Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 15

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Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 14
Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 16

Autor: Allan | Revisão: Denn


Laboratório secreto (1)

Pensando que hoje poderia ser seu último dia vivo, Coragem se dá de presente (ou último desejo) um café da manhã de rei, e vai para o restaurante de sua antiga taverna comer em paz (Já que Toca de Luz era um pandemônio em todos os sentidos), chegando lá, pede muitas fatias de pão com manteiga, ovos fritos, cogumelos fritos e muitos tipos diferentes de queijos, para beber, pede muitos copos de leite com chocolate.

Depois de comer até não aguentar mais, pediu ainda vários lanches e garrafas de água para a viagem, ou quem sabe, uma compra de amizade com pão e queijo.

Depois ainda, foi para a sua habitual loja de poções, onde comprou:

—1 kg de Vazio Sombrio em pó.

—1 kg de Vazio Sombrio em folhas verdes.

— 2 poções de cura grau 1.

Gastando10 moedas de ouro e 1 de prata.

Depois ainda correu para a loja de armas, onde entrou em uma discussão com o vendedor, que lhe garantia que se comprasse 1 colete e 1 casaco de grau 1 suas chances de sobrevivência aumentariam muito!

Mas Coragem só acreditou depois que o vendedor pegou o colete e o casaco e deu várias machadadas, golpes de espada e alguns disparos com um rifle a queima roupa, depois de mais um pouco de discussão Coragem resolveu comprar ambos, mas descobriu que só tinha dinheiro para o colete… O vendedor respirou fundo algumas vezes e foi embalar, depois de mais alguns poucos segundos de silêncio, uma nova discussão começou, Coragem ia levar um colete que recebeu machadadas, espadadas e tiros… E novamente o vendedor parou, olhou para cima, e respirou ainda mais fundo e pegou nos fundos da loja uma caixa que continha um novo colete idêntico ao anterior só que novo e Coragem novamente duvidou que aquele colete fosse tão bom quanto o anterior, então os olhos do vendedor literalmente pegaram fogo, quando o vendedor se virou para pegar o machado e se virou de volta para dar o golpe, só viu as 30 moedas de ouro no balcão…

Coragem Correu para o Leste da cidade, pois era onde ficava a estação ferroviária, nunca tinha ido até lá, mas pelo som e pela movimentação dos comerciantes e das carroças cheias de mercadorias, sabia que era para lá, enquanto caminhava aproveitou para trocar de colete e vestir seu manto negro, o que o tornava só mais um de manto negro entre alguns outros…

Depois distribuiu o vazio sombrio (sua planta de invisibilidade contra monstros), na sua bolsa tática, mochila, bolsos, meias e cueca, sapatos e etc.

Depois de andar mais um pouco, Coragem passa por um grande arco de ferro escrito:

“Estacão Ferroviária de Ovelha Caolha”

Após passar pelo arco, havia um caminho para as carroças que seguiam para a esquerda e iam para uma das pontas da estação, esta provavelmente era destinada as grandes mercadorias então iam para outro caminho e o havia o caminho dos passageiros, este Coragem sabia que era o caminho certo, pois os monstros que iam por esse caminho se vestiam melhor.

Após entrar na estação viu que não era muito grande, mas também não era pequeno, mas como todo o resto da cidade, era muito limpo e bem organizado.

Grandes arcos de aço iam ao longo da estação, o teto se apoiava nesses arcos criando uma espécie de abóboda, parte aço e parte vidro.

Longos balcões a direita e a esquerda de quem entra (ou saía) haviam, atrás desses balcões protegidos por um fino vidro, funcionários tratavam com os passageiros e com as cargas. Sempre havia alguém com elegantes uniformes apontando o dedo para cá ou para lá, tanto para os funcionários quanto os passageiros.

Ao fundo da estação, em uma área descoberta, vários orcs e trolls (estes últimos sendo várias vezes maior que um orc) carregavam grandes caixas nos vagões dos trens, o que era engraçado de se ver pois os trolls muitas vezes pegavam os grandes caixotes e as colocavam no lugar errado do vagão ou do jeito errado, então os orcs que ali organizavam gritavam, pulavam, faziam gestos para os trolls entenderem.

