Noite de Halloween, A aurora da Coragem: Capítulo 22

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Noite de Halloween, A aurora da Coragem: Capítulo 21
Noite de Halloween, A aurora da Coragem: Capítulo 23

“Amigos leitores, a estória caminha para o final do primeiro arco, mas não se preocupem, o segundo arco já está escrito e garanto que será ainda mais empolgante que este. Espero profundamente que vocês se apaixonem por Salem assim como eu também sou apaixonado. Penso eu, que o tema “cidade mágica” desperta em todos nós o desejo pelo fantástico! O extraordinário! Ou quem sabe, no fundo… Todos nós já estamos cansados de viver em um planeta como este… Mas tudo vai melhorar! (Façamos nossa parte!)

Espero que aproveitem uma visão de um mundo problemático, mas igualmente mágico e apaixonante que é Salem (Prometo mais para frente voltarmos para Salem).

Abraços”

Autor: Allan | Revisão: Allan

Cap.22

A cidade de Salem

Duas semanas haviam se passado de muita festa, a algazarra era tanta na caravana, que em todas as vilas e postos de checagem, virava festa também. Neste meio tempo Coragem achou uma carroça mais afastada e ali ficou praticando a “Mente Vazia” que Zig havia falado, no começo tentou de todos os modos não pensar nas imagens horríveis que havia visto e de certo modo, vivido.

Mas descobriu que quanto mais fugia dos pensamentos “ruins” mais fortes eles pareciam ficar e quando praticava a “Mente Vazia” se sentia cada melhor.

No começo era somente um absoluto “nada” um vazio desprovido de qualquer sensação, mas muito melhor do que as sensações terríveis que sentia quando ele estava como ele mesmo, pois os efeitos do cristal ainda atormentavam sua mente. As imagens e as sensações ainda eram muito reais.

Tão reais, que ao fechar os olhos, via cenas e mais cenas assassinatos, ouvia os gritos das vitimas e até sentia o cheiro e o gosto do sangue por toda parte.

Mas o que mais o aterrorizava eram os olhos das vitimas dos goblins lhes olhando de volta, sabia que não olhavam para ele, sabia que tudo eram lembranças, mas vingança e o ódio contido nos olhos de suas vitimas o faziam arrepiar dos pés a cabeça.

Mas depois de algumas semanas de prática do “Vazio”, parando apenas para as necessidades básicas e enxotar os goblins para fora de sua carroça, descobriu que a “Mente Vazia” não era tão vazia assim… Pois de alguma forma aquele estado que “ficava” ajudava a diminuir a dor…

Havia algo de bom naquele “Vazio” que parecia o curar pouco a pouco e pouco a pouco a dor dentro de si mesmo ia diminuindo… Lembrava a luz que o havia salvado no ritual goblin. Então, praticava aquilo o máximo possível, não praticava pelo prazer, mas praticava, pois sentia dor e a dor, só passava com essa luz.

Coragem, chegamos! — disse Dam.

Coragem vestiu sua capa, pegou sua mochila e foi para fora, quando saiu da carroça e olhou para cima, viu no céu uma ilha gigante flutuando e embaixo um desfiladeiro sem fim.

Aquilo é Salem? — perguntou Coragem se juntando ao resto do grupo.

Não, esta é uma das cidades que fica envolta de Salem, se chama Leonora, Salem mesmo é infinitamente maior e mais gloriosa! — disse Fleck sorrindo.

Será que eles vão honrar o acordo? — perguntou Dam para Fleck.

Claro que vão! Graças a nossa algazarra os comerciantes venderam praticamente tudo! E até nos deram uma comissão e um caixão mágico para conter a energia da nossa bela adormecida! — disse Fleck animado enquanto ele e os outros se despediam da caravana que começava a partir.

Da ilha saiu um pequeno zepelim, que aos poucos se aproximava, e pouco a pouco podia-se o ver melhor, era dourado com vermelho cor de vinho, cheio de detalhes e ornamentos que o deixavam ainda mais imponente, devia medir mais de 260 metros de cumprimento e mais de 40 metros de altura, sua cabine era dourada e cheia de rebusqueios, devia medir mais de 50 metros de comprimento e 4 de altura, em suas laterais alguns motores igualmente impressionantes também ornados impulsionavam o zepelim, era uma aeronave impressionante em todos os sentidos.

Depois de mais alguns minutos o zepelim se alinhou com a borda do desfiladeiro e uma rampa muito larga encostou na terra, uma porta do zepelim se abriu revelando um homem de aparência humana, vestia uma farda branca cheia de detalhes dourados e um quepe também branco com detalhes dourados.

