Zaro’s Mahoutsukai – Capitulo 7: Slime Gastronômico

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Acordo no dia seguinte com uma dor de cabeça terrível, quando olho no relógio, percebo que estava atrasado. Me arrumo correndo e saio rapidamente do meu quarto, escuto a porta do quarto de Keith se abrindo, me viro para ver se era ele, mas um garoto alto de cabelos negros que sai do quarto. O garoto tinha orelhas grandes e pontudas, como um elfo! Sua pele era clara, seus olhos azuis com um olhar que parecia ter ódio de tudo. Ele me vê o observando e passa por mim me ignorando, dou de ombros e corro até a sala de aula.

 

Por sorte consigo chegar até a sala antes de bater o sinal, me sento cansado e escuto cochichos, quando vejo, todos estavam me olhando, pergunto para Keith o que tinha acontecido.

 

— Bom dia primeiro né?! — Keith me cumprimenta com um grande sorriso. — Eu acho que eles ainda estão tentando entender como que você conseguiu ganhar da Herdeira da Fênix, e pelo que parece, os rumores já se espalharam.

 

Stephanie entra na sala seguida da Sonia, ela parecia estar com vergonha de entrar na sala, seu rosto estava vermelho e ela estava com uma cara de frustração. Ela se senta, em seu lugar emburrada sem falar com ninguém. “Acho que ela não está gostando muito dessas fofocas…”, penso comigo mesmo.

 

A primeira aula do dia era economia doméstica, eu achava que não iria ter uma aula dessas em uma escola de magia, mas até mesmo grandes magos precisam saber preparar a sua comida. A professora pede para que a sala se separe em duplas, quando Keith abre a boca para perguntar se eu queria fazer dupla com ele, Stephanie olha para mim e fala.

 

—Você fará dupla comigo, entendeu? — Como sempre, parecia que ela estava me dando uma ordem, mas por sorte ela não estava gritando.

 

Todos na sala começam a cochichar baixinho sobre aquela situação, a orgulhosa Stephanie fazendo dupla com a pessoa que a venceu e que a fez chorar? Isso parecia estranho, assim começam teorias do porquê daquilo. Enquanto eu olhava para a sala, com um pouquinho de vergonha pelos olhares alheios, percebo que o garoto que havia saído do quarto do Keith estava na sala, não esperava que fossemos colegas de classe, ele estava fazendo dupla com o Keith, talvez fosse seu colega de quarto?

 

A aula era um desafio, nós tínhamos que fazer um café da manhã leve e que usasse todos os ingredientes, o problema era que eu não sabia que ingredientes eram aqueles, alguns eu até conhecia, mas a maior parte eu nunca tinha visto. As frutas tinham cores variadas e formatos também, algo como: uma fruta azul, com um formato que lembrava ligeiramente um cubo, uma fruta bem vermelha que lembrava uma pirâmide ou uma fruta listrada de roxo e laranja que era uma esfera perfeita. Além das frutas tinha alguns ingredientes dentro de frascos, como alguns líquidos coloridos e alguns pós que eu achava que era tempero. Também tinha alguns ingredientes mais comuns, que tinha no mundo humano, trigo, ovos (mesmo esses tendo o dobro de tamanho e umas pintas azuis), leite e fermento.

 

Daria para fazer um bolo com aquilo, mas isso não seria leve, fico na dúvida por um tempo, até que me lembro da Stephanie. Ela olhava para os ingredientes, pensando também, então resolvo perguntar.

— O que você acha? — Ela olha para mim surpresa, será que ela esperava que eu fizesse as coisas sem ela? — O que você acha que seria bom para a aula?

 

Ela hesita em responder por um tempo, pensando, eu acho.

 

— Como tem que usar todos os ingredientes, um bolo seria a melhor opção… — Ela responde hesitante. — Mas eu não sei cozinhar muito bem, então não… sei se posso te ajudar nisso. — Ela responde se rebaixando um pouco.

