Zero’s Mahoutsukai – Capítulo 6: Estátuas nos dormitórios?

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Autor:Rebellion

Revisor: Dantalian


As aulas terminam comigo não podendo participar do resto do “Mini-torneio” de educação física, a professora estava assustada pensando que eu tinha me machucado gravemente com a magia que Stephanie havia lançado em mim, mas eu não tinha nenhum ferimento e nem a roupa havia rasgado. O diretor ainda não havia contado para os outros professores sobre mim, ao que parecia, os únicos que sabiam eram o próprio diretor, a Sarah e o Rudolf.

Logo após bater o sinal, eu me levanto da arquibancada e sigo pelo corredor que interligava a escola do ginásio; mesmo dando a impressão que o ginásio era dentro da escola, havia um longo corredor que ligava um salão com o ginásio. Escuto passos rápidos no corredor, era a Stephanie correndo com todas as suas forças, ela estava suando e estava muito ofegante, a garota para em minha frente e tenta recuperar o fôlego, quando finalmente consegue falar, ela começa a gritar.

— VO… VOCÊ! COMO VOCÊ OUSOU ME VENCER?!— Ela estava irritada por ter perdido, frustrada, eu diria. Ela respira fundo e continua gritando. — E AQUELA HABILIDADE, O QUE ERA AQUILO? VOCÊ SIMPLESMENTE COMEÇOU A ABSO… — Eu tampo a boca dela rapidamente com a minha mão, ela realmente havia percebido que eu consigo absorver magia.

—Shhhh! — Peço para ela ficar em silêncio. — Fale baixo sobre isso! Não quero que ninguém saiba! — Sussurro baixinho.

Ela retira bruscamente a minha mão de sua boca.

— Ok, eu falarei baixo, mas você precisa me contar o que foi aquilo! Como… Como que alguém consegue parar um ataque daqueles sem nem ao menos ficar machucado? — Ela estava curiosa com a minha habilidade.

— Conto depois, conto depois. — “Que irritante ter que explicar sobre a minha situação para ela!”, penso. — Mas antes, não tínhamos que decidir algumas coisas? — Pergunto com um sorriso malicioso no rosto.

Ela franze o cenho tentando se lembrar do que era, quando a professora aparece e esclarece para ela.

— Aquilo foi uma batalha oficial, não é Srta. Stephanie? Vocês já resolveram a aposta da batalha? — Quando ela fala isso todos que estavam voltando para a sala param e olham para trás, todos estavam curiosos para saber o que eu, o ganhador, iria pedir.

— Ah…. É mesmo, né? Eu havia pedido por uma batalha oficial… E tem apostas né… — Seu rosto escurece em sombras quando ela finalmente se lembra.

Eu tinha um grande poder em minhas mãos e não estava falando da minha habilidade de cancelar magia! Eu tinha que escolher algo para ela me dar ou fazer por ter perdido a aposta, eu, um jovem garoto em plena adolescência com essa possibilidade, era como se Deus tivesse ouvido as minhas preces. “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”, era o que o tio Bem falava, e ele estava certo… Eu poderia escolher algo que me fizesse ser o vilão para toda a minha sala ou eu poderia escolher algo sem graça e só continuar sendo o “aluno transferido que ganhou da Herdeira da Fênix”, isso já poderia ser vergonha o suficiente para a pobre garota.

Penso bem no que escolher e pergunto para a professora se tinha algo que não podia.

— Bem, não pode qualquer coisa que machuque, mate, abuse ou seja caro para a outra pessoa… Que eu me lembre é só isso. — Ela me responde.

Eu já tinha uma ideia do que eu iria pedir, mas talvez eu não poderia escolher isso, então tento fazer um trato com a professora. Chego perto dela e conto o que era. A professora, depois de pensar bem, me responde.

— Bem, se enquanto estiver nisso, você não fizer nenhuma das coisas que eu citei, não vejo problema, mas claro, Stephanie terá que concordar.

O rosto de Stephanie mostrava medo e um pouco de desespero com a minha escolha, mesmo sem eu ter contado ainda.