O fluxo de locomotivas chegando e saindo também era grande, a cada poucos minutos chegava e partia uma locomotiva em um dos vários e vários trilhos, o que se explica facilmente pois os orcs e trolls trabalhavam bem rápido.

Fora os orcs e trolls, os zumbis era a maior parte da mão de obra da estação, aliás de toda a cidade. Estes iam e vinham carregando caixas, ou limpando, ou dando orientação aos passageiros, ou se viam “alguém” ou “algo” que pudesse ser “interessante” paravam e iam atrás, só voltando a trabalhar quando algum superior não zumbi lhe ordenasse.

Outra coisa que achou engraçado, era quando os trolls pegavam alguma caixa muito grande e não vendo por onde seguem esmagavam grupos inteiros de zumbis, ou quando estavam cansados e se sentavam em um zumbi desavisado, depois colocavam os dedos “lá atrás” e cheiravam, depois faziam uma careta e esfregavam o dedo no chão para limpar.

—Parece que os Trolls são os inimigos naturais dos zumbis hahaha — ria o menino.

Quando sente algo estranho… E virando a cabeça e vê que era Fleck que o observava de longe, bem no fundo da estação, perto de umas caixas ele estava e Coragem corre para lá.

—Não dá para você ser mais furtivo? — disse Fleck o olhando feio.

—Bom dia, né? — disse Coragem espantado pela falta de educação e por sua vez Fleck só o olhou mais feio.

—Vamos, o restante está nos esperando — disse Fleck o puxando pelo braço.

Os dois correram entre as linhas das locomotivas e ziguezaguearam entre os vários vagões, passando por debaixo de alguns e chegando a um vagão que já estava começando andar, e com muito custo para Fleck, consegue enfiar Coragem pela janela, dentro do vagão de carga estava lotado de sacos de grãos e goblins mal encarados…

Fleck ergue Coragem que estava caído no chão e limpa suas roupas dando tapinhas.

—Este é Coragem, sua patente é de capitão, digam olá! — disse Fleck orgulhoso.

Um escarrou e cuspiu, outro arrotou, outro também cuspiu e os outros simplesmente o ignoraram…

—Olá? — disse Coragem engolindo seco, pois para ele, todos pareciam ser potenciais psicopatas.

—Este é o primeiro-tenente Bim, especialista em furtividade, invasões e roubos— disse Fleck apontando para um goblin que usava armadura de couro negra, com um cinto cheio de coisas estranhas e pequenos bolsos e um óculos que parecia ser uma espécie de visão noturna com um microscópio junto.

—E ae, bão?

—O próximo é o major Dam, ele é especialista em combate corpo a corpo e o mais experiente de nós — disse Fleck apontando para o menor dos goblins.

Era o único dos goblins que tinha barba serrada branca, vestia apenas uma calça e botas, e na parte de trás da sua cintura havia somente uma pochete tática, as mãos eram enfaixadas como as de um lutador, o goblin apenas o cumprimentou com um gesto de cabeça.

—Aquele é o capitão Zig, o nosso feiticeiro, xamã, bruxo, pai de santo, benzedor e etc, é um especialista em magia — disse Fleck apontando para o goblin mais “estranho” de todos.

Suas íris eram roxas e na parte branca (Esclera) se olhado com cuidado, via-se pequenos círculos negros concêntricos, tinha pequenos tremeliques do nada e sorria o tempo todo, vestia, calças, botas, uma armadura de couro simples e uma pochete tática, em suas mãos haviam alguns anéis estranhos e pulseiras esquisitas, por cima de tudo vestia um manto vermelho, o goblin riu e fez o gesto de rock para ele.

—E aqueles três são sargentos, 12, 13 e 14, 12,13 e 14, são seus nomes e são irmãos, há quase me esqueci o14 é mudo — disse Fleck apontando para os três goblins que usavam um manto acinzentado e por cima desse manto, uma armadura leve de couro, esse manto os fazia parecer verdadeiros maloqueiros.