 

—Não é como se eu fosse um grande cozinheiro ou algo assim! Estamos no mesmo barco. — Respondo tentando deixar ela um pouco mais solta com a situação.

 

Para mim era estranho que ela não estivesse gritando que nem no dia anterior, alguma coisa tinha acontecido? Eu me perguntava sem parar. Eu não tinha muitas ideias para comida, quase não cozinhava e minhas receitas tendiam a serem simples.

 

Olho em volta e vejo muitas pessoas usando livros para cozinhar, pergunto para Stephanie se todos tinham aquele livro e ela me responde que sim, aquele era os livros de receita da aula de economia doméstica, mas ela havia esquecido o dela e eu não tinha o meu. Pergunto para a professora se ela não teria algum para emprestas, por sorte ela tinha. O livro de receitas da professora era diferente, tinha uma capa preta, enquanto o de todo mundo tinha uma capa verde. Aquilo era estranho, porém ao abrir o livro, eu percebo que era realmente um livro de receitas, pelo menos eu não iria invocar algum destruidor de mundos tentando cozinhar um café-da-manhã!

 

Enquanto eu folheava o livro de receitas, Stephanie tentava ler as páginas também, se escorando em minhas costas. Ficava complicado de ler, pois eu tinha que ficar um pouco corcunda por causa do peso dela, além que sempre que eu ia mudar a página ela colocava a mão na frente, batendo com o cotovelo no meu rosto, apenas porque ela não havia terminado de ler.

 

— Você poderia me dar espaço?! — Pergunto irritado enquanto empurrava ela para o lado.

 

— ORA SE… — Ela hesita em terminar a frase, olha para os lados vendo as pessoas nos observando e abaixa o tom da voz com um sorriso torto. — Ok! Faça você a sua receita, que eu farei a minha então!

 

Ela se sapara indo mais para o lado, toda emburrada, desde quando ela se importava com os olhares dos outros? Se bem que eu não a conhecia direito, então não poderia falar muita coisa, mas algo estava errado e eu tinha que saber o que era!

 

Stephanie pega alguns dos ingredientes e coloca para o lado dela, ela iria fazer alguma coisa por contra própria e sem o livro de receitas, eu fico com o resto dos ingredientes, ainda pensando no que faria. Algo leve, possivelmente saudável e rápido! Não queria algo que demorasse muito, a aula estava indo muito rápido e quase não teria tempo para terminar. A professora vê que muitos alunos estavam com problemas em começar a cozinhar, então ela tenta incentivar um pouco.

 

— A primeira dupla que terminar de cozinhar o café-da-manhã corretamente, irá ganhar algo de mim, hehehe. — Ela estava com um sorriso sedutor no rosto.

 

De repente todos os alunos do sexo masculino e alguns do feminino criam uma energia gigantesca, dava para ver que eles queriam muito ser os primeiros e por isso começaram a preparar qualquer coisa rapidamente. Eu dou um grande suspiro e continuo lendo o livro, planejando como seria fazer cada receita e o tempo que levaria tudo.

 

Tudo estava calmo, mais ou menos na verdade, quando escuto alguns barulhos estranhos, parecia alguma coisa gosmenta se movendo ao meu lado, olho para Stephanie e ela estava paralisada de medo, ou talvez chocada por ter conseguido criar uma comida com vida! Uma massa preta se movia de dentro de uma frigideira, tentáculos saiam dela, a massa era gosmenta parecendo uma geleca. Sons assustadores começam a sair de dentro dessa geleca preta, parecendo gritos de medo e desespero, Stephanie não sabia como que a situação tinha chegado naquele ponto.

 

Do nada olhos são criado na geleca, uma boca também. A coisa olha para mim e começa a falar no mesmo idioma.

 

— Ser imundo, se torne um membro da minha seita e juntos vamos conquistar o mundo! — A voz era grave e alta, um de seus tentáculos fica na forma de uma mão que fazia gestos.