— Stephanie, por você ter perdido a aposta, você terá que ser a minha serva por uma semana! — Eu falo entusiasmado, mesmo sabendo que ela não iria aceitar de primeira.

— SER SUA O QUE?! — Ela grita tão alto que todos que estavam em volta tampam os ouvidos. — VOCÊ ESTÁ LOUCO?!— Ela se vira para a professora e pergunta para ela. — Você não havia falado que não podia abusos? Isso não é uma forma de abuso?

A professora destampa o ouvido e responde.

— Eu e ele fizemos um acordo, ele prometeu que não fará nada que infrinja as regras, então não se preocupe. — A professora estava começando a perder a paciência.

— Mas… Como você pode confiar tanto nele? Ele pode fazer algo escondido! — Stephanie continuava choramingando.

— Ele não vai fazer, e se fizer, você pode contar pra mim ou pra qualquer outro professor, que ele verá as consequências! — A professora responde.

Eu estava com um sorriso encravado no rosto, um sorriso que dizia “HÃ, VOCÊ NÃO VAI ACEITAR? ESTÁ FUGINDO? PERDEU A APOSTA E VAI FUGIR?”, e isso era bem o que eu iria dizer se ela recusasse mais uma vez.

Depois de pensar por um bom tempo, com a professora a apressando atrás, ela se decide.

— E… Eu… — Ela segura na barra de sua saia e fica com a cabeça baixa. — Eu aceito esse pagamento… — Seus olhos estavam lacrimejando, ela estava quase chorando, fico sem jeito e respondo.

— Nã… Não se preocupe, não precisa ser agora…. — Fico olhando em volta enquanto escuto algumas pessoas falando “Ele fez a herdeira da fênix chorar!” e “Que tipo de monstro ele é?”, aquilo estava me irritando! — Algum outro dia você paga, mas lembre-se é uma semana inteira! E não se preocupe que não vou fazer nada suspeito com você. — Tento consolá-la.

Ela engole o choro, respirando fundo ela me empurra e vai em direção a saída do corredor, com toda a graça e arrogância digno de alguém esnobe ela grita.

— EU AINDA IREI VENCER VOCÊ! TENHA ISSO EM MENTE. — Aquilo havia sido apenas uma batalha de uma longa guerra.

Depois de buscar meu material na sala, após as aulas, eu tinha que procurar o meu quarto dentro da escola, eu ligo para a Sarah e a pergunto, ela diz que o quarto ficava em outro pavilhão, atrás da escola, lá ficava os dormitórios e a casa de banho, o problema era que a escola parecia mais um labirinto do que uma escola normal ( sem ser uma escola normal), acho que para andar nela era necessário de algum tipo de magia especial ou algo assim.

Enquanto eu andava de um lado para o outro pela escola, avisto de longe o Keith, eu o chamo e quando ele me vê, vem correndo em minha direção. De certa forma o Keith parecia bem feminino para um garoto, ou talvez infantil, isso quando ele não estava querendo lutar com um sorriso tenebroso no rosto. Eu pergunto para ele onde ficava os dormitórios, ele pede para que eu o siga e assim eu faço.

Depois de andar cerca de uns 10 minutos, passando por escadas que quebrariam as leis da física e por salas onde armaduras vazias se moviam e falavam, a gente chega nos dormitórios. De um lado havia um prédio com uma grande estátua de uma mulher com uma mão estendida para cima, do outro lado havia um prédio com uma grande estátua de um homem com os braços cruzados e no meio um grande chafariz onde a água brilhava em diversas cores e carpas pulavam entre as diversas camadas da fonte, fazendo um barulho que parecia uma risada.

— Você veio do mundo humano, não é? — Keith pergunta para mim, com um sorriso alegre e gentil.

— Sim, conheço quase nada daqui. — Respondo encantado pelas carpas que riem.