—Por que seus nomes são números? — perguntou Coragem e os três se entreolharam.

—Nossa mãe achou que era mais fácil… Já que a ninhada era longa…— disse 13

—Como você conseguiu a patente de capitão sendo tão fraco? — perguntou 12 interrompendo a conversa.

—Erg… Ao certo… Eu na..— quando ia completar a frase Fleck o interrompe.

—Ele enfiou uma flecha na garganta de um necromante categoria B o que me deu a chance de arrancar a cabeça dele— disse Fleck sorrindo.

Os irmãos ficaram quietos e os outros goblins bateram palmas.

—Oxi mas quem diria, mas esse cabra é macho mesmo— disse Bim batendo palmas.

—Lembro quando matei meu primeiro categoria B… — disse Dam esfregando seu queixo.

Zig apenas arregalou os olhos, mas não de surpresa, mas sim de estranheza.

—Apresentações feitas, vamos ao que interessa— disse Fleck se sentando na pilha de sacos de grãos mais alta do vagão e acendendo um cigarro com um fósforo.

—Na capital do Nono pentagrama, também conhecida como Tumba do Oeste, nossos informantes têm indícios que há um possível laboratório secreto e nós vamos invadir e descobrir o que guardam lá dentro, teremos maiores informações quando chegarmos na capital, descansem enquanto podem porque não sabemos o que lidaremos amanhã — disse Fleck escalando e se acomodando em um grande de grãos que era 4x o tamanho dele.

Os outros goblins deram de ombros e cada um foi para um lado se acomodar para dormir.

—Fleck, pode me responder umas perguntas? — perguntou Coragem se sentando em um dos sacos do lado de Fleck e olhando para cima.

—O que foi? — perguntou Fleck baforando argolas de fumaça.

—Porque as cidades são posicionadas em pentagramas?

—Exatamente eu não sei… Mas é algo relacionado a geometria sagrada e que as formas geométricas geram poder, ou algo do tipo, não sei ao certo, isso é coisa dos feiticeiros da capital central.

Coragem pensou em perguntar para Zig mas este dormia e roncava sentado enquanto levitava…

—Pode falar um pouco sobre os Lordes atuais? Quem são? E quem manda mais?

—Hum… Posso… A viagem é longa mesmo… É mais ou menos assim… Lá na cidade central é onde os Lordes se encontram para tomar as decisões mais importantes de Halloween, como guerras, mundos novos a explorar, julgamentos, ou decisões que impactam toda Halloween, fora isso, cada lorde tem uma certa autonomia de sua região, desde que suas decisões não entrem em conflito com outra região ou Halloween.

Entao Fleck fez uma pausa para olhar para fora e retomou:

— O Norte é o lar de principalmente demônios e vampiros, onde o soberano é o Lorde Drácula, o atual Lorde ninguém sabe se é mais vampiro ou demônio, só se sabe que ele é sangue ruim…— E dando outra tragada continuou:

— Ao Sul temos a gostosona da Lorde Morgana que toma conta das bruxas, feiticeiros, xamãs e coisas do tipo… A leste temos o Lorde Stein que toma conta de máquinas de guerra, máquinas inteligentes e coisas do tipo e a Oeste que é onde estamos, temos o nosso Alfa Lorde que é atualmente um lobisomem muito marrento, ele toma conta dos brutamontes e de seres animalescos de Halloween, não que nas outras áreas não tenham, mas os bichos selvagens ainda ficam mais nas áreas de cá, entendeu?— perguntou Fleck e o trem estava começava a andar.

—Drácula, como ele é? — perguntou Coragem.

