Zero’s Mahoutsukai no Gakusei – Capítulo 2: O Livro das Raças!

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AUTOR: REBELLION

REVISOR: REBELLION


Quando a grande porta se abre, um clarão me cega e a primeira coisa que eu vejo é um homem idoso de bruços em cima das coxas de uma mulher morena. Esse homem estava com a calça abaixada e a mulher segurava uma seringa; essa cena me choca, eu fico sem reação, olho rapidamente em direção de Sarah e ela também parecia sem jeito, mas aparentava já estar acostumada com aquilo, ela sussurra para mim.

 

— O diretor tem uma doença incurável, e o único tratamento necessita de injeções duas vezes por dia, ao que parece já está na hora da injeção dele… — Ela estava com um sorriso torto pela vergonha alheia.

 

O diretor nos percebe na sala e logo ergue a calça, ele se senta atrás de sua mesa e tosse um pouco, aquele tipo de tosse para mudar o clima, de repente seu olhar fica sério, talvez tentando esconder a vergonha pela cena anterior.

 

O idoso aparentava ter em torno dos 70 anos, mas não duvidaria se tivesse mais, ele tinha um longo cabelo acinzentado e caído para baixo, porém, o cabelo estava apenas em volta da cabeça, ele era calvo no meio. Tinha uma grande barba branca, que nas pontas faziam voltas. Olheiras bem fundas nos olhos, além que seus olhos eram castanho-escuros. Sua pele era branca, porém um pouco bronzeada. Ele usava uma grande túnica de um cinza azulado, a túnica era bem simples, lembrava a do Gandalf do Senhor dos Anéis, porém mais escura. Em baixo da túnica, ele usava uma calça jeans azul marinho e um all star preto nos pés, era uma louca combinação de roupas.

 

— Esse é o garoto que você me falou, Srta. Sarah? — O velho homem pergunta.

 

— Sim, o garoto que pode aparar magia. — Sarah responde, também tentando fazer uma cara séria.

 

 

“Quando que ela avisou à ele?” pergunto para mim mesmo, até que me lembro que estávamos num mundo mágico, então ela poderia ter usado magia para isso.

 

— Você deve estar se perguntando como eu conversei com ele, não é? — Ela pergunta para mim, parecia que ela conseguia ler a minha mente. — Mas eu apenas liguei para ele mesmo. — Ela retira um celular da Samsung do bolso e me mostra, aquilo me deixa frustrado!

 

— Antes de podermos dar qualquer palpite, leve ele até o bibliotecário, ele poderá dizer melhor o que esse garoto é. — O diretor afaga a sua barba enquanto girava na cadeira.

 

Ao sair da sala do diretor, Sarah fala baixinho.

 

— Ele provavelmente só não está aguentando a vergonha e quer terminar de tomar a injeção. — Dava para ver o rosto enojado de alguém que já viu aquilo diversas vezes.

 

Para irmos até a biblioteca era necessário passar por uma série de escadas que giravam e andavam sozinhas, aquilo me lembrava cenas do filme Harry Potter, mas essas eram escadas rolantes. No caminho começo a sentir uma presença a mais junto da gente, mas mesmo olhando para trás, não encontro ninguém, deixo essa presença de lado e noto como era a escola. Vários pilares se prendiam entre o chão e o teto, haviam diversos quadros nas paredes, mas esses não me mexiam, armaduras brilhantes, armas nas paredes, alguns murais como se fossem quadros de avisos. Parecia muito uma construção medieval, mas com um toque de modernidade… Talvez pelas escadas rolantes.

 

A biblioteca era gigante, e de fato era o lugar mais “mágico” que eu havia visto desde que entrei naquela escola. Gigantes paredes com um teto curvo, lanternas de papel nas e candelabros presos nas paredes, até que iluminavam um bom tanto. Corredores entre as estantes cheias de livros, algumas esferas de energia voavam pelo ar, havia armaduras medievais na portaria e algumas espadas penduradas nas paredes. No fundo da biblioteca, no lado direito da porta, havia um grande cristal azul que também brilhava. Meus braços não paravam de tremer, e parecia que havia ficado pior o tremelique.

 

— RULDOLF!!!— Sarah grita, chamando por alguém.

 

Um homem segurando um monte de livros aparece por entre as estantes, ele era bem alto. Depois de colocar aquela montoeira em uma mesa consigo ver bem o seu rosto, era um homem loiro, que usava óculos, seus olhos eram azuis e seu cabelo estava amarrado por um rabo de cavalo, ele deveria ter em torno de dois metros e pouco e por isso parecia desajeitado. Estava vestindo um avental por cima de uma roupa social.

— Oh, Sarah, tudo bem com você? — ele pergunta para ela e antes de escutar sua resposta, ele olha para mim. — Esse é o garoto que consegue aparar magia?