Eu sou Comandante Roy, capitão desta aeronave, eu os levarei até a capital de Salem em total segurança, por favor queiram entrar — disse Roy fazendo um gesto para entrarem.

E vários outros membros da tripulação vestidos com fardas militares também branca e dourado vieram ao encontro para ajudar na carga que era basicamente o caixão. Fleck apertou a mão do Comandante Roy e entrou na aeronave, o restante fez um cumprimento de cabeça para Roy e entraram na aeronave também e seguiram para a cabine de comando com mais alguns membros da tripulação.

A cabine era grande e espaçosa cabia toda a tripulação e mais um pouco. Os soldados de farda branca operavam várias máquinas por toda cabine e ainda sobrava espaço de sobra, a cabine também era cercada por toda sua extensão por grandes janelas, quase uma visão de 360 graus.

A equipe se sentou cada um em um canto e o caixão fora colocado na cabine pelos soldados.

Comandante Roy, oficialmente como está a caçada ao grupo terrorista que causou o incidente em Tumba do Oeste e a pela destruição da cidade de Ovelha Caolha, Bezerro de Prata e Cruz Negra? — perguntou Fleck acendendo um charuto.

Oficialmente o governo diz que houve uma explosão na cidade de Tumba do Oeste ocasionada por experimentos ilegais de itens mágicos e invocações ilegais, sobre as outras três cidades alegaram que foi um ataque de selvagens com o uso de criaturas mágicas ainda desconhecidas, mas, mesmo assim, o governador do nono pentagrama foi decapitado por negligência e incompetência administrativa — respondeu o comandante assumindo a direção da aeronave.

E extraoficialmente? — perguntou novamente Fleck.

Extraoficialmente o próprio Lorde do Oeste está atrás dos responsáveis, não tanto por causa das três cidades destruídas, mas principalmente pelo incidente em Tumba do Oeste, seja lá o que eles estão escondendo é algo muito importante…— respondeu Roy e Fleck ficou em silêncio com o olhar sério.

Coronel, o que garante que o engomadinho aí não vai nos levar para uma armadilha? — disse Nº13 enquanto apertava seu punhal.

Fleck olhou para Roy esperando ele próprio respondesse.

Meu caro goblin, não sei se o seu coronel lhe explicou, mas, como pode ver, somos da força aérea de Salem, o clã dos mercadores pagaram caro para que vocês fossem devidamente escoltados até um lugar seguro em Salem, e mesmo que os lordes viessem a saber do paradeiros dos senhores, até mesmo eles pensariam com um pouco mais de cuidado antes de ir contra o clã dos mercadores…— respondeu Roy calmamente.

Por que? — perguntou Coragem que estava sentado na beirada da janela.

Meu caro, o clã dos mercadores não é conhecido pelo poder militar, político, religioso ou mesmo mágico… Mas sim, pelo poder econômico, boa parte da economia de Halloween está nas mãos dos mercadores, por isso deflagrar uma guerra, ou mesmo uma confusão por menor que seja, poderia acarretar consequências nefastas a toda Halloween. Um atrito desses não seria bom para nenhum dos lados, ainda mais agora que estamos em uma guerra tão difícil contra os Brilhosos.

Depois da resposta do capitão Roy, os que estavam desconfiados se acalmaram, não tanto pelas palavras do Comandante Roy mas sim como as palavras foram ditas.

A viagem continuou em total harmonia e silêncio por várias horas, cada um estava em um canto dormindo ou comendo, a noite era serena e tranquila, apenas se ouvia o som dos motores. Até o escuro da noite começar a ser trocado por várias luzes que surgiam no horizonte, então todos se levantaram e foram para a ponta da cabine para ver as luzes que surgiam.

Amigos! Bem-vindos a Salem, a capital da magia! — disse Roy animado.

E pouco a pouco a cidade passara a ser mais e mais visível, centenas de ilhas pequenas orbitavam flutuando sobre uma imensa ilha que pairava sobre um abismo escuro e sem fim.

A cidade parecia ter sido construída sobre uma montanha flutuante, que se estendia dos pés da montanha até seu topo, cada centímetro parecia já ter sido ocupado.

Colossais construções com tetos de abóbodas e outros com tetos agudos se estendiam por toda parte, estes sempre eram ricamente ornamentados com símbolos e estátuas de todos os tipos.

Onde não havia uma grande construção havia grandes prédios, igualmente ornamentados e pomposos, em seus tetos quase sempre havia muitas árvores e plantas, algumas vezes podia se ver até trepadeiras com flores.