—Drácula, o bebedor de sangue, o chupa cabra mestre, o taradão de unhas longas, hahahaha, ele é o cara que basicamente não deixa a região Norte sair do controle, a sede de poder e de destruição dos demônios é muito grande… Não que nós algumas vezes não sejamos igual ou pior que eles hahaha, mas eles têm rabos, chifres e bafo de enxofre… Comparado com os goblins eles são horríveis — ria Fleck com seus dentes pontiagudos e amarelados…

—A lorde Morgana só existe uma? Não tem nenhum nome comum como Morgana por aí não? — perguntava Coragem se lembrando do broche de Alice.

—Até pode existir… Mas acho que ninguém usaria esse nome como com medo de dar algum problema… — disse Fleck acendendo outro cigarro.

—Me fale um pouco mais sobre a Morgana, os livros de Ovelha Caolha são muito atrasados…

—É a “Tiazona dos 4 lordes” ou a “Cocota dos meninos” hahaha — se curvava Fleck de tanto rir.

—A atual Morgana foi escolhida 50 anos atrás, por uma eleição e uma longa discussão de propostas entre os diversos clãs do Sul, mas como de costume o Clã Ritos e Feitiços ganhou, que a propósito é o clã mais conhecido dentro e fora de Halloween, a Lorde Morgana anterior teve a alma consumida por um demônio de outra dimensão… Esta pelo que se sabe, está fazendo um bom trabalho em conjunto com os outros Lordes, a última notícia que tenho dela, é que sozinha matou o principal feiticeiro dos Brilhosos, conseguindo desequilibrar menos a balança… — disse Fleck baforando mais fumaça.

Coragem pensava em fazer mais perguntas, mas a conversa era muito assustadora… Então ficou quieto… Mas Fleck não…

—Já que falamos desses dois vamos falar sobre os outros dois também — disse o goblin pegando um charuto da sua bolsa e acendendo.

—O nosso Alfa Lorde ou Lorde Alfa, é atualmente um Lobisomem, nos últimos séculos sempre tem sido um lobisomem que consegue o título por essas bandas… — dizia Fleck quando Coragem interrompeu.

—Como é escolhido o Alfa Lorde? — perguntou Coragem muito curioso.

—Até alguns séculos atrás era uma carnificina sem fim… Os vários clãs do Oeste, lutavam entre si e o clã que sobrevivesse elegia alguém ou também se matavam até decidir quem era o líder, mas com o tempo, cada vez mais clãs tiveram acesso aos portais dimensionais, ou conseguiam comprar a habilidade e a colocar em algum dos seus membros, deste modo, as matanças diminuíram bastante, aliás, hoje em dia os clãs dos orcs, dos lobisomens, dos gigantes, dos licantropos e etc, já parecem ter entendido que é melhor fazer aliados do que inimigos… Claro… Depois de se matarem por alguns milênios… — Fleck fez uma pausa para tragar novamente.

—Hoje basicamente é feito um grande acordo onde todos saem ganhando, sem brechas para argumentos idiotas para iniciar outra guerra na região Oeste — respondeu Fleck se levantando e abrindo uma das caixas de madeira mais ao canto e pegando uma garrafa de conhaque.

—A região Leste ou o “Oriente de Halloween” é uma região que eu pouco sei… Lá parece haver grandes tecnologias, eles compram boa parte dos metais de Halloween e os metais que Halloween traz de outras dimensões, aliás, eles são responsáveis por boa parte das tecnologias atuais e a fabricação das grandes máquinas de guerras e foi o atual Lorde que a poucos anos atrás trouxe a tecnologia de levitação de veículos — disse Fleck abrindo a garrafa com os dentes e bebendo como se fosse água.

—Por que aqui na região Oeste não tem tecnologias? — perguntou Coragem oferecendo um ovo cozido que estava em sua bolsa e Fleck negou fazendo careta…

—O Alfa Lorde diz através dos jornais mais ou menos isso “Para ser feliz basta uma terra arada, um cordeiro assado, um bom vinho e uma boa mulher o resto é besteira” deste modo as tecnologias novas não aparecem por aqui como se deve… — dizia Fleck se deitando em um saco de grãos no alto e tomando o conhaque igual mamadeira.