 

Viro a cabeça rapidamente em direção a Sarah, fazendo um rosto surpreso, com essa careta querendo dizer “você usou o celular de novo enquanto eu não via?!”, e ela entende.

 

— Dessa vez foi magia! Ele nem tem um celular! — Ela se explica, Rudolf fica sem entender o que estava acontecendo. — Sim, é ele mesmo, seu nome é Endo. — Sarah muda de assunto e me apresenta para o homem.

 

Ele então estica suas mãos e me cumprimenta, se apresentando também.

 

— Eu sou Rudolf Vonnecci, ajudante de bibliotecário, prazer em conhece-lo Endo. — Ele dá um sorriso gentil.

 

Logo após isso ele pede para que a gente espere enquanto ele pegava o livro, me pergunto que livro que era e Sarah explica para mim: “é o livro das raças, uma enciclopédia que contém informações de todas as raças desde o começo dos tempos, tem desde as do mundo mágico, como as do mundo humano também, e ainda tem folhas em branco!”. Depois de um tempo Rudolf volta com um livro pequenino, ele o coloca na mesa, então começa a desdobrar o livro, de um pequeno livro de bolso, se torna um livro que deveria ter quase um metro! Ao abrir, o cheiro de papel velho penetra em minhas narinas. Rudolf começa a folhar o gigante livro, procurando por algo, quando finalmente encontra o que procurava, ele aponta na página, eu e Sarah nos inclinamos para ver também.

 

— Aqui está, Zeruu’su, ou também conhecido como Zero’s, a raça dos antimagia… — Rudolf começa a ler o livro. — Pessoas capazes de cancelar qualquer tipo de magia ou maldição jogadas nele ou no qual eles possam tocar. Eles absorvem a magia, a transformando em um outro tipo de energia no qual usam em seus próprios corpos, como força, velocidade e resistência… — O assistente arruma os óculos e limpa as lentes.

 

Eu escutava com cuidado tudo o que aquele homem lia, o texto estava em um idioma que eu não entendia, e parecia que a Sarah também não entendia direito, ela estreitava os olhos enquanto murmurava palavras com dificuldade.

Enquanto Rudolf lia, eu pensava “eu sou realmente isso?”, era difícil de acreditar naquilo, mas depois das coisas que havia visto, era ainda mais difícil não acreditar. Sarah parecia estranhamente inquieta com algo, antes que o Rudolf pudesse continuar, Sarah tosse uma vez, dando a entender que ela queria falar algo e começa a sua palavra.

 

— Antigamente o Mundo Magico e o Mundo Humano eram um só, seres mágicos existiam juntos com os humanos, porém nem todos continham magia, ou melhor, nem todos continham uma porcentagem significativa de magia… — Pela primeira vez eu via ela parecendo uma pessoa que realmente sabia o que estava falando, ela aparentava entender muito do assunto, o que acaba me deixando mais curioso. —… Sabe, magia é uma energia que dá, ou daria, vida e movimento as coisas, por isso, tudo contem magia nem que seja um pouco. Humanos normais tem cerca de 1% de magia em seus corpos, no máximo do máximo, aqueles que tem poderes médiuns ou coisas do tipo acabam tendo 2%. Para ser considerado um mago, além de ter acima de 4% precisa saber controlar a magia, utilizando as coisas em sua volta. — Ela parecia orgulhosa com a sua explicação e não conseguia esconder um sorriso de orelha a orelha em seu rosto. — Ah! É mesmo, e “Magia” também pode ser chamada de “Mana”, porém magos normalmente não usam esse termo.

 

— Mas, se tudo tem magia, os Zero’s não deveriam ter magia também? — Pergunto pensativo com o que os dois haviam falado.

 

Os dois se olham e pensam um pouco, até que Sarah decide continuar a sua fala.

 

— Teoricamente, mas ao que parece, eles podem sobreviver tomando a magia das coisas em sua volta, as vezes tomam tanta magia que se tornam quase como um tanque de guerra que não conseguem serem parados! — Ela olha para o assistente de biblioteca, procurando uma aprovação, Rudolf acena com a cabeça e ela continua mostrando um sorriso de alívio.

 

Rudolf então toma a palavra.

 

— Você já deve ter feito algo assim, quebrado alguma coisa só em encostar ou não se machucado mesmo quando algo como uma faca caia em você por algum motivo. — Eu penso um pouco me lembrando das diversas vezes que essas coisas haviam acontecido. — Isso aconteceu porque você não consegue controlar essa energia, quando você conseguir controlar, você deixará de fazer essas coisas.

 

Rudolf percebe Sarah o encarando inquieta, e gentilmente deixa ela falar de novo.

