Noite de Halloween, A preciosidade da lótus: Capítulo 25

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Noite de Halloween, A aurora da Coragem: Capítulo 24
Noite de Halloween, A preciosidade da lótus: Capítulo 26

“Caros leitores, peço desculpas por postar tão tarde, por questões técnicas não foi possível… De ante mão peço novamente paciência, pois voltarei a postar um único capítulo por semana, pois tenho sempre de estar um arco na frente para só então liberar o próximo (por questões de congruência), mas em breve voltarei a postar dois por semana (estou quase acabando o terceiro arco!) E também, já aviso que a partir daqui o caldo vai engrossar, a estória vai ficar um pouco mais profunda e misteriosa, garanto que boa parte não vai entender, mas paciência, que tudo (ou boa parte) vai ser explicado!

Abraços!”

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap.25

Um novo amigo.

Coragem abriu os olhos e rapidamente olhou envolta e se viu no meio de uma floresta durante uma lua cheia.

Fleck! — gritou o menino agora de pé — Bim! Dam! Zig! 12! 13! 14! Cadê vocês?!

Quer mesmo ser devorado? — disse uma voz conhecida.

Mas esta voz? A garrafa!!! — e olhou ao seu redor e não encontrou nada, mas aos seus pés estava uma garrafa azul.

Irae? Como você veio parar aqui? — perguntou Coragem se sentando na frente da garrafa.

Tsc… Mariane me mandou junto… — respondeu a garrafa mal-humorada.

Porque a tia Mariane pediu para que o senhor me acompanhasse?

Mariane é… Peculiar…

Mas e agora Irae? Como vamos salvar os outros? — disse Coragem ficando de pé e procurando sinal de civilização.

Então o ambiente que já era escuro ficou ainda mais escuro, principalmente envolta da garrafa, o próprio breu onde a lua não alcançava, não era tão escuro quanto a escuridão que parecia sair da garrafa.

Na direção nordeste daqui, existe um portal dimensional, com sorte eu consigo te despachar para uma cidade humana.

Como assim cidade humana? É fácil assim chegar nos mundos humanos? E qual é o meu mundo? E vamos abandonar nossos amigos? — retrucava Coragem sem entender o que era aquela névoa negra que agora media mais de 2 metros.

Só você Mariane… Garoto… O acordo que fiz com Mariane era que cuidaria de você, mas para cuidar de você não é necessário que você tenha pernas, braços, olhos, língua e ouvidos entende? — disse Irae calmamente — E onde mais você estaria mais bem cuidado do que em um mundo humano?

Coragem sentia-se muito zonzo, como se algo invisível o pressionasse para trás, sentia muita falta de ar e para terminar percebeu que de seu nariz escorria sangue.

Mas reuniu coragem e falou novamente:

Mas senhor, como posso abandonar meus amigos? Como posso abandonar uma senhora tão bondosa quanto a Tia Mariane? E a vampira o que será dela? Vai ser esquartejada por apenas ter nascido com um poder especial? Isso é terrível!!!

Pequeno acéfalo… Respondendo suas pífias perguntas… Goblins não são amigos de ninguém nem nada, nem de si mesmos, então esqueça eles e suas inúteis conspirações, no final eles todos vão acabar mortos… Mas se está mesmo preocupado com eles, saiba que Mariane deve ter mandado eles para algum lugar bem escondido, fora que eles se escondem tão bem quanto baratas, agora, Mariane é mais forte do que uma mente medíocre como a sua pode sonhar, e a vampira, está apenas pagando o preço por suas escolhas passadas, ou pensa que o clã dela conseguiu o poder dimensional só com treinamento?

E sem pensar Coragem perguntou:

Mas como vão tirar o poder da princesa vampira? Não podemos fazer nada?

— …

A energia que eu senti vindo da vampira vinha de uma linhagem pura, deve ser descendente direta do Lorde do norte que eu destrocei a alguns milênios anos atrás. Precisarão de mais mil feiticeiros de alto nível, matrizes energéticas, cristais de poder e centenas de sacrifícios. Tudo isso para a evocar um demônio antigo que os ajude a tirar o poder dela e crie um raro cristal dimensional, que por sua vez ira precisar de um portador com capacidade de absorver a habilidade, que acaba sendo ainda mais raro que o cristal em si. Além disso, para os rituais ficarem prontos e as energias atinjam seu ápice, precisarão de meses e mais meses de preparo… — dizia Irae como se fosse uma conversa normal.

Coragem ficou em silêncio olhando a garrafa com os olhos arregalados por alguns segundos, percebendo que não sabia o que fazer, se virou e olhou para cima onde estava a lua e as estrelas e ficou observando a abóboda celeste ainda com os olhos arregalados.

O que está fazendo? — perguntou Irae.

Observando as estrelas, o céu e a lua — respondeu Coragem.

Você sabe que podemos estar em qualquer canto de Halloween certo? — perguntou a garrafa.

Sim, porque? — perguntou Coragem que começava a bocejar de sono.

Então sabe que qualquer coisa pode surgir e te devorar né?

Sim eu sei, estou dando um tempo dos meus problemas… São muitos…

— …………..

Depois de alguns poucos minutos em silêncio Coragem voltou a falar:

Lembrei de outra coisa… Queria chegar na cidade central lá tem uma pessoa que eu quero visitar — disse Coragem começando a sentir sono.

Se for para lá… Será morto no ato — disse Irae friamente, a ponto de fazer o ambiente ficar ainda mais frio…

Por que? — perguntou o menino dando alguns passos para trás e se enrolando em sua capa.

Principalmente… Porque você não passa de um reles humano…

Coragem ficou em choque e deu alguns passos para trás.

