática.

— Você é terrível mulher! — disse Irae e a terrível pressão desaparece.

— Levante-se e preste atenção moleque!

Com muito custo e se segurando para não vomitar e ajudado por Mariane, Coragem fica de pé.

— Digamos que meu poder está… “Limitado”, de certo modo por causa dessa senhora insuportável ao seu lado, e se ela liberar um dos meus selos, eu posso o esconder dos categorias S e etc, pronto falei, feliz Mariane?

— Podia falar mais que isso… Mas é melhor que nada…

— Mas você não tinha sido aprisionado pela tia Mari? — perguntou Coragem e uma densa e escura aura negra volta a surgir.

— Ok ok eu entendi! — dizia o menino não querendo mais confusão.

— Além dos lordes, sabe que muitos poderão vir atrás de você não é? — disse Mariane guardando sua lixa de unha.

— Vou sugerir que me ignorem e eu farei o mesmo com eles.

— Veja muito bem o que você faz, eles agora tem esse menino como forma de te afetar.

— Espera um pouquinho… — dizia o menino meio escondido atrás de Mariane.

Irae lhe olhou feio novamente, mas Mariane colocou a mão na garrafa como quem tapa a boca de alguém.

— Pode falar querido — disse a gentil senhora com um doce sorriso sem dentes.

— Por que a senhora e o Irae estão me ajudando?

E Mariane sorriu como se fosse o sol, seu sorriso (apesar de não ter dentes) causou em todos uma sensação única e maravilhosa, era o mesmo que ver a luz do sol depois de muitos anos de frio e escuridão. Uma sensação tão maravilhosa que fez todo o cansaço de Coragem desaparecer e os monstros que a todo momento chegavam no salão ficavam atônitos ao entrarem e verem vários monstros olhando para o nada e chorando, alguns choravam copiosamente enquanto se recuperavam da sessão de vomito e estes que acabam de chegar ao irem perguntar, ou fazer alguma piada, inexplicavelmente passavam a chorar incontrolavelmente.

— Achamos que você é a nossa tão aguardada redenção, meu pequeno guerreiro corajoso — disse Mariane fazendo uma reverência para Coragem e depois olhando carinhosamente para Irae.

Mas antes que Coragem pudesse dizer algo Mariane diz:

— Por favor, confie em nós dois e se tiver dúvidas, basta ouvir isso aqui. — disse Mariane tocando no meio do peito do menino e o fazendo sentir uma forte emoção.

— Não entendo… — dizia o menino emocionado.

Coragem sabia que Irae e Mariane estavam arriscando suas vidas para lhe proteger e não lhe davam uma explicação aceitável, isso era revoltante.

— Não pense, sinta. — disse Irae.

E Coragem teve que se segurar para não chorar, pois tudo, que até então havia aprendido, era baseado no “sentir”, uma sensação invisível que lhe apontava os melhores caminhos e soluções para seus problemas (aplicados principalmente na alquimia). Mas desta vez… O “sentir” estava colocando todos em um caminho perigoso e de alguma forma necessário… Pelo menos… Era isso o que o menino sentia.

Mas, o mais emocionante para Coragem foi ver o seu mestre que lhe ensinou durante tantos anos sobre esse “sentir”, hoje dar um grande testemunho de suas próprias crenças colocando sua vida em risco por ele.

— O senhor não tem uma gota de hipocrisia… — dizia o menino se segurando para não chorar.

— Tsc… Mariane use o cântico de uma vez… Já tem lágrimas de mais por aqui — disse Irae se inclinando para o lado e vendo grandes e malvados monstros chorando.

Mariane fez um cafuné na cabeça de Coragem e olhou docemente para Irae, respirou fundo e disse:

— Pobre criatura cheia de dor e sofrimento, um dia dividi tua dor em cinco partes, mas agora te liberto da tua prisão inanimada e como um animal inferior te permito se manifestar, 3° selo de poder, liberar.

E como num infinito piscar de olhos, algo ininteligível, passou, por fora e por dentro de todos, algo relacionado a Irae e Mariane, como se todos olhassem para o céu infinito e nessa imagem do céu, esquecessem quem eram, apenas havia o céu azul e neste céu Coragem esqueceu de si próprio. Quanto tempo havia passado? Isto Coragem não sabia, e talvez, nem tempo houvesse onde esteve, apenas que lá, era bom.

Quando se deu conta e olhou ao redor viu ao seu lado uma mulher na casa dos seus quarenta anos, mas, mais bela que qualquer outro ser que ele já havia visto antes, a ponto de fazer o menino ficar sem ar.