 

— Algo que você deve estar se perguntando é o porquê de uma aparição como a sua estar dando tanto trabalho. — Na verdade não estava pensando nisso, era simples isso, praticamente eu era o inimigo lá, segundo tudo aquilo, eu poderia matar um mago por absorver magia de mais, eu poderia ser um forte inimigo para eles, então normalmente eles ficariam receosos com isso. — Isso acontece porque eram para vocês, Zero’s, estarem extintos desde a Grande Guerra dos Mundos, onde o Rei Lich construiu essa dimensão e esse mundo usando toda a sua magia, assim se sacrificando por todos nós, magos e seres mágicos. Isso aconteceu enquanto também acontecia a idade média na Terra.

 

Enquanto ela me explicava animadamente sobre a história do Mundo Mágico, o diretor entra na biblioteca, com suas mãos dentro de suas mangas, parecendo um monge shao-lin de filmes chineses. Ele olha para mim com um olhar sério e fala.

 

— Conversei com o Conselho da Magia sobre a sua situação, e eles falaram que acham melhor mantermos você aqui na Escola Tarentum, eu concordei com eles, mas você é o único que pode escolher. Garoto Endo, você quer estudar na maior escola de magia do continente de Airon, no Mundo Magico? Ou prefere voltar à Terra e continuar a sua vida mundana novamente? Se escolher essa opção você terá suas memórias sobre o Mundo Magico apagadas! — Ele mesmo mostrando seriedade na voz, não me olhava tentando me convencer, parecia que ele já sabia da minha resposta.

 

Ele parecia convicto que eu entraria na escola, e não estava errado, eu sempre dizia a mim mesmo “Se há uma chance, pegue-a, é melhor se arrepender depois de usa-la”. Com uma firmeza sem igual, eu me levanto da cadeira e respondo.

 

— Adoraria estudar nessa escola! — Mudando a tonalidade da voz, quase que falando para mim mesmo. — Até porque a magia não funcionaria comigo… — Dou de ombros.

 

O diretor retira um martelo de sua manga e olha para mim com um sorriso maligno no rosto.

 

— Quem disse que usaríamos magia? Hehehe — A Sarah dá uma livrada na cabeça dele, que o faz soltar o martelo e cair em seu pé, o diretor grita de dor.

 

“Ainda bem que escolhi entrar na escola”, penso. O diretor fala que após as férias, eu iria ser transferido para essa escola, e que a Sarah me ensinaria as coisas que eu tinha que aprender para estar nela. Ao que parecia, a Sarah era uma professora de história, mas que tinha permissão para ensinar outras matérias, ela era considerada um Gênio! Sarah então fala que eu poderia voltar para casa, e que no dia seguinte ela iria me mandar uma carta falando que fui aceito nessa escola de elite… sinceramente não sei se a minha mãe iria acreditar nisso.

 

Antes de sairmos da sala, um certo quadro dentro da biblioteca me chama a atenção, ele parecia uma representação da Mona Lisa, porém suas roupas eram diferentes, a mulher tinha um chapéu de bruxa, e atrás dela havia um dragão. Toco no quadro com a minha mão vibrando e de repente um flash de luz acende em cima de mim, com um “Poof” uma garota sai do quadro e acaba caindo em minha direção, ela se levanta e fica sentada em cima de meu abdômen. A garota usava uma máscara de raposa de estilo japonesa, ela tira a máscara e eu consigo ver seu rosto. A garota era bonita, parecia japonesa também, tinha cabelo curto e preto, vestia um uniforme – acho que era da escola – Além disso tinha um sorriso no rosto, mesmo estando vermelha de vergonha. Ela pede desculpas enquanto passa a mão em sua cabeça. Eu a observo por um tempo, e com uma pitada de incomodo falo para ela.

 

— Essa pode ser uma bela visão, e uma cena muito boa para mim, mas você poderia sair de cima? Você não é tão leve quanto parece…— Ela se levanta e se desculpa novamente.

 

— Você é bem sincero, hahahaha. — Ela gargalha, ainda envergonhada.

 

— Senhorita Hattori, o que estava fazendo bisbilhotando as coisas dos outros?!— Sarah a repreende.

 

“As fofocas voam aqui, até parece mágica…” penso, tentando ser irônico. Sarah me conta sobre ela, Hattori Chiyome, ela estava no segundo ano e usava magias de oclusão presencial, obviamente uma ninja! Depois de nos apresentarmos, eu, Sarah e Hattori saímos da sala, eu saio com um grande sorriso, pois algo de diferente havia acontecido!

Ei, você gosta desta novel? Acha que tem pontos a se melhorar? Ou acha que o autor já conseguiu expor toda sua experiência com esta obra? Diz pra gente lá no novo site da Central Novels!