— Essas são as Carpas-Hienas, não tente pegar, elas mordem. — Keith explica apontando para o chafariz. — E esses são Azagel e Khalia, as estátuas protetoras do colégio, sempre que houver um problema elas irão nos defender com suas vidas, e sempre que alguém fizer algo de errado nos dormitórios, elas irão nos punir. — Ele aponta para as duas estátuas gigantes.

Aquilo era realmente um outro mundo, estátuas protetoras, carpas que pulam na fonte colorida, uma garota que consegue pegar fogo, tudo era incrível! Eu estava entusiasmado em descobrir mais sobre tudo. Eu e Keith nos aproximamos mais da estátua do homem, o Azagel. Keith cumprimenta a estátua com um aceno de mão e fala.

— Bom trabalho Azagel, você deve estar dando duro.

A estátua abre seus olhos e começa a mover seus braços, poeira caia de todo seu corpo e um som sai da boca da estátua.

— EU ESTOU SEMPRE DURO, AHAHAHA! — A estátua grita respondendo Keith, ele contínua. — AFINAL, EU SOU UMA ESTÁTUA NÃO É MESMO?! AHAHAHA.

— Por que você sempre tem que falar gritando, Azagel? — A outra estátua, Khalia, pergunta para o Azagel, ela parecia se sentir incomodada com o tom de voz do Azagel, eu a entendia!

— ISSO É PORQUE EU SOU GRANDE! AHAHAHA, SEMPRE TENHO QUE FALAR ALTO, TODOS TEM QUE ME OUVIR! — Azagel responde.

Khalia faz um barulho parecendo um estalo de língua, e começa a discutir com o Azagel.

— Mas você não vê que isso incomoda os outros?! Você poderia só às vezes tentar falar baixo! — Seu tom de voz começa a aumentar.

Azagel fica tranquilo, e com um suspiro ele abaixa a sua voz.

— Tenho medo que se eu não gritar, a minha voz não chegue até o seu coração… — Ele responde com um sorriso envergonhado.

Se a Khalia não fosse uma estátua, ela com certeza estaria corada parecendo um tomate, pois dava para ver que ela estava envergonhada.

— I… IDIOTA! Você já está em meu coração de pedra! — Ela responde de uma maneira apaixonada.

Os dois esquecem que estavam discutindo e começam a falar coisas melosas um para o outro.

Eu e o Keith ficamos sem jeito com a situação, então continuamos seguindo até os quartos. Como eu não sabia que número era o do meu quarto, pergunto para a Sarah por uma mensagem, Keith fica estupefato em saber que eu tinha o número de celular da Sarah.

O dormitório masculino tinha 5 andares, sendo que cada andar era uma série diferente, meu quarto e o de Keith eram no segundo andar e para minha surpresa, nós éramos vizinhos de quarto.

— Você vai ficar no quarto 202? Que incrível! Eu estou no 203! — Keith fala animado com a surpresa.

— Ao que parece sim. — Respondo parando na frente da porta do meu quarto.

— Quem é o seu colega de quarto? — Keith pergunta, ele parecia muito interessado em mim, provavelmente o rapaz não tinha amigos.

— Ninguém, eu acho, não sabia que tinha colegas de quarto. — Respondo enquanto procurava as chaves.

— WOW, que incrível, eu tenho que dividir o meu quarto com mais um garoto, o nome dele é Rubrik, qualquer dia eu apresento ele a você! — Keith abre a porta do seu quarto e se despede de mim. — Já vou entrando, depois nos vemos mais, os jantares aqui também acontecem na cantina, mas não são um campo de guerra. — Ele fala brincando.

Depois de me despedir dele, cada um entra em seus devidos quartos.

Meu quarto era gigante, dava dois do meu quarto no mundo humano. Vejo no canto uma escrivaninha com meu notebook e vou correndo até ela para ver se tinha internet, fico aliviado ao saber que tinha. Me espreguiço e caio na cama querendo tirar um cochilo, penso “Esse foi só o meu primeiro dia, muitas mais aventuras virão!”, sem perceber acabo dormindo e em meus sonhos sinto como se alguém me observasse de dentro do meu quarto.