Pirâmides e obeliscos estavam também por toda parte, grandes, médios e pequenos, de muitas cores diferentes, quase sempre puxando para o bege e repletas de símbolos estranhos e que muitas vezes até brilhavam.

No centro absoluto de Salem havia uma imensa pirâmide negra com um faixo de luz negra azulada, que ia de sua ponta até o céu. Sem sombra de dúvida este era o edificio mais impressionante em toda ilha.

O trafego em Salem parecia ser todo aéreo, vassouras, carruagens, cavalos, pássaros gigantes, tapetes e pessoas que simplesmente voavam, iam e vinham por toda Salem, estava longe de ser um trânsito de uma cidade grande, mas ainda sim o céu era um lugar bem movimentado.

Coragem também podia ver pequenos bosques aqui e ali e imensas árvores de várias cores com muitos pontinhos (pessoas) dançando aos seus pés de mãos dadas.

Lagos com águas coloridas, alguns pequenos e outros grandes travessavam a cidade, algumas vezes por subterrâneo, outras vezes por arcos de pedra e outras vezes por pequenos canais, onde no final caiam no abismo.

Grandes e pequenas praças com altares e estátuas, com centenas de seres se curvando e fazendo rituais com incensos e flores, ou simplesmente ouvindo alguém falar ou tocar música.

Mas de tudo que havia visto o mais impressionante sem sombra de dúvidas era o próprio céu de Salem, uma gigantesca aurora boreal no céu noturno, a aurora iluminava toda a cidade, semelhante a um sol, só que menos quente e mais misterioso. De cor azul-esverdeado, suas ondas dançavam lentamente por toda Salem, algumas vezes até tocava os telhados. Tudo ali era completamente diferente do Oeste onde tudo parecia morto e parado, aqui tudo era movimentado e vivo!

Coragem começou a sentir uma tensão em seu corpo e passou a respirar com dificuldade, parecia que algo o pressionara.

Isso é normal nos primeiros dias na cidade da magia, em Salem a energia é muito intensa, são tantos feiticeiros, bruxas, xamãs, necromantes, pirâmides, cristais mágicos e rituais, que o ambiente fica saturado de energia, mas vai se acostumar logo. — disse o comandante Roy para Coragem.

A viagem seguiu sem problemas até o aeroporto onde pousaram dentro de um grande galpão, onde uma carruagem e um cocheiro os aguardavam.

Fleck, posso lhe dar um conselho? — disse Roy para o comandante goblin e este olhou de volta.

Pior do que um inimigo declarado é um falso aliado… — disse Roy e Fleck confirmou com a cabeça e entrou na carroça com os demais.

Chovia em Salem, a carruagem seguiu pelas ruas da cidade calmamente, pequenas e charmosas lojas estavam por toda parte, tanto os homens quanto as mulheres se vestiam de forma muito mais elegante e colorida comparado aos seus vizinhos do oeste que apenas se vestiam com negro e cinza, até as expressões das pessoas em geral tinham mais vida.

A carruagem parou em uma pequena praça circular a leste da cidade, no centro desta praça havia um chafariz branco e um pergolado de flores igualmente brancas, com alguns bancos de madeira cheios de entalhes, onde algumas mulheres com chapéis pontudos conversavam alegremente sem se importar com a chuva, que a propósito nem era forte nem era fraca. Ao redor dessa praça haviam lojas e cafeterias, onde a chuva pouco fazia diferença, parecia que nada podia tirar o bom humor dos habitantes ali.

Os goblins descarregaram o caixão e o colocaram abaixo do toldo de uma loja de flores encima de algumas cadeiras para não o molhar com a chuva e se sentaram encima.

Quem passava por ali, via cinco goblins mal-encarados e uma coisa quase do mesmo tamanho encapuzada, este último era Coragem. Estavam sentados com as pernas balançando no ar vendo a chuva cair, quem por ali passava, achava uma cena bem pitoresca.

Coragem reparara que muitos ali não tinham aparência horrenda como no Oeste, os seres aqui eram humanos, ou, pelo menos tinham aparência humana, se via aqui e ali seres horrendos, mas eram em número menor.

Todos pareciam estar de bom humor, as mulheres se cumprimentavam com beijos nos rostos uma das outras, mas quando tinham de cumprimentar um homem, elas faziam uma pequena reverencia erguendo alguns milímetros o vestido, os homens por sua vez tiravam o chapéu e se curvavam elegantemente. E quando os homens cumprimentavam outros homens, faziam um discreto cumprimento com a cabeça ou apertavam as mãos uns dos outros calorosamente.