— Mas e a capital? Ela está absolutamente no meio de Halloween, quem manda afinal? — perguntou Coragem.

— Existe uma longa e imensa hierarquia, existem centenas e centenas de órgãos e departamentos, no caso de Sdom (a capital) quem “manda” é o “C.P.C” ou “Concelho do ponto central” onde anciões deliberam sobre questões administrativas e estratégicas de Halloween e de Sdom.

— Mas e os Lordes? — perguntou Coragem confuso.

— Os lordes só se reúnem quando o assunto é muito sério, por exemplo… As expansões por outras dimensões ou assuntos de guerra, agora… Quem manda mais…Isso eu já não sei… Mas funciona assim: Se 3 deles decidirem algo o outro deve concordar, se der empate eles vão recorrer a um ritual chamado “Desempate superior” nesse ritual eles abrem uma fenda para uma dimensão superior onde os “deuses” decidem a melhor escolha.

Coragem acompanhava toda essa estória com os olhos arregalados, estava assombrado com o tamanho de Halloween… E ainda mais assustado, pois existiam dimensões com seres ainda mais poderosos do que os líderes de Halloween.

—Aproveite para dormir, amanhã de manhã chegaremos na capital — disse Fleck que se virou e dormiu.

Sendo Coragem o único acordado se deitou também em um saco de grãos e foi dormir também.

                                                               ***

No outro dia pela manhã chegaram na capital Tumba do Oeste, quando saíram da estação, correram por alguns quarteirões e subiram em uma carruagem que os esperava, nela estava um goblin cocheiro que vestido com roupas elegantes.

Conforme a carruagem seguia, Coragem observava a cidade, as construções tinham no geral 5 ou 6 andares, algumas outras construções eram bem altas, como algumas catedrais, e alguns prédios públicos, todos os prédios sem exceção eram cheios de detalhes e rebusco do estilo gótico, os telhados eram pontiagudos, as janelas e portas eram cheios de adornos, mesmo a batente das portas por menor que fosse a construção tinha algum enfeite.

As lojas lembravam as de Ovelha Caolha, só que um pouco mais conservadas, no térreo de um só prédio parecia caber quase 4 lojas e nos andares de cima eram os apartamentos dos monstros.

O comércio era muito mais variado que em Ovelha Caolha coisas como: Comércio de zumbis, padarias cheias de doces, lojas que aparentemente só vendiam armas de fogo, loja de venda de animais (boa parte dos bichos ali vendidos Coragem nunca havia visto), uma concessionaria de carruagens (esta ficava no térreo do prédio como se fosse um grande estacionamento), lojas de itens mágicos, dentre várias outras coisas que Coragem não sabia o que era.

As ruas eram de paralelepípedos, com um grande fluxo de carruagens indo e vindo, estas carruagens eram bem variadas, algumas de madeira cor de vinho, outras negras, outras cor de creme, todas tão cheias de detalhes quanto os prédios ao redor.

Algumas carruagens eram puxadas por cavalos, nem sempre os cavalos eram zumbis, alguns eram cavalos de verdade que ao pararem ao lado de uma outra carruagem de cavalos zumbis ambos os cocheiros chicoteavam os cavalos zumbis para que se acalmassem.

Mas nem todas as carruagens tinha “algo” puxando, algumas simplesmente andavam por si só, as vezes até sem cocheiro… Coragem suspeitou que fosse magia.

As ruas eram largas e espaçosas, sobre elas caminhava uma imensidão de monstros, todos com roupas cheias de detalhes e engomos, tanto os “homens” quanto as “mulheres” (este último muitas vezes só eram identificáveis graças aos vestidos), diferente de Ovelha Caolha, aqui, pouco se via armas e armaduras, todos pareciam perfeitos cavalheiros e damas. (apesar de ser estranho de se ver um lobisomem de terno e gravata…) E mesmo os mais bem-vestidos em Ovelha Caolha ainda sim pareciam caipiras comparado aos viviam aqui.

—Fleck quantas vezes esta cidade é maior que Ovelha Caolha? — perguntou Coragem.

