Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 12

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Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 11
Noite de Halloween, a aurora da coragem: Capítulo 13

🌞 Ative o Modo Noturno 🌚


Autor: Allan | Revisão: Denn


Treinando mente e corpo

Na manhã do outro dia acordou cedo e saiu perguntando onde poderia fazer suas necessidades, então descobriu que por toda a caverna haviam fendas onde as pessoas se aliviavam, antes usava um baudinho ou usava o banheiro da taverna que estava.

Dentro da fenda havia uma outra fenda, mas esta estava no chão que todos usavam para suas necessidades… Perguntando para onde aquilo ia os goblins respondiam “O grande além”, ainda neste banheiro caverna havia também uma cachoeira onde todos tomavam banho que escorria para a fenda anterior.

Depois de ter feito as necessidades, tomar uma poção e comer foi para a cachoeira perto do lago.

O lago era imenso, de água cristalina quase azul, dentro parecia haver vários cristais emitindo luz, goblins fêmeas lavavam roupas, crianças brincavam e ao fundo desse lago, havia a cachoeira que mesmo de longe parecia imensa.

—Eu não tinha reparado você… Afinal… Na primeira vez que vim aqui me drogaram…E na segunda me deram uma surra…— dizia esfregando o próprio braço.

Margeando o lago, encontrou uma pequena trilha que levava até a cachoeira e a seguiu, quando chegou perto da cachoeira havia vários goblins tentando escalar a cachoeira enfrentando a força de sua água.

—O Fleck quer que eu suba nisso!? Isso deve ter quase 30 metros de altura! — dizia espantado.

—E aí, vai subir ou vai ficar aí com a boca aberta? — perguntou um goblin de tanga.

—Alguém já chegou ao topo disso? — perguntou o menino de boca aberta.

—Às vezes alguém consegue, falam que tem ouro lá encima! — disse o goblin apontando para o alto.

Mal tendo acabado de falar a palavra “ouro” Coragem já estava só de calça e no meio do lago indo até a parede da cachoeira.

—Ouro!!!— disse o menino com os olhos flamejando agarrando a rocha atrás da parede d’água.

A água o empurrava com força, tateava a parede procurando um apoio para avançar, as vezes tinha que abaixar a cabeça para ter algum espaço para respirar e continuava vasculhando sem sucesso.

—Cadê você… Aparece…Aparece— e finalmente encontrando.

Forçou seu corpo a subir, pois dependia de um trabalho em conjunto de todos os músculos contra a força da água que caia em toneladas encima dele, depois de muito esforço conseguiu subir alguns movimentos.

Coragem tateou novamente a rocha e encontrou outro apoio, não era difícil só pelo esforço físico, mas a água tornava as fendas e brechas na rocha escorregadias e tinha que se segurar com muita força.

Passado quase 1 hora Coragem já não aguentava mais, todo seu corpo tremia devido ao esforço físico, olhava para baixo e não via nada pois a quantidade de água que caia na sua cabeça era imensa.

—O coisa feia! — gritou o goblin de tanga.

—Está falando comigo? — gritou Coragem de volta tentando não cair de onde já tinha chegado.

—É óbvio que é você! Você está bem?

—Estou ótimo…

—É que você está a quase uma hora a 10 cm do lago…— disse o goblin confuso

—Am????? Como assim???— e Coragem conferiu com o pé… E era verdade…

Coragem largou e nadou de volta até a rocha onde os goblins descansavam e assistiam outros que estavam a mais de 9 metros de altura da cachoeira.

—Você não é o novo capitão? — perguntou um outro goblin que estava totalmente nu.

—Erg… Acho que sou…— disse timidamente e desviando o olhar das coisas enrugadas do goblin.

—Hahaha, um capitão que não consegue nem chegar na metade? — riu o goblin enrugado e em seguida todos começaram a rir e fazerem piadas maldosas com ele.

Coragem não sabia como lidar com as provocações… Então fingiu que não ouvia e voltou para o paredão… Não obtendo muito sucesso e já sendo tarde da noite, voltou para sua oca tremendo de frio e cansado.

***

Passados 7 dias a rotina de Coragem era acordar, praticar com o crânio, fazer as necessidades básicas, tomar uma poçao e treinar na cachoeira, quando achava que tinha progredido mesmo que um pouco com o crânio ou com a cachoeira corria até a livraria para aprender mais.