 

— É… não quero, isso parece muito trabalhoso… — Eu recuso a oferta da geleca, e seus olhos começam a demonstrar raiva.

 

O corpo do geleca começa a ferver e borbulhar, e um tentáculo tenta pegar a Stephanie, eu pulo na direção dela, a protegendo do tentáculo e finalmente ela acorda.

 

— O… Oque aconteceu?! — Ela pergunta surpresa.

 

— Você criou um monstro! — Eu explico para Stephanie.

 

Muitos alunos se assustam, a geleca pega algum deles com seus tentáculos e os move no ar, aqueles que não foram pegos tentam lançar magias nele, mas era tudo em vão, nenhum tipo de magia elemental fazia efeito. Fogo quando entrava em contato era apagado, a água o ajudava a crescer, vento só fazia ele se cortar, mas logo ele se regenerava. Magias telecinéticas também eram inúteis, seu corpo parava os objetos que começavam a serem absorvidos e a desaparecerem. Era um caos completo, aquela geleca, ou melhor, aquele Slime era imune a tudo, mas eu sabia o que poderia parar ele, só não sabia se daria certo.

 

Retiro minhas luvas e cochicho algo para Stephanie e agarro a sua mão, depois de alguns segundos ela começa retira rapidamente percebendo oq eue u estava fazendo.

 

— VENHA! ME PEGUE! — Grito tentando chamar a atenção dele, rapidamente ele me agarra com um de seus tentáculos.

 

Ele me aproxima de seu “rosto”, minhas mãos estavam segurando o tentáculo que ele tinha usado para me pegar, eu estava absorvendo a magia do Slime, quando ele percebe, já era tarde demais e eu explodo ele com um soco. Gosma voa por todos os lados, a sala fica completamente preta, após cair no chão, hesito um pouco antes de me levantar, com medo que ele se regenerasse, mas nada acontece e eu me levanto. As pessoas na sala me aplaudem, aqueles que haviam sido pegos pelo Slime me agradecem, suas roupas estavam rasgadas e elas estavam com queimadoras pelo corpo, por sorte, ninguém se feriu muito.

 

A professora não parecia que havia percebido alguma coisa, ela havia ficado se maquiando por um bom tempo, sem ver nada na sala, ela só percebe depois que o Slime havia sido explodido e uma parte de sua gosma havia voado no rosto dela. Stephanie havia me ajudado também, ela tinha me emprestado um pouco de sua magia para me ajudar a aumentar um pouco mais a força do soco, mesmo ela não entendendo o que eu estava fazendo, para ela, eu apenas havia tocado na mão dela.

 

Depois que as pessoas se acalmam um pouco, Keith e seu amigo terminam o prato, eles também não pareciam ter visto alguma que havia acontecido, estavam tão concentrados criando o prato que haviam se esquecido o resto do mundo. Os dois haviam feito panquecas com calda de frutas e um pouco de geleia. “Faz sentido, é leve, é gostoso, é rápido, usa todos os ingredientes e é um café-da-manhã!”, penso frustrado por não ter tido essa ideia antes. A professora prova, depois de limpar seu rosto, chorando pela maquiagem destruída, ela então dá a voz de vitória para os dois e lhes entrega dois vales sanduiche arco-íris do refeitório. A maioria das pessoas se sentem enganados quando descobrem o que era o prêmio; o que a professora ia dar para os ganhadores, mas logo mudam de ideia quando se lembram do gosto do sanduiche arco-íris.

 

Minhas roupas também haviam sido destruídas, fico imaginando como que eu iria concertar elas, a professora pede para que todos alunos com as roupas derretidas pelo Slime vão até ela, que ela concertaria com magia. Quando começo a andar em direção a professora, Stephanie se aproxima de mim, com um olhar afiado e fala.

 

— Me fale o que é essa habilidade! Você não é apenas um humano normal, não é?

 

Eu teria que revelar o que eu era a ela!