 —No mínimo umas 30x!

Depois de quase 40 minutos de carruagem pela cidade, desceram em um prédio bem simples que ficava no sul da cidade, um outro goblin bem-vestido os esperava em frente ao prédio.

—Leni! — disse Fleck sendo o primeiro a descer da carruagem.

—Coronel Fleck é um prazer conhecer o senhor — disse o goblin apertando as mãos de Fleck.

—Conversamos todos lá dentro, não é bom ficar ficarmos expostos — disse Fleck abraçando o goblin e o levando para dentro do prédio e os demais corriam atrás.

A entrada do prédio havia uma grande porta de madeira e uma pequena escada de pedra alcançando a porta, passando a grande porta de madeira, havia um grande corredor e ao fundo uma escada que subiam.

—Senhor, o alvo está localizado na rua de trás, este é o prédio mais alto do quarteirão e usamos para fazer a observação do alvo, acredito que possa ser feito uma invasão pelo teto com uma tirolesa simples — disse Leni levando todos até um quarto no último andar do prédio.

— Eu adoro tirolesas!

O apartamento não era grande, na sala havia uma sacada com vista para o alvo camuflada com vários vasos de plantas cheias de folhas, nesta mesma sala havia uma porta que levava aos quartos e outra para um banheiro.

No canto desta sala estava uma mesa com vários equipamentos para fazer a tirolesa como: bestas enormes (quase do tamanho de um goblin), flechas com ganchos e muitas cordas.

Um balcão branco dividia a sala com a cozinha, nesse balcão havia muita comida, bebida e corda de fumo.

Bom no meio da sala, ao lado de um longo sofá, estava uma mesa cheia de documentos, pastas, fotografias e mapas.

—Leni, nos explique a missão por completo — disse Fleck pegando um pouco de fumo no balcão e fazendo um cigarro.

—O alvo se chama Dr. Mengel, cientista genético do Leste, do gênero masculino, sua raça oficial é “Demônio de Sangue Negro”, 1,90 de altura, possuí aparência humanoide tendo apenas como diferencial rabo e um pequeno par de chifres, especialista em “Genética energética”, no leste trabalhava como consultor de vários laboratórios renomados inclusive como consultor do governo em licitações de diversos equipamentos, oficialmente veio prestar consultorias para o governo de Tumba do Oeste em questões de compras de novos equipamentos para o ministério de ciência.

—O que levou o departamento de inteligência escolhê-lo como alvo? — perguntou Fleck

— Tínhamos vários outros alvos, mas este levantou suspeitas do chefe da inteligência… Ao longo trinta anos mais de onze excelentes cientistas, de conceituados laboratórios no Oeste, deixaram seus cargos para trabalhar para o governo do Leste com “consultorias” e outros para trabalhar em laboratórios de terceira categoria aqui no Leste, não que tenha algo de errado no fato dos cientistas mudarem de nação… E estes cientistas talvez não fossem os mais brilhantes… Mas ainda sim tinham grande capacidade… E grandes conhecimentos… Por que estes cientistas abririam as mãos de seus mimos no Oeste para vir para cá? Dinheiro? — disse Leni fazendo uma pausa para acender um cigarro — Dinheiro parece pouco provável pois ele já ganhava muito bem no Oeste… Dinheiro não podia ser… Os melhores laboratórios e inclusive os melhores salários e condições de Halloween para cientistas estão no Oeste…. E no caso do Dr. Mengel que não tinha nenhum parente ou mesmo nenhuma amante que conseguimos encontrar é ainda mais suspeito…As perguntas que nós devemos fazer é: “O que o ofereceram a ponto de o fazer largar tudo para vir para cá?” e “O que um renomado cientista como ele faz tanto tempo sozinho naquele apartamento?”, estas foram as perguntas que fizemos… O objetivo de vocês é entra lá e descobrir… Se encontrarem algo útil traga para nós — finalizou Leni.

Ao final de sua explicação, todos o olhavam com as sobrancelhas erguidas, estavam todos admirados com sua explicação e eloquência.