Na primeira semana Coragem já fazia as duas órbitas do crânio brilhar, infimamente, mas brilhavam.

Tinha lido um bocado de livros de vários assuntos, os livros de magia, por exemplo, ele não entendia praticamente nada, muitos símbolos… As palavras por exemplo, Coragem entendia o significado, mas não faziam sentido para ele, talvez fosse o contexto, mas não faziam sentido, era o mesmo que ler grego, os rituais, por exemplo, eram cheios de coisas horríveis, envolvendo sangue, velas, vísceras luas cheia e etc. Coragem arriscou fazer um feitiço que causava diarreia nos inimigos, não matava, só diarreia mesmo, gastou 5 moedas de prata com algumas coisas mortas que se comprava no mercado, colocou tudo em um “círculo mágico” que ele mesmo tinha feito com giz, o círculo era repleto de símbolos que não entendia, mentalizou seus “inimigos”, aqueles que toda vez o maltratavam por não conseguir escalar tao bem quanto eles, acendia algumas velas, pingou as gotas sangue e no final de tudo quem ficou com a diarreia foi ele próprio…

Depois de passar pela pior diarreia de sua vida, jurou nunca mais se vingar de ninguém nem brincar com feitiçaria…

***

Estava agora na segunda semana, havia passado muito rápido, o crânio agora ria e falava:

“Só isso”

Ou então:

“Meu avô com impotência tem mais energia que você”

Coragem não sabia o que era impotência, mas sabia que era um insulto, na cachoeira o menino já chegava a 12 metros de altura, que foi o suficiente para calar a boca dos outros goblins que no geral que não chegavam 10 metros na cachoeira.

Achava que o principal motivo para ter avançado tão rápido nos treinamentos era a poção, parecia que ela ajudava a curar seu corpo e a recarregar seu espírito e ainda parecia exercer um efeito expansivo em suas forças, parecia que a substância dentro do seu organismo o ajudava de alguma forma a manifestar e a encontrar mais e mais energia dentro de si próprio, o treinamento com o crânio, o fazia forçar sua energia ao máximo e mantinha o crânio acesso e falante por quase 1 hora e meia.

Sabia que sem a poção ele não teria conseguido ir tão longe, não em um espaço de tempo tão curto.

Apesar de tudo estar indo bem, havia um problema que enfrentava e o incomodava muito… A solidão…

Tentou algumas vezes fazer amizade com os goblins da sua idade, mas pareciam ter medo dele e o davam as costas, os goblins adultos machos apenas falavam de matar, roubar, procriar, se embebedar e apostar…

As goblins fêmeas por outro lado falavam mal uma das outras, faziam fofocas, faziam intrigas e se pudessem prejudicavam sem pensar qualquer um, mesmo sem motivo aparente.

Cansado e estressado do treinamento e do ambiente da Toca de Luz, ia para cidade acima com a desculpa de comprar livros, ou itens de higiene e tentou ser amigo do vendedor de armas, mas este parecia ser amigo ou mesmo “minimamente interessado” somente se comprasse algo dele…

A vendedora de roupas, que a propósito era a “pessoa” mais parecida com um humano por ali, só parecia estar feliz quando aparecia alguém que usava roupas ainda mais bonitas que as dela…E as vezes Coragem precisando de uma peça de roupa, ou tendo encontrado algo que gostara, ela fingia que ele não estava ali…

A coisa mais próxima de um amigo talvez fosse o dono da livraria que era um fantasma sabido… Sempre sabia mais que os outros, não escutava ninguém, nem os clientes que raramente ali entravam, provavelmente não ouvia nem o que ele próprio dizia, apenas falava, falava e falava…

—A Alice era diferente… E Fleck apesar de tudo… Também…— se lamentava o menino.

Algumas noites se sentia muito infeliz e pensava coisas do tipo: “Como vim parar aqui?”, “Porque logo eu?”, “O que fiz de errado para estar aqui?”, “E quem sou eu?”.

A única resposta que sabia era onde estava…

Estava cercado de monstros… Que se soubessem que ele era humano, o devorariam na mesma hora… Mas o pior de tudo não era estar cercado de monstros… O pior de tudo era não ter ninguém… A solidão era o pior de tudo… Não aguentando mais chorava em silêncio até dormir…


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