— Irae? Se tá brincando né?!

— Hm?— a mulher olhava para as próprias mãos e tocava o próprio rosto e docemente sorriu para Coragem.

— Tia Mari… — disse timidamente.

— Tia Mariane!!!??? — berrou o menino.

Mariane era agora uma deslumbrante mulher, loira de cabelos lisos e de olhos azuis, azul celeste. Antes seus olhos já passavam ternura e doçura, mas agora, olhar para os olhos de Mariane era o mesmo que ser abraçado por um anjo ou até algo maior. Sua beleza física era discreta mas ao mesmo tempo impactante, não por algum exagero, mas sim pela delicadeza. Ela era o extremo oposto de Halloween e com certeza, era muito mais que um mero humano…

Coragem ficou a admirando, estava totalmente em estase de ver algo como ela, bem ali, era a mais bela das flores que surgiu no meio do pior dos pântanos.

Depois de alguns segundos fora de si, voltou a realidade.

— Tia Mari?! Cadê o Irae?! — perguntou Coragem olhando para os lados e nada encontrando.

— Aqui em baixo idiota — disse uma voz grave.

Quando Coragem olhou para baixo, viu um gato negro de olhos vermelhos.

— Irae!!!???

— Eu não entendi o seu espanto… — dizia o gato que parava de se lamber, para apenas olhar o menino, o simples olhar do gato foi suficiente para causar um horrível arrepio em Coragem e fazer suas pernas perderem suas forças, até mesmo sentiu um frio inexplicável passando por todo seu corpo.

— Não é nada não, nada não…

— Mari, como está? — dizia o gato saltando encima do balcão.

— Estou bem Iraizinho, boa parte dos meus poderes voltaram, não é ótimo? — dizia Mariane sorrindo como o sol.

— E 1/5 de sua beleza também — disse o gato com um olhar profundo e misterioso para Mariane.

— Obrigada… — disse Mariane ficando corada.

Coragem estava totalmente encantado com Tia Mariane e Irae, os dois pareciam ser seres de algum conto de fadas, alguma lenda, alguma utopia. Passavam a sensação de mágico, divino, misterioso, transcendental, tudo ao mesmo tempo. Um olhava para o outro com delicadeza e carinho, parecia que o tempo havia parado para os dois.

Irae transbordava poder e inteligência, em um grau que a mente de Coragem não podia entender, mas sabia e mais que isso, “sentia”, que para Irae já não havia mais limites…

Tia Mariane por outro lado passava ternura e bondade, com seus grandes olhos azuis poderia acalmar a pior das tempestades e talvez, se quisesse, poderia desfazer toda a escuridão de Halloween com um simples sorriso.

— Com licença senhores… — disse uma espécie de Schnauzer vestindo um casaco militar com várias medalhas.

Ao olhar ao redor Coragem se dá conta que só estavam os três no salão e agora o cachorro humanóide também. Os outros viajantes e os militares tinham saído sem o menino se dar conta.

Irae parou de olhar para Mariane e se virou para o Schnauzer.

— Sim?

— Respeitáveis senhores, peço perdão por atrapalhar a conversa dos inestimáveis cavalheiros e ainda peço mais perdão por atrapalhar tão bela e pura flor que é a senhora — dizia o Schnauzer fazendo uma reverência para Irae e Coragem e depois fazendo uma reverência a ponto de tocar a testa no chão para Mariane.

Irae não se moveu um milímetro, Coragem fez um cumprimento oriental e Mariane fez uma reverência que faria a maior das rainhas parecer uma caipira.

— Sinto se causamos algum constrangimento caro marechal… — dizia Mariane com sinceridade.

— Constrangimento? Nunca! Muito pelo contrário minha senhora! Aos senhores entrarem nessa humilde fortaleza nos mostrou o quanto nos falta praticar!

— O que podemos fazer por você marechal? — disse Irae sem paciência.

— Ilustre senhor, meu nome é Dellmonte e como a perspicaz senhora de azul disse, sou o marechal responsável por essa humilde fortaleza e caso os senhores precisem de qualquer coisa do nosso Forte Golpe Forte, por favor, não exitem em nos dizer, faremos tudo o que estiver em nosso alcance para que, quem sabe, possamos ser amigos ou mesmo úteis para os senhores — dizia o cachorro em tom de suprema reverência.

Irae e Tia Mariane novamente se olharam, Mariane apenas sorriu para Irae, que por sua vez revirou os olhos.

— Pois bem marechal, acho que podemos ajudar um ao outro, vamos conversar a sós — disse Irae saltando do balcão e indo até o Schnauzer que tremia.

 


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