—Qual a rotina dele? — perguntou Fleck.

—Todos os dias ele almoça e janta em um restaurante a 4 quadras daqui, 1 vez na semana uma carroça o leva para o ministério da ciência onde ele trabalha como consultor e duas vezes por semana ele saí para dançar, mas o restante do tempo ou fica no seu apartamento no 3º andar ou está em um apartamento no térreo que nós não sabemos nada a respeito, apenas que lá, ele entra e só saí várias horas ou vários dias depois… — disse o goblin consultando um caderninho.

—Hoje é dia de dança? — perguntou Fleck sorrindo.

—Sim senhor, pontualmente às 18 horas, ele estará em frente a seu prédio quando uma carruagem do governo o levará até o salão de dança, ficará fora cerca de 2 horas, mais ou menos as 22:30 estará de volta — disse o goblin de terno enquanto os outros goblins e Coragem agora estavam sentados em um sofá ao lado acompanhando a conversa.

—Provavelmente existe um laboratório no subterrâneo… Sabem se existe subsolo nesse prédio? — perguntou Fleck.

— As plantas da prefeitura não dizem nada senhor, já varremos a área com clarividentes e algumas máquinas e todas acusam que não existe nada… Absolutamente nada encontramos ou vimos…

—Não ver absolutamente nada é bem intrigante… Ele tem seguranças? — perguntou Fleck.

—Existem dois Orcs fronteiriços que o protege quando vai dançar e há outros dois seres não identificados que ficam dentro do apartamento com ele e no laboratório, o que sabemos deles é que possuem aparência humanoide e roupas comuns.

—Fizeram algumas provocações? — perguntou Fleck.

—Bem… Mais ou menos… O senhor sabe que orçamento está baixo… Por isso não conseguimos contratar nenhum kamikaze ou mesmo um zumbi melhorzinho… — disse Leni olhando tristemente para baixo.

Fleck deu um tapa no ombro de Leni para o consolar e se virou para sua equipe que acompanhava tudo sem perder nenhum detalhe.

 —O objetivo desta missão é bem simples, entramos e pegamos tudo o que encontrarmos, quando os dois orcs e o cientista sair, o ladrão, eu e Coragem, entramos e fazemos o que tem que ser feito, o guerreiro e o feiticeiro ficarão na rua para segurar o cientista e os orcs em uma emergência, arqueiros ficarão nos telhados dando suporte, alguma pergunta? — disse Fleck sorrindo.

—E se o cientista voltar mais cedo? Como nós que estamos lá dentro vamos saber? —perguntou Coragem imaginando um imenso Orc atravessando tudo.

—Isto é uma operação bem comum capitão, os arqueiros estarão de olho em tudo, o primeiro vidro quebrado é um alerta, quando quebrarem o segundo é um alerta mediano significando que o inimigo está nas imediações, o terceiro é para fugirem e se caso houver um quarto vidro quebrado será para se prepararem para a batalha— respondeu o Leni confuso.

—Ele é novo Major Leni— disse Fleck fazendo cafuné na cabeça de Coragem que estava roxo de vergonha.

—Mantenha duas linhas de escape, uma ao sul e outra ao norte, com cocheiros habilidosos e cavalos rápidos e um contato que nos acoberte na estação em caso de emergência, sinto que esta missão pode não ser tão fácil… — disse Fleck ainda sorrindo para Coragem que arregalou os olhos de medo.

— Mano e a parada dos nomes táticos? Num vai rolar a parada não? — perguntou13

—Há sim! Quase ia esquecendo, vamos fazer isso rápido, eu serei 0, Coragem 1, Bim 2, Dam 3, o feiticeiro que eu não me lembro o nome 4, Número 12 será 5, Número 13 será 6 e Número 14 será 7, alguma pergunta? — perguntou Fleck e todos ficaram em silêncio olhando uns para os outros sem entender nada…

—Ótimo, estejam todos preparados! — disse o líder goblin.


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Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 14
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