Mas eu comi as folhas de Vazio Sombrio essa semana! — dizia Coragem olhando ao redor procurando uma estrada por onde correr.

Tolo! — rugiu Irae fazendo os pássaros envolta saírem voando — Até o pior dos “deuses” desse plano e de outros tremem com meu nome! Como um grão como você me enganaria?

Coragem ficou em silêncio com os olhos arregalados novamente, mas… Por algum motivo não estava com medo, achava que o susto que levou com a vampira possuindo a bruxa e falando grosso e levitando e etc tinha sido até então o pior susto da sua vida, logo pensava que uma garrafa que falava não era grande coisa.

E lhe veio algo em mente que sem pensar disse:

O que define um humano e um monstro? Pois a aparência não é, pois existem muitos monstros parecidos comigo e até mais bonitos!— perguntou Coragem inocentemente.

A garrafa ficou alguns segundos em silêncio olhando para Coragem.

O senhor está aí? — insistiu Coragem.

Está pergunta é um pouco difícil… Está pergunta seria melhor respondida se você falasse com aquele velho natalino… — dizia Irae fechando a cara (sem ter cara)

Hmmmmm, Fleck me contou que você matou alguns Lordes, mas por fim Papai Noel te venceu e você ficou um tempo na caverna e depois Tia Mariane o enganou e o prendeu na garrafa… Mas a surra foi tão grave que você ficou todos esses milênios na caverna até se recuperar? — perguntou Coragem repetindo o que haviam lhe dito.

Quem disse que me deram uma surra? — respondeu Irae com o tom de voz mortal e o ambiente voltou a ficar escuro, mas agora, além do escuro, estava tudo pesado, tão pesado que o fez cair de joelhos no chão.

Pelo menos 100x mais pesado que com a vampira, a visão de Coragem começa a embaçar e a se distorcer, passava a ter lampejos de criaturas gritando e agonizando dentro e fora de sua cabeça.

O ar que respirava passou a queimar seus olhos, nariz e garganta, cada respiração era o mesmo que respirar fogo.

O terror que sentia era de natureza inexplicável, sentia que iria ficar louco, como se algo dentro dele próprio fosse se partir, era algo que ia além da mente humana, e talvez, talvez… Aquilo fosse, terror cósmico.

Então, como se cochichasse, passou a dizer palavras, mas palavras grandes, grandes em significado e grandes em poder.

Cada sílaba, cada vogal e cada consoante, ditas e vibradas, pronunciadas, da maneira correta, faziam essas impenetráveis e ocultas palavras, tudo tremer, talvez aquilo fosse magia, mas que magia é essa, onde, uma só palavra pode fazer o mundo todo tremer?

Por breves segundos Irae disse breves palavras, mas que para Coragem pareceu a eternidade de sofrimento sem significado.

Mas mesmo assim, com todo o sofrimento que o menino sentia e ouvia, e de alguma forma, de modo ainda mais misterioso que as próprias palavras vidas da garrafa, ele, entendeu algumas:

— … Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços juntamente com os ímpios; e exterminarei os homens de sobre a terra…

Coragem sentia seu coração bater tão forte com o terror que mesmo que Irae não lhe desse o golpe final, mais alguns segundos seu coração ia explodir e que quando Irae acabasse de falar, ele estaria morto.

— … E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra… E o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco. Nem a sua prata nem seu ouro os poderá livrar no dia da indignação… Mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apre…

O que Noel te disse!? — interrompeu Coragem com suas últimas forças.

E toda escuridão desapareceu… Ficando ambos em silêncio sobe a luz da lua.

Coragem estava encharcado de suor, todo o seu corpo tremia, mas não apenas de terror e desespero, mas também de exaustão, quando colocou sua mão em seu nariz percebeu que pingava sangue e de seus ouvidos também.

Não foi o que ele me disse…Mas o que ele me mostrou… — disse a voz extremamente infeliz, como se uma galáxia de remorso e autopunição estivesse dentro de uma pequena garrafa azulada, uma sensação inexplicável e inexprimível vinha de Irae, tudo que vinha dele era infelicidade e tristeza em um nível cósmico…

Tudo o que o menino conseguia sentir da pequena garrafa era piedade, alguns segundos atrás Coragem havia sentido um terror transcendental, tão absurdo que seu corpo parecia estar em choque, sua mente ainda se recuperava, aqueles breves segundos pareceram horas e mais horas de um sofrimento inumano, como se o macrocosmo tentasse estar dentro do microcosmo.

Mas mesmo com toda sua dor, ao ver a garrafa azulada com tanto sofrimento e tanta angustia, isso o tocou.

Então Coragem com muito esforço e ainda ofegando muito, se aproximou de Irae e sentou-se em sua frente.

O que Noel te mostrou? — perguntou o menino tentando sorrir.

Ele colocou dentro de mim a prece de milhares de crianças e a milênios eu tento tirar elas de dentro de mim… — disse Irae com um pesar sem fim…

Parecia que a infelicidade da pequena garrafa não tinha fim, Coragem sentia-se “Tristemente triste” e começou chorar a ponto de soluçar.

Por que está chorando? Eu já parei de projetar minha energia sobre você!

Porquê, quando você falou das crianças a sua garrafa brilhou com uma luz branca e eu senti algo de bom vindo de você — e o menino pegou a garrafa e a abraçou e continuou a chorar. Um choro continuo e sentido, muito sentido.

Você é igual ele… — disse a garrafa.

Quem? — perguntou Coragem enxugando as lágrimas e ainda chorando.

Noel, você é parecido com ele…

E Coragem chorou por horas e mais horas, até dormir.


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