Todos eram sorridentes e muito educados, compravam coisas o tempo todo, as mulheres vestiam roupas tão bonitas e cheias de detalhes quanto as de Alice, percebia que as roupas de sua amiga bruxa eram tão bonitas se não até mais bonitas que as das mulheres que por ali passavam, sentia saudades dela.

Que parada estamos esperando? — perguntou Nº12 em voz alta.

O coronel foi até um contato aqui perto que vai decidir o nosso destino— respondeu Dam.

É bom mesmo, depois daqui a gente vai é picar mula— Disse Nº12 e Nº13 e Nº14 confirmavam para si mesmos.

Dam, Zig e Bim apenas deram de ombro e Coragem também não deu a mínima, aproveitava o pouco de paz que tinha, imaginando como seria trabalhar em uma lojinha dessas e ter uma vida simples e pacata…

Uma coisa que se perguntava observando os seres que passavam, era a diferença entre humanos e monstros, pois os bruxos e bruxas (achava que era por causa dos chapéis) no geral, tinham aparência humana, Alice tinha aparência humana, mas era uma bruxa, então… O que tornava um ser humano e outro monstro?

Fiuuuuiiiiiiiiiihhhhhhhh”

Assoviou o Coronel e faz um sinal para eles irem até uma outra carruagem que os esperava do outro lado da praça, cada um pegou uma alça do caixão e foram até lá, o cocheiro que era de aparência humana os ajudou a colocar no porta-malas o caixão e de lá seguiram viagem.

Os nossos superiores estão contentes que estamos vivos, eles acreditam que a vampira poderá ser algo muito importante para o movimento, agora vamos para a casa de um aliado que nos dará abrigo e de lá vamos decidir o que fazer — disse Fleck compenetrado.

A carruagem seguiu por quase uma hora pela cidade de chão de paralelepípedo branco, entraram em um bairro residencial e pararam em frente a uma casa de madeira azul.

Era uma típica casa de bruxa, só que azul, era muito bem cuidada com floreiras nas janelas, e também com flores azuis, a casa tinha três andares e o bairro era de pouco movimento, as casas ao redor eram do mesmo estilo, mas nenhuma delas era tão bonita e tão bem cuidada quanto esta.

Bem-vindos! — disse uma velhinha corcunda com um sorriso enorme que acabara de sair da porta de entrada da casa.

Tia Mariane!!!— disse Fleck correndo e abraçando ela que também lhe retribuiu com um abraço.

Quanto tempo Filhinho! Você está menos verde! O que está acontecendo? Está comendo direito? — perguntava a bruxa enquanto abria a boca do goblin e puxava sua língua para o examinar.

Tia Mariane? Esta é aquela que selou em uma garrafa o lendário Irae? — perguntava Nº13 para seus irmãos onde ambos lhes deram uma cotovelada.

E daí que eu gosto de romances? — disse Nº 13 e os seus irmãos o olharam feio.

Há isso foi a muito tempo… E eu era uma gracinha… E ele era um safado mulherengo, foi fácil de enganar ele hahahaha— disse tia Mariane rindo escandalosamente.

Está mulher já fez muitas outras proezas fora está! — disse Fleck olhando para cima já que ela que era o dobro do seu tamanho.

E este rapazinho aqui?

Este é a nossa mais nova aquisição! Este é o Capitão Coragem! — dizia Fleck o abraçando e o colocando na frente de Mariane.

Mariane por sua vez parou de sorrir e foi até o menino e lhe olhou bem nos fundos dos olhos, Coragem sentiu a mesma coisa quando foi examinado por Alice e isso o reconfortou.

Então Mariane se ajoelha para ficar na altura do menino e diz:

Quer ser meu amigo?— disse a velhinha lhe estendendo a mão.

Coragem ficou confuso e não entendeu muito bem o que a aquela velhinha corcunda o pedia, estava ainda tão bravo e triste com aquele mundo e por seus amigos goblins serem tão ruins quanto todos os outros monstros, que estava desacreditado de tudo! Mas ao ser encarado por aquele par de olhos azuis cheios de doçura, então, tudo de ruim que tinha passado até então desapareceu, desapareceu como mágica, só lhe restando segurar o choro.

Sim… — disse o menino estendendo a mão e apertando a mão de Mariane, que depois ainda lhe fazendo um cafuné na cabeça.

Vamos conversar lá dentro, minhas vizinhas são futriqueiras, entrem, entrem! — disse Tia Mariane agora abrindo a porta para todos entrarem.


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